Álvares, Mateus
[N. Praia, ilha Terceira, século xvi - m. Lisboa, Junho de 1585] Falso D. Sebastião. Após a morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir, em Agosto de 1578, criou-se a lenda de que o rei estava vivo e que surgiria, a qualquer momento, para salvar a pátria subjugada pelos espanhóis. Neste contexto, apareceram vários falsos D. Sebastião que foram descobertos e mortos. Entre eles, conta-se Mateus Álvares, filho de um pedreiro da Praia. Depois de ter entrado como noviço no convento de S. Miguel, junto de Óbidos, passou ao da Cortiça, perto e Sintra, para surgir, depois, como eremita na Ericeira. O facto de ser parecido com D. Sebastião levou-o a assumir-se como tal. À medida que foi crescendo o apoio popular, tomou algumas medidas próprias do novo estatuto: nomeou um apoiante, um tal Pedro Afonso, conde de Monsanto, senhor da Ericeira e governador de Lisboa; a filha de Pedro Afonso foi coroada rainha e o representante do poder espanhol foi intimado a abandonar o Reino em nome de Mateus Álvares. Mas o seu «reinado» durou pouco tempo. Foi preso em Junho de 1585, torturado e enforcado. A cabeça esteve exposta um mês no pelourinho e o corpo, esquartejado, foi distribuído pelas portas de Lisboa. Carlos Enes (Fev.1998)
Bibl. Antas, M. (1866), Les faux D. Sebastião, Paris, Typ. et Lith. Resson et Mauld.
