alismatáceas
Família das Monocotiledóneas, baseada no nome genérico Alisma, constituída por ervas aquáticas ou anfíbias, geralmente perenes, de folhas alternas ou basais, de pecíolo provido de bainha na base, de flores actinomorfas, geralmente hermafroditas, bracteoladas e verticiladas em umbelas, cachos ou panículas, de perianto duplo com 3 sépalas e 3 pétalas alternissépalas, estas geralmente mais longas que aquelas, livres, de 3 a numerosos carpelos em disposição espiralada ou verticilada, livres ou unidos na base, de frutos múltiplos de aquénios, drupas ou folículos.
Desta família ocorrem nos Açores três espécies: Sagittaria subulata, Baldellia ranunculoides e Alisma lanceolatum.
Sagittaria subulata é constituída por ervas perenes, rizomatosas estolhosas e monóicas, de caules erectos até 30 cm longos, de folhas alternas, muito variáveis, sendo a maior parte linear e cilíndricas, a parte submersa ovado-oblongas, raramente terminal numa lâmina flutuante elíptica a ovado-oblonga, de flores 1 a 3 verticilos, de pedicelos espessos das flores femininas, tornando-se recurvados na frutificação, de pétalas brancas, de fruto múltiplo de aquénios, estes obovados e costado-alados com rostro apical, curto e erecto. Foi encontrada pela primeira vez nos Açores por Simon (1980), junto à lagoa do Ginjal, na ilha Terceira. Dandy (Tutin et al., 1980) diz que esta espécie é cultivada como ornamental e que, escapando à cultura, se terá estabelecido no sul da Inglaterra.
Baldellia ranunculoides é caracterizada por ervas perenes, de caules curtos emitindo uma roseta de folhas e um ou mais escapos floríferos erectos a ascendentes, por vezes com ramos alongados folhosos, ou estolhosos, onde se formam rosetas de folhas com flores axilares, de folhas lanceoladas ou linear-lanceoladas no ápice e na base, gradualmente decorrentes num pecíolo comprido, de pétalas brancas ou rosadas, de fruto múltiplo de aquénios, estes obovados longitudinalmente 5-costados e com rostro apical e curto. Até agora tem sido encontrada nas proximidades da lagoa da Achada, na ilha Terceira, tendo sido citada pela primeira vez por Cedercreutz (1941). Foram observados alguns indivíduos em solos arenosos, encharcados durante os meses de Inverno, fazendo parte de pastagens naturais, bastante degradadas, próximo da Achada na estrada Angra do Heroísmo-Praia da Vitória.
Alisma lanceolatum caracteriza-se por ervas perenes, escaposas, glabras, até 150 cm longas e erectas, de folhas aéreas lanceoladas a elípticas, atenuadas na base e agudas no ápice e longamente pecioladas, de umbelas dispostas em tirso, de pétalas rosadas, de fruto múltiplo de aquénios, estes obovados e papilosos. Aparece em solos areno-argilosos, encharcados de Inverno, em charcos permanentes ou nas margens das ribeiras. Ocorre nas ilhas de S. Jorge, da Graciosa, da Terceira e de Santa Maria. Encontra-se também em Portugal, na Madeira e nas Canárias. Distribui-se em quase toda a Europa, África nordocidental. Esta espécie foi encontrada, pela primeira vez, nos Açores por Godman (Watson, 1870) na ilha de Santa Maria. Mais tarde Palhinha (1966) indica-a para a ilha de S. Jorge e Franco e Rocha Afonso (1994) referem-na para as ilhas Graciosa e Terceira. José Ormonde (Mai.1996)
Bibl. Cedercreutz, C. (1941), Beitrag zur kenntenis der Gefässpflanzen auf den Azoren. Commentationes Biologicae Societas Scientiaram Fenuicae, 8, 6: 1-29. Franco, J. A. e Rocha-Afonso, M. L. (1994), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. III, 5: Alismataceae-Iridacea. Lisboa, Liv. Escolar Ed. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo de Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves. Simon, C. (1980), Some additions to Flora Europaea. Bauhinia, 7, 1: 27-29. Watson, H. C. (1870), Botany of the
