alguidar
Do árabe al-giDa#r designa uma característica forma cerâmica, troncocónica, de base plana, parede arqueada e bordo de aba larga e derrubada. Tendo em conta a sua utilização, o alguidar pode ser considerado como uma forma tipológica ligada à preparação dos alimentos, à lavagem da louça ou ao serviço de mesa. Nas Festas do Espírito Santo é nos alguidares que é amassado o pão de água, o pão de mesa, o pão doce ou o pão leve, e é num alguidar de formato mais pequeno que vai à mesa a alcatra servida durante a função (alguidar de alcatra). Era executado nas olarias de Vila Franca do Campo com o barro que vinha em bolas da ilha de Santa Maria, transportado em navios de cabotagem, conhecidos por barcos da Vila. A tradição destas olarias remonta ao século xvi e a sua produção era denominada no mercado por louça da Vila. O alguidar era modelado na roda, decorado com um ligeiro sulco ondeado, seco ao ar livre durante cerca de um mês e depois pintado com almagre. Uma semana depois era brunido com um seixo até atingir a velatura do vidrado, trabalho esse executado apenas por mulheres. Só depois deste acabamento dava entrada no forno. Elizabeth Cabral (Fev.1998)
Bibl. Martins, F. E. O. (1985), Festas Populares dos Açores. Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais. Santos, J. M. (1989), Os Açores nos séculos XV e XVI. [Angra do Heroísmo], Direcção Regional dos Assuntos Culturais / Secretaria Regional da Educação e Cultura, I.
