algar

Cavidade subterrânea, mais ou menos profunda, com desenvolvimento vertical e que comunica com a superfície por intermédio de uma abertura. Os algares vulcânicos, por seu turno, correspondem na sua maioria a antigas condutas que foram completamente esvaziadas de lava (Nunes, no prelo) e em que a abertura do topo corresponde à boca eruptiva. Distinguem-se assim das cavidades subterrâneas de origem vulcânica com desenvolvimento horizontal e que resultam da movimentação das escoadas lávicas.

Para além da origem atrás referida, os algares vulcânicos podem ainda estar relacionados com (Lainez et al., 1994): a fusão de tubos lávicos sobrepostos, o escape de gases vulcânicos e a retracção de lavas. Certos algares das regiões vulcânicas têm origem em processos que não são tipicamente vulcânicos, como é o caso: 1) da acção erosiva de águas de escorrência superficiais; 2) da separação de grandes blocos na proximidade de escarpas; e 3) de fendas abertas por acções tectónicas. Estão neste último caso as fendas existentes no doma do pico Queimado. Ver Algar do Pico Queimado). João Carlos Nunes (Jan.1996 

algar Adérito Freitas Situado na zona do pico Matias Simão (freguesia dos Altares, Terceira), desapareceu em consequência do sismo que abalou a ilha Terceira em 1.1.1980. Tratava-se de uma fenda provocada por um sismo, não havendo registos da sua antiguidade. Embora haja documentação que mencione a existência deste algar (Borges et al., 1994), não se conhece qualquer descrição do mesmo. algar da Ampulheta Também conhecido por Algar do Caixeiro (Garcia, com. pess.), tem a profundidade aproximada de 70 m e situa-se na cratera no cabeço de Manuel João (Creação Velha, Pico). Deve-se o actual nome à sua configuração (Pingo de Lava, 1993b). No fundo encontram-se grandes rochas, consequência de desabamentos, não se sabendo se existiria um tubo de lava associado (Garcia, com. pess.). F. Pereira e P. Borges (Nov.1995)

algar da Batalha Situado sobre uma falha activa da ilha de S. Miguel com direcção NO-SE (Nunes e Braga, 1992), num terreno de pastagem, a este dos picos de Lima, apresenta uma abertura com cerca de 1 m de diâmetro, de rebordo saliente e anelar.

Segundo Constância et al. (1994), este algar permite o acesso a duas cavidades sobrepostas, a primeira das quais constitui um verdadeiro tubo lávico, com desenvolvimento em V e três prolongamentos numa das extremidades. A outra cavidade, situada num nível inferior, é extremamente inclinada e termina, de ambos os lados, em amontoados de pedras caídas.

O modelado da região, e uma nota escrita por Ataíde (1951), levam a concluir que deverão existir, nesta zona, outras cavidades vulcânicas. Aquele autor refere: «No entanto, ocorre ainda com persistência esta versão, que há bastantes anos, por 1909, me levou a ir explorar um algar dessa região, onde diziam existirem algumas armas, ao qual desci com alguns amigos com certa dificuldade. Esses salões subterrâneos estavam pejados de ossadas de animais e de corujas vivas, mas nem um vestígio de armas encontrámos para amostra.» João Paulo Constância (Nov.1995) 

algar da Canada do Laranjo Situa-se na Canada do Laranjo (freguesia dos Altares, Terceira). Trata-se de um pequeno mas interessante *algar vulcânico. Tem 5 m de altura, terminando num pequeno tubo de lava com cerca de 10 m de comprimento por 2 m de largura, sendo uma chaminé de escape de gases, ou seja, um hornito (Maria et al., 1992). Foi pela primeira vez explorado a 31 de Dezembro de 1991 por uma equipa de «Os Montanheiros». F. Pereira e P. Borges (Mai.1996) 

algar da Furna Abrigo Situado na ilha do Pico, costumavam pernoitar junto dele, na Furna Abrigo, todos aqueles que, percorrendo o caminho do baldio da Madalena, pretendiam atingir o topo da grande montanha, pela madrugada. Segundo Arruda (1973), trata-se de uma algar com 39 m de profundidade, instalado em lavas do tipo encordoado. À profundidade de 30 m a cavidade estreita-se, originando uma plataforma ligeiramente inclinada que dá passagem a uma sala, com 13 m de comprimento e 10 m de largura, de tecto abobadado e fundo pavimentado com fragmentos lávicos, caídos da superfície pela abertura. Do tecto pendem numerosos pingos de lava, alguns de grandes dimensões, de concentração maior no seu sector leste. Estes pingos e os escorrimentos de lava existentes nas paredes indiciam que a sua formação esteja relacionada com a descida do magma na chaminé. Luís M. Arruda (Fev.1996)

algar da Ribeirinha Localizado na freguesia da Ribeirinha, concelho da Ribeira Grande, ilha de S. Miguel, junto a um cone de escórias vulcânicas muito alteradas denominado Pico da Multa, numa zona onde há evidências históricas e geológicas da existência de outras cavidades vulcânicas.

Segundo Nunes e Braga (1992), apresenta uma abertura com cerca de 8 m de diâmetro, que dá acesso a um túnel de reduzidas dimensões, 10 m abaixo do nível do solo. A formação desta estrutura geológica está relacionada com o esvaziamento de uma fissura, na fase terminal da erupção. A ampla abertura deve-se, em grande parte, ao abatimento de partes do tecto (Constância et al., 1994). João Paulo Constância (Nov.1995) 

algar das Bocas de Fogo também conhecido por Santo Amaro. Está situado na freguesia do mesmo nome (Velas, S. Jorge). Trata-se, de facto, de um algar com três aberturas, as quais dão acesso, no seu término, a uma sala de cerca de 30 x 50 m (Borges et al., 1992). A entrada para este algar é feita através da sua «boca» maior com um desnível aproximado de 40 m. A abertura mais pequena, e que se situa na zona mais alta desta sala, conta com uma vertical livre de 120 m. Nesta sala encontra-se grande quantidade de materiais que se desmoronaram das abóbodas e paredes e houve a introdução de lixo. Na parede do lado sul encontram-se inúmeras formações de gesso (Pingo de Lava, 1993a). Um dos aspectos mais interessantes desta cavidade é a presença de uma espécie de escaravelho Trechus jorgensis (Insecta, Coleoptera, Carabidae), adaptada ao meio cavernícola, da qual se conhece um exemplar fêmea (Borges e Oromí, 1991 e 1994). P. Borges e F. Pereira (Nov.1995)

algar do Alto do Morais Situado na ilha do Pico, a uma altitude de 1015 m, tem as coordenadas, aproximadas, de M = 4260,5 m e P = 375,525 m. Segundo Arruda (1973), o início deste algar parece corresponder ao interior de um hornito, pelo menos desde a entrada até à profundidade de 10 m. Seguem-se, então, duas cavidades (a inferior de dimensões muito superiores à primeira), que se identificam com o vazio deixado pela retracção da coluna de lava dentro da chaminé. A base da cavidade maior, que corresponde ao fundo do algar, com 12 x 30 m, encontra-se coberta por depósitos vindos de cima e dela divergem três corredores, dois deles com 30 m e 35 m de extensão. Luís M. Arruda (Fev.1996)

algar do Biscoitinho Fenda de origem desconhecida, situada na Canada da Fonte (freguesia da Serreta, Terceira). Possui cerca de 8 m de profundidade, terminando numa sala com 10 x 4 m de largura (Borges et al., 1994). algar do Cabeço Bravo Situa-se na Creação Velha (Madalena, Pico). Com os seus 28 m de profundidade e cerca de 300 m de comprimento em tubo de lava, tem a sua parte terminal obstruída por um desabamento (Pingo de Lava, 1995). Terá sido o derrame lávico desta chaminé que deu origem à maior gruta até hoje descoberta nos Açores, a Gruta das Torres. Encontram-se no interior deste algar/gruta formações de gesso idênticas às do *algar das Bocas de Fogo, na ilha de S. Jorge. Foi explorado pela primeira vez durante a expedição de «Os Montanheiros» ARCOSPEL-91 (Pingo de Lava, 1991b) e, posteriormente, alvo de nova visita em Janeiro de 1995. F. Pereira e P. Borges (Nov.1995) 

algar do Cabeço da Negra Situa-se no Campo Raso (Candelária, Pico). Tem 15 m de profundidade (Pingo de Lava, 1991b) e desconhece-se o comprimento do tubo de lava existente no seu interior. F. Pereira (Nov.1995)

algar do Canadão Pela sua configuração resultou, possivelmente, de um abatimento do terreno. Abertura de pouco interesse, tem 5 m de profundidade, terminando numa sala de 4 x 5 m. Situa-se na serra de Santa Bárbara (Terceira) e foi pela primeira vez explorado em 12 de Abril de 1992, por uma equipa de «Os Montanheiros» (Maria e Pereira, 1992). algar do Capitão Situa-se no Mistério de Santa Luzia (Pico). É também conhecido por algar do Tambor 3, por ser a terceira boca a contar do *algar do Tambor, com o qual não tem ligação (Garcia, com. pess.). Possui cerca de 6 m de profundidade, dando acesso a dois tubos de lava interligados com o comprimento aproximado de 200 m (Borges et al., 1993). F. Pereira e P. Borges (Nov.1995) 

algar do Carvão Situado no extremo NW da freguesia do Porto Judeu, concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, encontra-se o pico do Carvão (639 m de altitude), onde se situa a chaminé de um vulcão tipo «stromboliano». Na sua última fase de actividade terá ocorrido uma descida do magma, deixando no seu interior um vazio com cerca de 90 m de profundidade, conhecido por algar do Carvão. A origem do nome provém do pico onde esta chaminé está localizada - pico do Carvão -, que terá este nome devido à utilização da madeira que o cobria para fabrico de carvão.

Nos finais do século xix, o algar do carvão era referenciado como um lugar tenebroso que engolia animais e apavorava os pastores. Em Janeiro de 1893, um grupo de cidadãos angrenses resolveu iniciar a sua exploração, mas só Cândido Corvelo se aventurou na descida. Não conseguiu chegar ao fundo e recolheu, apenas, alguns pedaços de «pedra branca da abóbada cristalizada». No ano de 1907, outros cidadãos angrenses desceram mais alguns metros, mas foi só em 1934 que se atingiu o fundo e a lagoa. Esta proeza coube a Guilherme Ramalho, chefe dos escuteiros. Os jornais falaram, então, da importância científica da descoberta e da inevitável utilização turística. Contudo, a exploração sistemática do algar só foi iniciada no princípio de 1963, por membros da Sociedade de Exploração Espeleológica «Os Montanheiros». Mais tarde, em 1965, iniciou-se a abertura de um túnel, com 44 m de comprimento, que deu acesso ao seu interior, tendo sido as primeiras escadas construídas em madeira. Nos finais dos anos 70 é iniciada a construção definitiva de escadarias (em betão). Actualmente, este algar é explorado turisticamente por «Os Montanheiros».

As paredes mais altas são constituídas basicamente por pré-traquítico, sendo as paredes mais profundas de andesito. A rocha compacta das paredes interiores encontra-se com inúmeras fissuras, admitindo a passagem de água, que se infiltra através das cinzas e das escórias vulcânicas que as compõem. Nesta passagem, a água dissolve os componentes ali existentes, depositando-os nas paredes, tomando a forma de estalactites e estalagmites compostas principalmente por sílica (Pingo de Lava, 1991a). Na zona mais baixa do algar forma-se uma lagoa de água potável, que na sua parte mais funda atinge cerca de 15 m com uma superfície média de 400 m2. Em anos pouco pluviosos esta lagoa chega a secar por completo, deixando ver no seu leito uma zona coberta por formações de sílica, sendo algumas delas oxidadas, ficando com cor negra; estas formações, ao serem «descascadas», apresentam um brilho nacarado, devido à sua vitrificação, ou seja, opalização, tomando por vezes a forma de pérolas que se denominam «pérolas de caverna». Nesta lagoa foi também encontrada uma pedra com cerca de 70 kg, onde jazia perfeitamente conservada e coberta por sílica uma ave marinha, presentemente depositada no Museu de «Os Montanheiros». Algumas das paredes estão recobertas por obsidiana ou «vidro vulcânico», como é vulgarmente conhecida, e por escorrimentos de limonite. Existem ainda, em várias zonas, estalactites de lava com cerca de 70 cm, largas e espalmadas, conhecidas por «espadas» (Pingo de Lava, 1991a).

A chaminé deste algar e toda a zona onde a luz solar consegue penetrar está coberta de plantas vasculares e briófitos, muitos deles endémicos ou raros (Gabriel e Dias, 1994). Nesta cavidade é também conhecida a espécie de escaravelho Trechus terceiranus (Insecta, Coleoptera, Carabidae) perfeitamente adaptada ao meio cavernícola, tanto na zona de penumbra como na zona de escuridão (Borges e Oromí, 1991 e 1994).

Esta é uma cavidade vulcânica considerada de grande interesse patrimonial, e necessita de uma permanente gestão no sentido de evitar quaisquer tipos de danos (Borges et al., 1992 e 1993). A. Silva, F. Pereira e P. Borges (Nov.1995) 

algar do Chambre Situado perto da rocha do Chama ou do Chambre (Terceira), trata-se de um antigo resfolgadouro vulcânico que deixou uma abertura com cerca de 17 m de profundidade, terminando numa pequena sala com cerca de 9 m de largura por 3 m de comprimento, onde se encontra um pequeno lago. F. Pereira (Nov.1995) 

algar do Funil O nome deve-se ao facto de ter a forma de um funil invertido. Trata-se de um cone vulcânico de pequenas dimensões próximo do pico das Caldeirinhas (Terceira). Com um corte vertical de cerca de 22 m, termina numa pequena sala com 11 x 20 m (Borges et al., 1994). A entrada está coberta de vegetação. F. Pereira e P. Borges (Nov.1995) 

algar do Lanchão Situa-se nas Bandeiras, no Mistério de Santa Luzia (Pico). Tem a profundidade aproximada de 6 m e o comprimento de 40 m, em tubo de lava. Trata-se de um algar provocado pelo abatimento do tecto de uma pequena gruta havendo no seu interior várias emanações de lava (Garcia, com. pess.). É também conhecido por algar do Cadete, algar do Ti Alfredo ou algar do José da Amélia (Garcia, com. pess). F. Pereira (Nov.1995) 

algar do Mistério Com 12 m de profundidade e ligando a um tubo lávico com 151 m de comprimento, este algar encontra-se localizado numa pequena elevação próxima da lagoa do Negro (Terceira) (Borges et al., 1994). A passagem do algar para o tubo de lava é feita por uma pequena abertura com 60 cm, a qual faz um desnível de 1 m para o interior. Este tubo, sem ramais laterais, é quase todo de 4 a 5 m de altura, sendo os últimos 15 m com a altura de 1 m, terminando numa pequena passagem de 20 cm de altura. A sua largura mínima é de 0,5 m por 2,4 m de largura máxima. A lava é do tipo *aa, não existindo formações de particular interesse. De realçar, ainda, a presença de algumas fendas. F. Pereira e P. Borges (Nov.1995) 

algar do Montoso Situa-se na cratera do pico do Carvão (S. Jorge) e não no pico do Montoso, como por erro de toponímia poderia julgar-se. Trata-se de um algar de grandes dimensões (Borges et al., 1992). A descida faz-se por uma chaminé com 80 m de profundidade, sem quaisquer formações no percurso, encontrando-se, apenas, lava «esmaltada». Desemboca-se numa sala de 40 x 40 m. A cerca de 40 m desta sala, e para o lado norte, passando por um corredor com cerca de 5 m de largura, encontra-se outra boca na vertical com 40 m de profundidade, aproximadamente, dando para uma sala de grandes dimensões (150 x 50 m). Em certos pontos desta sala encontram-se desmoronamentos de grandes rochas, algumas com mais de 4 m de altura por 5 m de diâmetro. Na sua parte mais funda forma-se uma pequena lagoa. Existe uma terceira boca, de menores dimensões (-20 m), que faz lembrar um hornito, e que pela sua posição terá tido ligação a estas duas bocas atrás descritas, encontrando-se hoje obstruída. P. Borges, A. Silva e F. Pereira (Nov.1995) 

algar do Negro Com 5,5 m de profundidade, termina numa sala com cerca de 16 m de comprimento por 8 m de largura, e fica situado perto da lagoa do Negro (Terceira) (Borges et al., 1994). Trata-se do abatimento do tecto de um tubo vulcânico de pequenas dimensões. F. Pereira e P. Borges (Nov.1995) 

algar do pico Alto Com cerca de 50 m de profundidade, termina numa sala com cerca de 8 m de comprimento por 5 m de largura, originado em consequência de um sismo. Está situado, aproximadamente, a 20 m do cimo do Pico Alto, freguesia da Agualva e concelho da Praia da Vitória (Terceira). F. Pereira (Nov.1995) 

algar do pico das Dez Está situado perto do Pico das Dez (freguesia de Santa Bárbara, Terceira) numa pastagem entre a ribeira das Dez e a ribeira das Nove, tendo sido localizado, em Março de 1991, por uma equipa de «Os Montanheiros». Tem cerca de 20 m de profundidade, terminando num tubo de lava com cerca de 60 m de comprimento, com largura mínima de 1 m e máxima de 4,5 m, e altura entre 0,3 e 3,5 m (Borges et al., 1994). Todo o chão do tubo é de lava do tipo *aa, sendo o tecto revestido por estalactites de refusão. algar do pico Gaspar I Situa-se no pico Gaspar (Terceira). Com 12 m de profundidade, termina numa sala com 8,5 m de comprimento por 2,5 m de largura (Borges et al., 1994). Não tem formações de particular relevância. algar do pico Gaspar II Situa-se perto do pico Gaspar (Terceira). A descida faz-se por uma rampa íngreme com 11 m, onde se encontra uma pequena fenda, indicando as formações existentes nas paredes, que terá sido uma saída de gases. Entrando por esta fenda, com cerca de 2 m, encontra-se outro pequeno algar, com 9 m de profundidade, terminando numa sala com 3,5 m de comprimento e 65 cm de altura. Passando este segundo algar, a fenda continua para um novo algar ainda não explorado. F. Pereira e P. Borges (Nov.1995) 

algar do pico Maria Pires Julga-se que este algar nunca tenha existido. Após ter sido feita pesquisa bibliográfica (cf. Forjaz, 1975) e de campo (Expedição de «Os Montanheiros» à ilha de S. Jorge em 1994), chegou-se à conclusão de que houve uma troca de toponímia. Assim, pela sua descrição, o conjunto espeleológico indicado deve corresponder ao *algar das Bocas de Fogo. F. Pereira (Nov.1995) 

algar do pico Queimado Situado na ilha de S. Miguel, num spatter cone adventício ao pico Queimado, este algar tem cerca de 37 m de altura e corresponde a uma antiga conduta vulcânica, tendo sido, muito provavelmente, um centro emissor da erupção ocorrida em 1563, no então chamado pico do Sapateiro (Constância et al., 1994). As paredes deste algar são constituídas por uma rocha de tonalidade esbranquiçada, mais antiga, denominada traquito, revestida por lava basáltica, de cor escura. A SE do algar existe uma fenda de grandes dimensões, aberta no doma traquítico do pico Queimado, resultante dos intensos esforços tectónicos ocorridos durante a erupção de 1563 (Nunes e Braga, 1992). Teófilo Soares de Braga (Nov.1995) 

algar dos Suspiros I Embora conhecendo-se a localização exacta deste algar, na ilha de S. Jorge (pico dos Suspiros) (cf. Borges et al., 1993), não se conhecem quaisquer referências sobre a origem e profundidade do mesmo. Também não se sabe se tem comunicação com o *algar dos Suspiros II. algar dos Suspiros II Embora conhecendo-se a localização exacta deste algar, na ilha de S. Jorge (pico dos Suspiros) (cf. Borges et al., 1993), não se conhecem quaisquer referências sobre a origem e profundidade do mesmo. Também não se sabe se tem comunicação com o *algar dos Suspiros I. algar do Tambor Situado nas Bandeiras (Pico), este algar possui duas entradas. Estando a de mais fácil acesso obstruída por uma grande rocha, a entrada é feita por uma chaminé com cerca de 31 m de profundidade situada no Cabeço do Tambor (Pingo de Lava, 1991b). O algar termina numa rampa de acentuada inclinação, contendo uma sala formada por alguns desmoronamentos das paredes que a constituem, tendo 97 m de comprimento com larguras entre os 1,2 m mínima e 7,4 m máxima, sendo as alturas de 1 m mínima e 3,5 m máxima. Existe no tecto desta sala um cone fechado que terá, possivelmente, sido originado por lava ascendente. P. Borges e F. Pereira (Nov.1995) 

algar do Vale da Nogueira Pouco conhecido, situa-se no final da Canada das Quintas (Pico) (Garcia, com. pess.). Sabe-se apenas que deverá ter, aproximadamente, 4 a 5 m de profundidade, desconhecendo-se quaisquer outras informações sobre o seu interior. F. Pereira (Nov.1995) 

algar José Bensaúde Gruta vulcânica, impropriamente designada por algar, cuja designação advém do facto de ter sido descoberta aquando da abertura de uma vala na zona sul da Rua Dr. José Bensaúde, junto ao cruzamento com a Rua Dr. Teófilo Braga, na cidade de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel. De acordo com uma notícia publicada no jornal Correio dos Açores, em 19.2.1970, trata-se de um tubo lávico de extensão desconhecida, provavelmente comunicando com o mar. Com efeito, o chão da gruta encontra-se coberto de água, cujo nível varia, acompanhando as marés. O levantamento topográfico existente na Câmara Municipal de Ponta Delgada revela uma cavidade com 30 m de comprimento e uma tecto abobadado com cerca de 8 m de altura. Pela sua localização e características geológicas da região envolvente, é possível que esta gruta esteja relacionada com a Gruta do Carvão, da qual poderá ser um troço ou ter tido a sua génese em escodas lávicas da mesma erupção. Teófilo Soares de Braga (Jan.1996)

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