alepocefalídeos
Nome dado aos peixes da família Alepocephalidae que inclui várias espécies de que não são conhecidos nomes vulgares em português. Na literatura de língua inglesa são conhecidos por smoth-heads ou slickheads. Estes peixes que ocorrem em águas profundas, principalmente abaixo dos 1000 m, são de hábito bêntico ou pelágico, abundantes, localmente, em número e em espécies, mas ainda sem interesse para a pesca.
Para o mar dos Açores estão assinaladas as espécies:
(a) Alepocephalus agassizii, gregária, que vive sobre fundos de areia e argila, entre os 600 e os 2400 m; foi registada por Krefft (1985) com base em material capturado a 42° 59,6N-28° 38,5W;
(b) Alepocephalus australis, que vive poucos metros acima do fundo, entre cerca de 1000 m e 2600 m de profundidade; foi registada por Murray e Hjort (1912) como Bathytroctes rostratus;
(c) Alepocephalus rostratus, que vive poucos metros acima de fundos móveis, entre 300 e 3600 m, mais frequentemente entre 300 e 1600 m; foi registada por Vaillant (1888);
(d) Bajacalifornia megalops, que vive, possivelmente, poucos metros acima do fundo, entre 800 e 1400 m; foi registada por Markle e Krefft (1985) a partir de material colhido a norte dos Açores, aproximadamente a 49° N-27 W;
(e) Bellocia koefoedi, que vive poucos metros acima do fundo, muito comum entre 2800 e 3300 m, mas podendo ocorrer até cerca de 5800 m; o holótipo desta espécie foi colhido próximo dos Açores (34° 59 N-33° 01 W) e descrito por Parr (1951);
(f) Conocara fiolenti, de que, segundo Markle e Quéro (1984), são conhecidos dois exemplares colhidos, por A. A. Glukhov (PINRO, Murmansk), nas coordenadas 40° 03 N-27° 11 W;
(g) Conocara macroptera, que vive poucos metros acima do fundo, entre os 800 e os 2200 m, geralmente entre 1200 e 1800 m; foi registada por Vaillant (1888) como Bathytroctes attritus;
(h) Conocara murrayi, que vive poucos metros acima do fundo, entre 1200 e 2600 m, geralmente abaixo dos 2000 m; foi registada por Krefft (1985) referindo material capturado a 42° 59,6 N-28° 38,5 W;
(i) Einara edentula, mesopelágica que ocorre em redes pescando entre 700 e 1200 m; foi registada por Geistdoerfer et al. (1970) como Torictus atlanticus;
(j) Einara macrolepis, mesopelágica, capturada com frequência por redes operando entre 1300 e 2000 m; foi registada por Krefft (1985) com base em material capturado pela Sargasso Expedition 79 nas coordenadas 35° 24 N-32° 01 W;
(k) Herwigia kreffti, batipelágica, entre 1600 e 2700 m; segundo Markle e Quéro (1984) são conhecidos registos dispersos a norte dos Açores até cerca de 53° N;
(l) Leptoderma sp, que vive poucos metros acima do fundo, entre 950 e 2300 m; segundo Markle e Quéro (1984), é conhecida apenas da região dos Açores no nordeste do Atlântico;
(m) Photostylus pycnopterus, batipelágica entre 1000 e 2000 m, associada com declives íngremes, é capturada raramente; foi registada por Krefft (1976);
(n) Rinoctes nasutus, frequente localmente, algo gregária; vivendo, provavelmente, poucos metros acima dos fundos abissais, entre 2000 e 4156 m, principalmente abaixo dos 3650 m; foi registada por Koefoed (1927) com base num exemplar, o holótipo, capturado ao largo dos Açores (34° 59 N-33° 01 W);
(o) Rouleina attrita, que vive poucos metros acima do fundo, principalmente entre 1400 e 2100 m; foi registada por Vaillant (1919) como Bathytroctes attritus;
(p) Rouleina maderensis, que vive poucos metros acima do fundo, principalmente entre 600 e 1200 m; foi registada por Markle (1978);
(q) Talismania mekistonema, que vive poucos metros acima do fundo, principalmente entre 600 e 1500 m; segundo Markle e Quéro (1984), é conhecido um único registo, nos Açores, para o nordeste do Atlântico;
(r) Xenodermichthys copei, mesopelágica, entre 100 e 1000 m; foi registada por Collet (1896) como X. socialis.
Os peixes desta família têm a morfologia externa diversificada. O corpo é algo comprimido, como em A. agassizi e A. rostratus, em forma de enguia, como em Leptoderma sp., ou alongado a moderadamente alto, como em C. macroptera e C. murrayi. A cabeça e os olhos são, por vezes, grandes como em R. attrita e X. copei, respectivamente. A barbatana dorsal está colocada bastante atrás sobre o corpo, sem raios espinhosos; a barbatana peitoral é muitas vezes pequena ou reduzida; as barbatanas pélvicas ocorrem a meio do corpo, como em A. agassizii e C. macroptera, ou mais atrás, como em B. koefoedi, e são, muitas vezes, pequenas; a barbatana anal é semelhante à barbatana dorsal; a barbatana caudal tem forma de forquilha. Podem ocorrer órgãos luminosos nalgumas espécies (por exemplo, P. pycnopterus e X. copei). As escamas, quando presentes, como em T. mekistonema, são do tipo ciclóide, mas estão, geralmente, ausentes sobre a cabeça. Luís M. Arruda (Mai.1996)
Bibl. Collett, R. (1896), Poissons provenant des campagnes du yacht lHirondelle (1885-1888). Resultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I Prince souveran de Monaco, 10. Geistdoerfer, P., Hureau, J. C. e Rannou, M. (1970), Deux poissons abissaux nouveaux capturés dans lAtlantique nord et est: Bathytyphlops azorensis n. sp. (Ipnopidae) et Lycenchelys labradorensis n. sp. (Zoarcidae). Bulletin du Museum dHistoire naturelle de Paris (2), 42, 3: 452-459. Koefoed, E. (1927), Fishes from the Sea-Bottom. Reports on the Scientific Results of the Michael Sars Deep-Sea Expedition 1910, 4, 1. Krefft, G. (1976), Distribution patterns of oceanic fishes in the
