Alemanha, relações com a
IDADE MODERNA Para muitos historiadores e eruditos alemães, a ilha do Faial foi, supostamente, descoberta por um compatriota. A primeira menção feita neste sentido é da autoria de um professor da Universidade de Altdorf, Johann Christian Wagenseil (1633-1705) que, num discurso datado de 1681, defende que o descobrimento de algumas ilhas no Atlântico - como aliás o do continente americano - foi obra de um só homem: Martin Behaim. De escassa documentação, esta tese meramente especulativa, contudo, enraizou-se na historiografia germânica até ao século xx. Behaim, oriundo de uma família de mercadores da cidade de Nuremberga, foi o exímio mareante de irrefutáveis conhecimentos de geografia e astronomia que chegou antes de Colombo à América ou que, pelo menos, indicou o caminho para este Novo Mundo, sendo assim durante os séculos xviii e xix considerado o «Colombo de Nuremberga». Nos finais do século xix, aquando das comemorações dos 400 anos da descoberta da América, o renomeado cartógrafo e historiador Konrad Kretschmer refutou terminantemente as conclusões de Johann Christian Wagenseil; e, alguns anos depois, Ernest George Ravenstein impugnou irrevogavelmente, numa monografia dedicada a Martin Behaim, as deduções espúrias do erudito alemão.
Tendo vindo para Portugal por volta de 1484, certamente já atraído pelas actividades marítimas dos portugueses, Martin Behaim associou o seu nome ao movimento expansionista português, quer na orientação de um globo que se veio a concluir na sua cidade natal em 1492, quer na recolha de informações que fez junto de navegadores portugueses, como se pode testemunhar na relação que redigiu sobre o que ouviu do mareante Diogo Gomes, relação esta que o alemão da Morávia, Valentim Fernandes, compilou no seu célebre Manuscrito. Mencionando a sua participação em viagens portuguesas, alguns historiadores conferem-lhe ainda uma valiosa colaboração no desenvolvimento da navegação e náutica portuguesas. Advoga-se, assim, seguindo as afirmações de João de Barros, que Behaim foi discípulo do matemático e astrónomo alemão Regiomontanus (século xv), tendo, por conseguinte, trabalhado com os mestres Rodrigo e José Vizinho na preparação do Regimento do Sol e na determinação de latitudes, bem como nas correspondentes tábuas de declinações solares.
O seu nome ficou ainda ligado ao arquipélago dos Açores não só pelo seu casamento com D. Joana de Macedo, filha de D. Brites de Macedo e do capitão do donatário das ilhas do Faial e do Pico, o flamengo Jos de Hurtere - nome grafado de diversas formas (Utra, Dutra) -, mas também porque foi nas ilhas do arquipélago que viu as «canas que a tormenta lança da praia do Oriente às praias das ilhas dos Açores», como alude Jerónimo Münzer na carta que escreveu a D. João II em nome do imperador Maximiliano. Tendo notícias da actividade descobridora portuguesa, o erudito alemão intentou convidar o monarca português a buscar a terra oriental de Cataio pelo ocidente, procurando convencê-lo de que para ocidente se podiam encontrar outras ilhas, como eram as dos Açores. No elogio que teceu aos mui sábios marinheiros portugueses, Münzer refere ainda o ilustre perito da escola de Alexandria, Martin Behaim, homem capaz de dirigir esta longa viagem a partir do arquipélago açoriano. Behaim, possivelmente interessado na realização de uma viagem em busca de terras via ocidente, como se sabe do seu envolvimento com o projecto de Fernão Dulmo (1486), encontrou algum apoio na Alemanha, nomeadamente no grupo de eruditos de Nuremberga que financiaram a construção do globo, junto do imperador também interessado em estreitar as relações com o Portugal marítimo e, por fim, em Münzer, que, atraído pelas novas notícias de além-mar, chegou a Portugal, por volta de 1494, com mais três mercadores alemães. Esta carta, que não passou despercebida em Portugal, é um valioso testemunho do assaz interesse com que se recebiam, na Europa Central, as notícias das viagens portuguesas.
No globo comummente chamado de Behaim, mas que representa o fruto de um trabalho em conjunto de vários cientistas e humanistas tão empenhados na construção do novo espaço terrestre, encontra-se uma legenda junto às ilhas açorianas, onde se indica que estas foram descobertas no ano 1431, seguindo-se aqui a tradição anotada pelo cronista Gaspar Frutuoso. O texto continua informando que o descobrimento se realizou na regência de D. Pedro. Ora o infante só assumiu a regência do reino a partir de 1438. Mas D. Pedro foi, sem dúvida, um dos primeiros dirigentes a criar uma política oficial de expansão atlântica, incrementando com medidas proteccionistas o povoamento e a prosperidade agrícola, bem como a comercialização económica das ilhas. Na inscrição assinala-se que o povoamento do arquipélago dos Açores - assim denominado dada a grande quantidade de milhafres, a que os portugueses chamariam açores - se deveu, em grande parte, a povoadores de origem flamenga enviados pela condessa de Flandres, a infanta D. Isabel, casada com Filipe, o Bom, da Borgonha. Fala-se em 2000 flamengos que acompanharam o donatário Jos de Hurtere. Já em 1493 o célebre humanista Hartmann Schedel torna pública, na sua Weltchronik, a descoberta de novas ilhas no Atlântico, nomeadamente as de S. Jorge, do Pico e do Faial, referindo-se igualmente à origem flamenga dos povoadores das ilhas.
O renomeado humanista Jerónimo Münzer escreve, no seu Itinerário, que nas ilhas do Faial - onde todos falavam alemão - e do Pico viviam 1500 pessoas de ambos os sexos. Anota também que estas ilhas tinham muitos dragoeiros, com os quais se faziam muitos lucros, muito trigo e gado e que os habitantes apenas pagavam o dízimo à Ordem de Cristo, enquanto o capitão das ilhas nada pagava ao seu proprietário, o duque de Beja, futuro D. Manuel I. Jerónimo Münzer, que na sua estada em Lisboa ficou hospedado em casa do donatário e sogro de Behaim, Jos de Hurtere, fala-nos ainda dos alemães ricos que, radicados em Lisboa, se dedicavam ao comércio de produtos vindos das ilhas, como o açúcar da Madeira, o sangue-de-drago, a urzela e o pastel dos Açores - Carreiro da Costa afirma no seu Esboço Histórico dos Açores que o pastel foi introduzido por Hurtere na ilha do Faial, de onde passou às restantes ilhas. E Lucas Rem, um dos primeiros agentes dos Fugger em Portugal, alude, no seu diário, às viagens de negócios feitas às ilhas açorianas.
Com a navegação de longo curso, os navios vindos da Índia ou do Brasil, dada a posição estratégica das ilhas açorianas, ancoravam nestes portos, que assim se tornaram uma pedra fulcral do comércio português com a costa ocidental africana e com o Oriente. Muito visitadas, as ilhas surpreenderam os mareantes com o furor das suas águas ou a força dos seus vulcões. De tal forma foi pregnante a descrição de temporais nos mares deste arquipélago ou de terramotos ocorridos nas suas ilhas, que uma das mais conhecidas colecções de viagens, a da família De Bry, lhes dedica duas gravuras: uma, em que se representa um terrífico temporal junto à ilha Terceira, e outra, relativa ao terramoto que abalou, em 1591, a ilha de S. Miguel.
O nome do arquipélago dos Açores correu, nos finais do século xvi, na imprensa alemã, aquando da perda da independência de Portugal. O último bastião de resistência organizado por D. António, prior do Crato, nas ilhas açorianas, com vista a salvar a pátria portuguesa do jugo espanhol, foi documentado nas publicações alemãs coevas; decerto mais um interesse em conhecer qual a posição política dos Habsburgo na suserania internacional do que propriamente como aliada de Portugal.
A história das relações com a Alemanha está profundamente determinada pela situação geográfica dos Açores. Já a meio caminho da América, as ilhas açorianas fariam parte dos sonhos construídos em busca de terras orientais em mar ocidental. Concretizadas as quimeras, o arquipélago açoriano adquire uma posição fundamental de ligação entre a Europa, a África, a Ásia e a América, posição esta reconhecida além-Pirenéus. Marília dos Santos Lopes (Jan.1996)
IDADE CONTEMPORÂNEA A importância dos Açores aumentou consideravelmente a partir do século xvi, transformando-se, por vezes, em último reduto das forças que, pelas mais variadas razões, não reconheciam ou pretendiam alterar o status quo estabelecido na capital do Reino. São exemplos paradigmáticos a perda da independência, em 1580, e as lutas liberais, tendo os Açores representado, respectivamente, a derradeira parcela do território português a submeter-se aos espanhóis e o ponto de partida das forças constitucionalistas que visavam o estabelecimento do regime liberal no Reino, factos permitidos também pela sua ultraperificidade, afastamento dos habituais locais de decisão e discreta vigilância da poderosa Royal Navy que, ao sabor das conveniências próprias, permitia a soberania portuguesa sobre o arquipélago, embora em privado se verberasse o atraso em que as ilhas se encontravam, fruto da inépcia dos sucessivos governos nacionais.
Na fase final do século xix, a perda do poder relativo da Inglaterra modificou a situação. A partir de 1898, em particular, o começo da corrida naval anglo-alemã e o reajustamento do sistema de alianças europeu alterou o papel de Portugal e deu uma nova e acrescida importância ao espaço atlântico. Tal facto fez que os Açores se tornassem o elemento principal na relação com a potência marítima e, a partir daí, constituíssem um dos elementos centrais da política externa portuguesa. É que, em grande medida, o equilíbrio de forças no Atlântico foi exercido pela negativa, isto é, o papel de Portugal consistiu essencialmente em impedir que as zonas estratégicas que dominava se transformassem em bases activas dos adversários da Inglaterra.
O fim da preponderância inglesa, a formação do Império Alemão, o fim da guerra civil americana, a modernização do Japão, o despertar dos nacionalismos e o arranque da última fase dos impérios europeus provocaram o começo de uma longa fase de transição do sistema internacional. Entre 1870 e 1900 a Inglaterra perdeu o papel hegemónico. Potências como os Estados Unidos e a Alemanha atingiram o poder económico desta e colocaram-se na vanguarda da inovação tecnológica.
Até à crise de 1896, a Alemanha pouca importância deu ao poder naval. A partir de então, com a consciência de que o império colonial era um refém da Inglaterra, os responsáveis germânicos decidiram transformar-se em potência naval de primeira ordem. Esta corrida foi a principal causa da alteração dos alinhamentos tradicionais das potências europeias. Foi igualmente a alavanca da mudança da inserção de Portugal no sistema internacional. O epicentro das preocupações inglesas localizou-se no Atlântico com o envolvimento dos Açores, a cujo território a Inglaterra pretendeu aplicar o «direito de preferência», o qual se traduziria pela perda da soberania plena de Portugal sobre o arquipélago. E se a Inglaterra não desejasse estabelecer-se nos Açores, obstou a que outras potências o fizessem, com especial relevância para a Alemanha, a qual só teria bases seguras na sua costa. As suas colónias da África Ocidental não tinham bons portos naturais, estavam demasiado longe e eram vulneráveis por terra. Este facto fez que a Alemanha tentasse, por várias vezes, quebrar o cerco do mar do Norte, através da obtenção de um bom porto, que pudesse fortificar, nas Canárias, Marrocos, Cabo Verde ou Açores. Para a Inglaterra, foi primordial impedir que tal acontecesse, pois este corredor era a zona vital por onde passava grande parte do seu comércio vindo do Mediterrâneo e do Cabo.
Uma base naval alemã fortificada nas ilhas portuguesas seria um verdadeiro pesadelo para a Royal Navy, ameaçando as principais rotas do Império. Bastaria um pequeno esquadrão de cruzadores rápidos nos Açores protegidos por minas, torpedeiros e artilharia de costa para alterar toda a estratégia britânica, obrigando à dispersão de forças e ao bloqueio próximo para garantir que as unidades alemãs não saíssem para o oceano.
A importância dos Açores aumentou nestas circunstâncias. Por outro lado, o principal contributo que Portugal podia dar em termos de aliança com a Inglaterra passou a ser a garantia de que as ilhas nunca seriam uma base naval inimiga (leia-se alemã), associada às vantagens relativas que o seu controlo trazia em tempo de paz, essencialmente em termos de depósitos de carvão, estações de rádio e das comunicações por cabo, cuja exclusividade de exploração fora concedida à Inglaterra, país que em 1893 procedeu ao lançamento do primeiro cabo submarino, ligando a Horta a Carcavelos.
Face às pressões das potências de então, que reclamavam para si uma fatia do vital sector das comunicações, a Alemanha obteve, em 1899, permissão para o lançamento de um cabo, o que ocorreu no ano imediato, sendo completado com outro, antes da I Guerra Mundial, em direcção ao Canadá e aos Estados Unidos, com amarração em Emden.
No entanto, a vitória da Alemanha e dos Estados Unidos foi de curto alcance pois, por força das disposições contratuais, os três cabos tinham uma única sede, a denominada Trinity House, propriedade da concessionária inglesa, facto que permitiu a manutenção do ascendente britânico sobre os seus concorrentes, possibilitando-lhe o efectivo controlo dos cabos e a manutenção de uma discreta escuta nestas estações de retransmissão integradas na sua rede. Por outro lado, talvez o ponto mais importante para a Inglaterra no caso dos Açores fosse que, em caso de conflito, seria fácil cortar os cabos alemães e desviá-los em proveito próprio, o que, aliás, se verificou, ao largo dos Açores, a 4.8.1914, escassas três horas após a declaração de beligerância.
Autorizada a Deutsch-Atlantische Telegraphengesellschaft (DAT) a instalar-se nos Açores, iniciou-se uma nova e diferente fase no relacionamento entre o arquipélago e aquele país com a fixação, no Faial, de alguns cidadãos alemães, de sólida formação cívica, cultural e desportiva, cuidadosamente seleccionados, destinados a assegurar o funcionamento da novel instalação cabo-telegráfica e que cedo marcaram a sua indelével presença em todos os segmentos e interesses da sociedade local.
Cortado o cabo alemão por via das vicissitudes da política de então, isto é, em consequência da deflagração da I Grande Guerra, mais uma vez os Açores, epicentro das estratégias militaristas em crescendo, se viram envolvidos em mais um conflito, tornando-se o mar em volta palco de infelizes episódios, os quais, para além do sofrimento causado e de alguns corajosos actos individuais e colectivos, apenas reforçaram o que de antemão já se sabia: a elevada valia geoestratégica do arquipélago e a pretensão do seu domínio e inclusão nas estratégias dos beligerantes. Paralelamente, os cidadãos alemães residentes foram concentrados no castelo de S. João Baptista, na ilha Terceira, para obstar a possíveis actos de favorecimento, por qualquer via, do lado germânico.
Celebrada a ansiada paz, apenas em 1926 a DAT regressou aos Açores para reinstalar o seu cabo submarino e recuperar o seu papel privilegiado no seio da comunidade insular. Paulatinamente, a marinha alemã recuperou o hábito da presença nos Açores, a qual, a partir de 1925, se tornou regular, contando para isso com a preciosa colaboração do consulado alemão, em Ponta Delgada, aí instalado desde finais do século xix. Também entre 1936 e 1938, a Lufthansa teve autorização do governo português para instalar na Horta uma base de navios catapultas, cujos aviões asseguravam ligações aéreas entre a América e a Europa. Ver aviação.
Mal saradas as feridas, novo conflito se desenhou no horizonte, favorecido pela catarse de vindicativo tratado de paz, da crise socioeconómica emergente, do aparecimento e tomada de poder das ideologias nazi e fascista.
Iniciada a II Guerra Mundial, a posse dos Açores resultou imprescindível para as estratégias militares então desenvolvidas, com ameaças de invasão de ambos os lados. De início, foram os submarinos alemães que infestaram o mar dos Açores, tentando cortar o elo vital do abastecimento da Europa livre da dominação do Eixo. Depois, já com a guerra a evoluir favoravelmente para os Aliados, foram estes que exponenciaram a imprescindibilidade do arquipélago para protecção dos comboios de socorro à Europa e trampolim para a futura reconquista do território ocupado pelas forças do Eixo, pretensões a que se acrescentam as dúbias jogadas de bastidores do regime salazarista que, retardando a decisão tentou, por um lado, assegurar a sua continuidade no pós-guerra e, por outro, recuperar a soberania do longínquo e ocupado Timor. Neste contexto, e com o estabelecimento duma base naval inglesa no porto da Horta, mais uma vez os súbditos alemães foram concentrados em S. Miguel e, posteriormente, em 1944, deportados para o Continente, com destino à Alemanha.
Restabelecida a paz, o cordão que umbilicalmente ligava os Açores à Alemanha - o cabo submarino - conheceu uma ligação efémera, para terminar definitivamente em 1954. A marinha alemã retomou o hábito da visita aos Açores, ocorrendo, em Fevereiro de 1958, em Ponta Delgada, a primeira presença, pós-II Grande Guerra, de embarcações militares deste país. Desde então, com a Cortina de Ferro na Europa, a divisão do mundo em dois blocos antagónicos, o aparecimento da NATO, o clima de guerra fria a condicionar as relações entre os povos, o despertar da Alemanha e a concomitante recuperação da sua posição no mundo, verificou-se uma profunda alteração das relações entre os dois países, dado encontrarem-se no mesmo espaço político, económico e militar, passando a existir acordos de cooperação militar e cedência, por parte de Portugal, de base para treino da Força Aérea da República Federal Alemã. Neste contexto, alterou-se o móbil do interesse da Alemanha pelos Açores. E se as relações económicas eram insignificantes, ganharam algum incremento e dinamismo por força dos produtos adquiridos nos Açores, dentre os quais sobressaem o ananás e as conservas de atum. Aliás, o comércio do ananás remonta à primeira metade do século xx, desde quando a ilha de S. Miguel manteve relações comerciais com a Alemanha. No primeiro quartel deste século, os produtos micaelenses foram exportados em navios alemães que demandavam o porto, mas, a partir de 1924, os carregadores açorianos começaram a efectuar viagens regulares para o Norte da Europa, escalando também portos alemães. O mercado alemão era o segundo receptor do ananás micaelense e entre 1926 e 1939 quase se equiparou ao mercado inglês. Ver ananás.
Para além do ananás, os carregadores açorianos transportaram bananas, estopa, fibra de espadana, batata e bolbos. Das outras ilhas, as relações comerciais com a Alemanha foram pouco significativas, mas a Terceira exportou bordados na 1.ª metade do século xx. (Enes, 1994). Com a admissão de Portugal no seio da Comunidade Económica Europeia, incrementou-se o conhecimento recíproco e surgiram interessantes fluxos turísticos. Com efeito, os cidadãos alemães representam, no final do século xx, a maioria dos turistas estrangeiros que demandam os Açores. Além disso, dados recolhidos em 1996 fazem saber que nas ilhas residem 179 indivíduos de nacionalidade alemã, dos quais 133 em S. Miguel e 32 no Faial. Para além das infra-estruturas de apoio ao cabo submarino, é esta presença humana, que um simples folhear duma lista telefónica revela através dos variados patronímicos teutónicos, que constitui o elo indelével, a marca mais profunda das relações dos Açores com a Alemanha. César Gabriel Barreira (Mar.1996)
Bibl. Albuquerque, L. (1965), Os Guias Náuticos de Munique e Évora. Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar: 104-112. Ameken, L. (1978), Quem eram os empregados da DAT, depois de 1926. Informationen, Bremen, 16. Andrade, A. B. (1972), Mundos Novos do Mundo, Panorama da difusão, pela Europa, de notícias dos Descobrimentos Geográficos Portugueses. Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar. Baião, A. (1940), O Manuscrito de «Valentim Fernandes». Lisboa, Academia Portuguesa da História. Bräunlein, P. J. (1992), Martin Behaim, Legende und Wirklichkeit eines berühmten Nürnbergers. Bamberg, Bayerische Verlagsanstalt. Correio da Horta (1941-1944). O Telégrafo (1941-1944). Costa, F. C. (1978), Esboço histórico dos Açores. Ponta Delgada, Instituto Universitário dos Açores. Focus Behaim Globus (1992), Nürnberg, Germanisches Nationalmuseum. Daehnhardt, R. (1990), Alguns segredos da História Luso-Alemã. Lisboa, Ed. Pesquisa História. Id. (1993), Páginas Secretas da História de Portugal. Lisboa, Ed. Nova Acrópole, I. Enes, C. (1994), A economia açoriana entre as duas guerras mundiais. Lisboa, Ed. Salamandra. Greiff, B. (1861), Tagebuch des Lucas Rem aus den Jahren 1494-1541. Ein Beitrag zur Handelsgeschichte der Stadt Augsburg. Augsburg. Kellenbenz, H. (1967), Die Beziehungen Nürnbergs zur iberischen Halbinseln, besonders im 15. und in der ersten Hälfte des 16. Jahrhunderts, In Beiträge zur Wirtschaftsgeschichte Nürnbergs, Nürnberg: 456-493. Kellenbenz, H. (1991), Martin Behaim und die portugiesischen Forschungen. Anzeiger des Germanischen Nationalmuseums: 57-60. Kretschmer, K. (1892), Die Entdeckung Amerikas in ihrer Bedeutung für die Geschichte des Weltbildes. Berlim, Festschrift der Gesellschaft für Erdkunde zu
