alecrim
Nome vulgar de Rosmarinus officinalis (Labiatae), também designado por alecrim-da-terra. Esta planta simboliza a fidelidade no amor e, por essa razão, é largamente celebrada em canções e adágios populares. Também devido ao seu simbolismo era usada nas cerimónias matrimoniais e funerais. Nos Açores, segundo Mendes (com. pess.), nos funerais, era a planta escolhida para aspergir a água benta. Substituía o incenso em cerimónias religiosas. Considerava-se que afastava o perigo de contágio de doenças. Também lhe eram atribuídas qualidades mágicas, como protecção contra os demónios e bruxas.
HISTÓRIA NATURAL Arbusto aromático e de folha persistente que pode atingir os 2 m. Apresenta ramos castanhos, erectos, ascendentes ou raramente decumbentes. As folhas, lineares, sésseis, coriáceas, com margens enroladas de 15-40 x 1,2-3,5 mm, são dum verde-vivo na página superior, brancas e tomentosas na página inferior. As flores em cimeiras axilares racemiformes têm corola azulada, raras vezes rosada ou branca, bilabiada com 10-12 mm e cálice verde ou purpurescente, com 3-4 mm quando jovem. O fruto é um tetraquénio com os aquénios ovóides, lisos, com inserção ventral.
CULTURA Nos Açores, a cultura restringe-se à sua multiplicação por estaca ou sementeira. A multiplicação por estaca lenhosa faz-se em Novembro e por estaca herbácea durante a Primavera. As estacas devem conservar-se um ano em viveiro para serem plantadas em lugar definitivo. Novembro é um bom mês para a transplantação. A sementeira poderá fazer-se logo após a colheita das sementes, no fim do Verão ou início do Outono. Tal como as plantas obtidas por estaca, devem aguardar um ano ou mesmo dois no canteiro. É uma planta mediterrânica que prefere lugares pedregosos e secos com exposição a Sul. Resiste muito bem às ressalgas, mas necessita de boa drenagem e dum solo pedregoso.
UTILIZAÇÃO O alecrim é frequentemente usado como ornamental, o que se justifïca pelo seu agradável perfume e beleza. É provável que o simbolismo, bem como as qualidades mágicas atribuídas a esta planta, também influam na sua escolha para os jardins. Segundo Dias (com. pess.), não existe espontânea nem subespontânea no arquipélago. Exige muito poucos cuidados e dura 10 anos ou mais. Tem sido usado como tempero e imprime a certos pratos um paladar muito especial. A sua essência é considerada estomacal e emenagoga. Um raminho de alecrim mastigado elimina o mau hálito e diz-se que dá boa disposição e alegria. Também tem sido usado em perfumaria e saboaria. A infusão em álcool é usada em massagens para combater o reumatismo e a gota. Raquel Costa e Silva (Out.1996)
MEDICINA POPULAR É utilizado nos Açores como estimulante, antiespasmódico, anti-séptico, colagogo e diurético, para combater as astenias, depressões, neurastenias, insuficiências hepáticas e vesiculares, hipotensão, asma e bronquites, febres, e para acalmar a tosse, numa infusão de meio punhado de folhas e flores secas para um litro de água. Também é usado, em casos de reumatismo, má circulação sanguínea e entorses, em banhos, à temperatura do corpo, tomados de manhã, para não provocar insónias. O mel de alecrim era procurado para resolver casos de impotência e frigidez. Francisco Dolores (Mar.1996)
Bibl. Bown, D. (1995), The Royal Horticultural Society Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres: 343. Franco, J. A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. II: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Sociedade Astória: 185. Grieve, M. (1975), A Modern Herbal. Londres, Jonathan Cape Ltd.: 681. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves. Thierry, C. (s.d.), Plantas que curam. Lisboa, 2.ª ed., Biblioteca Agrícola. Vasconcelos, J. C. (1949), Plantas Medicinais e Aromáticas. Lisboa, Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas: 134.
