Albuquerque, José de Medeiros da Costa
[N. Ponta Delgada, 5.2.1744 m. ibidem, 15.1.1830] Filho secundogénito de uma das principais casas vinculadas de S. Miguel, foi fidalgo cavaleiro da Casa Real e seguiu, ainda que tardiamente, a carreira das armas alistando-se como praça de soldado em Cavalaria 4 em 1774. Frequentou os dois primeiros anos de Matemática na Academia da Marinha, não completou o curso, mas serviu na corte por mais de 13 anos, no regimento de Meklembourg como cadete. Regressado a S. Miguel foi despachado alferes do presídio de S. Brás pelo capitão-general, em 25 de Abril de 1788 e em Outubro desse ano ajudante do mesmo presídio e das ordenanças da ilha. Em 1794 (decreto de 21 de Janeiro) foi promovido a capitão e depois por decreto de 14 de Agosto de 1801 major graduado para o mesmo castelo de S. Brás, por ter ficado o lugar vago por falecimento do major António Joaquim Borges. Foi contudo preterido para a efectividade desse cargo.
Em 1792 requereu a sua nomeação para o lugar de sargento-mor do castelo de S. Brás e em 1797 pediu a mercê do governo da ilha de S. Miguel com a patente de tenente-coronel de infantaria, invocando o seu serviço à coroa, a sua nobreza e os serviços dos seus antepassados não sendo, porém, atendido de ambas as vezes.
Foi reformado, sem o solicitar, em major, com meio soldo e por isso protestou, em 1822, pedindo a sua reintegração para então ser reformado em tenente-coronel, o que também lhe foi negado. Acabou por falecer praticamente indigente num quarto da Misericórdia de Ponta Delgada abandonado pela família.
A sua notoriedade advém de ter assumido a consciência política da identidade micaelense e manifestado em duas representações à Coroa, uma de 1781 e outra de 1797, as nefastas consequências para S. Miguel da subordinação da maior e mais rica ilha à Capitania-Geral sediada na Terceira e da absoluta necessidade de regeneração da classe dirigente micaelense.
Costa Albuquerque é assim percursor do projecto de independência de S. Miguel abraçado pelos revoltosos de 1 de Março de 1821, que o enviaram às Cortes em 1822 a levar a notícia da adesão de S. Miguel, graduado em tenente-coronel, e demonstra a resistência da elite micaelense ao centralismo das reformas pombalinas, como bem observou Carlos Guilherme Riley (1995).
Os dois escritos de Medeiros Albuquerque são documentos políticos, sociais e económicos do maior interesse para a história açoriana. José G. Reis Leite (2007)
Obras. Arquivo Histórico Ultramarino (Lisboa), Açores, caixa 15, documento 17 Representações enviadas a D. Maria I, a 1 de Julho de 1871 transcrito em apêndice por Carlos Guilherme Riley em «As luzes escondidas da modernidade em S. Miguel: uma proposta de itinerário retrospectivo» in Congresso do I Centenário da Autonomia dos Açores, vol. 1 A autonomia no plano histórico. Ponta Delgada, Jornal de Cultura: 185-206. Biblioteca Nacional de Lisboa, Colecção Pombalina, vol. 649, fl. 350 Relatório enviado à Corte em 1797- transcrito com notas de Brito Rebello em Arquivo Açoriano (1983), 2.ª ed., Ponta Delgada, Universidade dos Açores, XII: 492-507.
Fontes. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), cx. 141.
Bibl. Riley, C. G. (1995), «As luzes escondidas da modernidade em S. Miguel: uma proposta de itinerário retrospectivo» in Congresso do I Centenário da Autonomia dos Açores, vol. 1 A autonomia no plano histórico. Ponta Delgada, Jornal de Cultura: 159-206. Id. (2006), Os antigos modernos. O liberalismo nos Açores: uma abordagem geracional. Ponta Delgada, Universidade dos Açores: 87-141 [policopiado].
