Álbum Açoriano

Obra com direcção de António Baptista, ilustração de Roque Gameiro, Lisboa, Editores Oliveira e Baptista, 1903, 608 páginas. «Livro para servir de orgulho aos que não abandonaram o lar açoriano, ou de consoladora saudade áquelles que de longe d’essas terras ha longos annos habitam», escrevia alguém em nome da «Empreza» responsável pela edição, no final. Abrindo com os retratos dos reis D. Carlos, D. Amélia e dos príncipes, na obra colaboraram, entre muitos, Teófilo Braga, Brito Rebelo, Raul Brandão, Francisco Maria Supico, Francisco Afonso Chaves, Aristides Moreira da Mota, Alice Moderno, Ferreira Deusdado, Vieira Mendes, Marcelino Lima, além do próprio António Baptista. Organizado em partes, correspondentes a cada uma das ilhas (de Santa Maria ao Corvo), João da Câmara, que subscreveu o texto introdutório, referia que no Álbum Açoriano não só deveriam colaborar «todos os açorianos eminentes», como em cada página seria «pago o tributo devido à formusura d’uma cidade ou d’uma aldeia, ao talento d’um homem, ao valor d’um soldado, à graça irresistivel d’uma mulher, à poesia, bondade, virtudes de todo um povo». Foi, de facto, o programa gizado e cumprido para cada uma das ilhas. Temas de história, literatura, poesia popular e erudita, geografia física e humana, vulcanismo, economia, personagens açorianas ilustres, são incluídos nos textos de cada uma das ilhas, ilustrados com fotografias e desenhos, constituindo como que pequenas monografias. «Não se fala das ilhas, que se não teça o panegyrico de seus habitantes, desde o mais pobresinho, tão pitoresco em seus folgares cheios de poesia, até ao mais altamente collocado, abrindo de par em par as portas de seu palacio e, como principe, recebendo reis.» Obra de exaltação da terra açoriana e dos seus naturais, eivada de patriotismo, nela também «palpita latente a alma açoriana» que, na opinião do autor do texto final, «ainda é dos melhores pedaços da alma nacional». Artur Teodoro de Matos (Fev.1998)