Albergaria, João Soares de
[N. ?, ? m. ?, c. 1500 (?)] Capitão-donatário de Santa Maria e de S. Miguel Filho de Fernão Soares de Albergaria e de Teresa Velho Cabral, irmã de frei Gonçalo Velho, primeiro capitão das ilhas de Santa Maria e de S. Miguel. João Soares de Albergaria (ou Sousa), como geralmente surge referenciado, era cavaleiro da casa ducal dos donatários dos Açores, tendo sido criado na corte de D. Henrique. Assim se explica que, quando Gonçalo Velho regressou ao reino, pretendendo que lhe sucedesse à frente da capitania um outro sobrinho, tenha sido João Soares de Albergaria o sucessor por indicação do duque. Em 1474, João Soares de Albergaria vendeu S. Miguel a Rui Gonçalves da Câmara, filho de João Gonçalves Zarco, primeiro capitão do Funchal, venda que foi confirmada pela Infanta D. Beatriz, como mãe e tutora do donatário, o duque D. Diogo, e pelo rei D. Afonso V nesse mesmo ano (Arruda, 1977: 166-172). De igual modo, a Infanta D. Beatriz, nomeou João Soares de Albergaria como capitão de Santa Maria, mas este teve de pedir a confirmação da doação a D. Afonso V (Arquivo dos Açores, 1980, I: 15-18). João Soares de Albergaria casou duas vezes: a primeira com D. Beatriz Godins, «de nobre geração» (Frutuoso, 1983: 119), e a segunda com D. Branca de Sousa. Após o primeiro casamento, devido a doença da mulher, instalaram-se na ilha da Madeira, onde D. Beatriz Godins faleceu. Depois disso, João Soares de Albergaria regressou ao reino e participou nas guerras com Castela, tendo sido aprisionado. Libertado, viria a contrair novo matrimónio. O contrato de casamento com D. Branca de Sousa foi celebrado em Lisboa, a 20 de Junho de 1492, e, na sequência do enlace, João Soares de Albergaria recebeu a confirmação da sucessão na capitania de Santa Maria por carta de 24 de Junho de 1493 (Frutuoso, 1983: 124-125). Depois deste casamento, o capitão e sua mulher passaram a Santa Maria. Terá sido D. Branca de Sousa a doar o terreno da Matriz de Vila do Porto. Quanto a João Soares de Albergaria, que viveu na ilha menos de dez anos com a segunda esposa, em 1507 era já falecido, pois, nesse ano, um documento refere a menoridade do terceiro capitão (Arquivo dos Açores, 1984, XV: 414). José Damião Rodrigues (2007)
Fontes. Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, Livraria Ernesto do Canto, Manuscritos, Livro 133-A.
Bibl. Arquivo dos Açores (1980, 1981, 1984). Edição fac-similada da edição original, Ponta Delgada, Universidade dos Açores, I, IV, XV. Arruda, M. M. V. (1977), Colecção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores. 2.ª ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Cordeiro, A. (Padre) (1981), Historia Insulana das Ilhas a Portugal Sugeytas no Oceano Occidental. Edição fac-similada da edição princeps de 1717, Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura. Frutuoso, G. (1983), Livro Terceiro das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Rodrigues, J. D. (1995), Sociedade e Administração nos Açores (Séculos XV-XVIII): O caso de Santa Maria. Arquipélago-história, Ponta Delgada, 2.ª Série, I, In Memoriam Maria Olímpia da Rocha Gil, n.º 2: Estudos Insulares: 33-63.
