albafar
Nome vulgar da espécie de peixe Hexanchus griseus (Hexanchidae), segundo Ferreira (1939), Collins (1954) e Martins (1981). Trata-se de um tubarão de cor castanha, mais clara no ventre e acinzentada no dorso. De corpo grosso e robusto, com o focinho relativamente curto e arredondado e as barbatanas peitorais de margem posterior quase recta, tem sete fendas branquiais que o distingue da espécie Heptranchias perlo (*bico-doce), da mesma família, que tem apenas seis fendas branquiais. Vive, em geral, próximo do fundo, mas provavelmente sobe à superfície durante a noite. Tido por vagaroso, mas voraz, embora não agressivo para o homem, alimenta-se quase em exclusivo de peixes. Provavelmente dos mares temperados e subtropicais de todo o mundo, segundo Ferreira (1939) e Collins (1954) ocorre, nos Açores, com frequência, para além das 500 braças.
Ainda segundo Ferreira (1939), foi objecto de pesca, no século xix, porque o seu fígado, muito volumoso, fornecia o azeite que, apesar do mau cheiro, servia para a iluminação dos lares pobres, por ser mais barato e dar melhor luz que o sebo. A aplicação deste azeite diminuiu no último quartel do século xix com a utilização do petróleo na iluminação doméstica, até que se extinguiu com o uso da electricidade. Para o mesmo fim, também eram apanhados o *bico-doce, a *mamona e a *tútia. Luís M. Arruda (Fev. 1996)
azeite de albafar, s. Óleo extraído deste peixe, antigamente utilizado na iluminação doméstica. Ver azeite 3. João Saramago e José Bettencourt
Bibl. Collins, B. L. (1954), Lista de peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Ferreira, E. (1939), Seláceos dos Açores. Açoreana, 2, 1: 79-97. Martins, H. R. (1981), Nomenclatura de peixes de valor comercial dos Açores. Açoreana, 6, 2: 127-129.
