Alagoa, barão de

Este título foi concedido por D. Maria II, em duas vidas, ao morgado José Francisco Terra Brum (1776-1842), fidalgo cavaleiro da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, membro do Conselho de SMF e capitão-mor da ilha do Faial.

Quando começaram as dissidências políticas entre liberais e absolutistas, foi preso por ser afecto às ideias liberais e remetido, primeiro para Lisboa e depois para S. Miguel, onde foi libertado. Mais tarde, foi nomeado membro da Junta Governativa para auxiliar a organização das tropas que se incorporaram no exército constitucional. Em 1833, voltou à ilha de S. Miguel para integrar a comissão encarregada de tratar um empréstimo forçado de 400 contos que D. Pedro pretendia contrair nos Açores. Em recompensa, recebeu a Carta de Conselheiro (1834) e o título de barão de Alagoa, por decreto de 22.12.1841.

Foi 2.º barão de Alagoa José Francisco Terra Brum, filho dos primeiros barões. Nasceu em 24.9.1800 e faleceu a 2.9.1844. Casou com Maria Júlia Terra Carvalhal, filha de João Carvalhal da Silveira e de Francisca Carlota de Montojos, deixando descendência feminina. Foi comendador da Ordem de Cristo, deputado às Cortes da Nação e herdeiro dos vínculos de família.

Foi 3.º barão de Alagoa Manuel Maria Terra Brum, também filho dos primeiros barões. Nasceu em 5.11.1835 e faleceu a 11.7.1905. O título foi-lhe renovado por decreto de 27 de Julho de 1901 do rei D. Carlos, quando em 1901 esteve de visita à Madeira e Açores.

A família do barão de Alagoa é originária da ilha do Faial, onde se estabeleceu nos finais do século xv. A reunião de vários morgadios, principalmente nas ilhas do Faial e Pico, conservou-lhe o prestígio que conservou durante vários séculos. As suas condições económicas entraram em declínio quando os vinhedos, que eram um dos sustentáculos dos seus grandes rendimentos, foram atacados pelo oidium. A recuperação desses vinhedos, a com a introdução da casta americana conhecida como «Isabel», de aroma forte e agradável, que passou por isso a ser conhecida como «uva de cheiro», foi tarefa a que se dedicou o 3.º barão. Não obstante, a produção vinícola parece ter decrescido e a qualidade decaiu ruinosamente. Hugo Moreira (1998)