aizoáceas

Família de dicotiledóneas, baseada no nome genérico Aizoon, constituída por ervas anuais e perenes e por subarbustos, de folhas alternas ou opostas, planas, roliças ou trigonais, geralmente carnudas, simples, inteiras, geralmente sem estípulas, de flores regulares, hermafroditas, terminais ou axilares, solitárias ou em pequenas cimeiras, de 4 a 5 tépalas unidas na base, de estames externos abortados ou transformados em estaminódios petalóides, de ovário ínfero ou súpero e de fruto capsular deiscente ou drupáceo indeiscente.

A família das aizoáceas é aqui considerada no sentito estrito que entenderam Bittrich e Hartman (1988) e semelhante aos de Gonçalves (Castroviejo et al., 1990) e de Tebbs (1994) utilizados para os países e ilhas abrangidos geograficamente pelas obras Flora Iberica e Flora of Madeira, isto é, compreende os géneros Tetragonia, Mesembryanthemum, Aptenia, Carpobrotus, Disphysma, Lampranthus e Drosanthemum, cujas espécies têm sido encontradas nos Açores. A maioria destas espécies é originária da África do Sul (Palhinha, 1966; Franco, 1971; Gonçalves in Castroviejo et al., 1990; Webb in Tutin et al., 1993; Tebbs, 1994).

Tetragonia tetragonoides é conhecida nos Açores pelos nomes de espinafre-da-nova-zelândia e de espinafre-dos-pobres.

Mesembryanthemum nodiflorum é caracterizada por ervas anuais, de caules prostrados e suculentos, de folhas lineares semicilíndricas, moderadamente cobertas de grandes papilas hialinas a sésseis, sendo as inferiores opostas e as superiores alternas, de flores solitárias, terminais ou axilares e subsésseis, de perianto turbinado e de cinco tépalas, de estaminódios petalóides brancos ou amarelados e mais curtos do que as tépalas, de ovário semi-ínfero, de fruto capsular loculicida. Aparece em solos arenosos e pedregosos do litoral, associada a Atriplex prostrata e a Frankenia pulverulenta e integra associações de Crithmo-Limonietea e associações antropocóricas (Ormonde e Constância, 1992). Nos Açores está referida a sua ocorrência nas ilhas do Pico e da Terceira (Ormonde e Constância, 1992). Ocorre em todas as ilhas macaronésicas com excepção das de Cabo Verde. Distribui-se ainda pela região mediterrânica, Médio Oriente, Arábia e África do Sul.

Mesembryanthemum crystallinum é semelhante à espécie anterior, mas dela difere por as plantas serem densamente robustas de grandes papilas cristalinas, de folhas maiores, espatuladas a largamente ovadas e planas, sendo as inferiores curtamente pecioladas e as superiores sésseis, de flores solitárias e axilares ou em cimeiras terminais 3-5 floras e subsésseis, de estaminódios petalóides maiores do que as tépalas. Também aparece nas zonas pedregosas como M. nodiflorum, nos rochedos e nos muros de pedras próximo do litoral. É companheira de associações antropóricas e das de Festucion petraeae (Sjögren, 1973). É subespontânea nas ilhas Graciosa, Terceira e S. Miguel e nas ilhas macaronésicas, excepto em Cabo Verde. Originária da África do Sul, actualmente subespontânea na região mediterrânica, Austrália e Califórnia.

Aptenia cordifolia caracteriza-se por plantas perenes de vida curta, de caules prostrados e muito ramificados, de folhas opostas, ovado-cordiformes, planas, pecioladas e finamente papilosas hialinas, de flores solitárias, axilares e terminais e pedunculadas, de perianto turbinado e com quatro tépalas, de estaminódios petalóides purpúreos ou rosado-purpúreos, de ovário ínfero e de fruto capsular 4-loculicida. Comum nos sítios secos, nas barreiras rochosas e muros de pedras, próximos ou não do litoral. É subespontânea em todo o arquipélago açoriano. Nestas condições também ocorre na Madeira e nas Canárias. É originária da África do Sul, actualmente é subespontânea em muitas regiões quentes e temperadas do mundo. Palhinha (1966) é o primeiro autor a indicá-la para os Açores apenas para a ilha Terceira e Hansen e Sunding (1985) são os primeiros botânicos a dizer que ela ocorre em todas as ilhas dos Açores.

Carpobrotus edulis terá sido conhecida nos Açores pelo nome de malícia-de-flores-amarelas (Sampaio, 1904).

Disphyma crassifolium caracteriza-se por plantas perenes, glabras e sem papilhas cristalinas, de caules prostrados e radicantes nos nós, de folhas opostas, oblanceoladas, trigonais e sésseis, de flores solitárias, axilares ou terminais e pedunculadas, de perianto com cinco tépalas, de estaminódios petalóides purpúreos, de fruto capsular loculicida. Nos Açores é subespontânea na ilha Terceira e também o é nas ilhas Canárias. É frequentemente cultivada como planta de revestimento e como ornamental em sítios rochosos do litoral. É originária da África do Sul, actualmente é subespontânea em diversas regiões temperadas quentes.

Lampranthus falciformis terá sido conhecida nos Açores por malícia (Sampaio, 1904).

Drosanthemum floribundum é constituída por plantas lenhosas na base do caule por fim totalmente lenhosas, cristalino-papilosas, de caules prostrado-difusos, por vezes pendentes, muito ramificados, híspidos e radicantes nos nós, de folhas opostas, sésseis, quase cilíndricas e densamente papilosas, de flores solitárias, de perianto com tubo subgloboso e com tépalas lineares, de estaminódios petalóides maiores que as tépalas e de brancos a rosados e de fruto capsular loculicida. Subespontânea nas ilhas do Corvo, do Pico, de S. Jorge, da Graciosa e da Terceira. Cultivada como ornamental e como planta de revestimento nas rochas e muros costeiros. Originária da África do Sul, escapou à cultura, tornando-se subespontânea nas regiões temperadas quentes. Ao formar extensos tapetes, compete agressivamente com as plantas de associações da aliança Festucion petraeae (Ormonde, observ. pess.). Segundo Akeroyd e Preston (1990), Drosanthemum candens é sinónimo de D. floribundum, visto que o tipo daquela espécie é indistinguível do da última espécie, pertencendo as plantas açorianas do género Drosanthemum à espécie acima referida. José Ormonde (Out.1996)

Bibl. Akeroyd, J. R. e Preston, C. D. (1990), Notes on some Aizoaceae naturalized in Europa. Botanical Journal of the Linnean Society, 103, 3: 197-200. Bittrich, V. e Hartman, H. E. K. (1988), The Aizoaceae - a new approach. Botanical Journal of the Linnean Society, 97, 3: 239-254. Castroviejo, S., Laínz, M., López-González, G., Montserrat, P., Muñoz-Garmendia, F., Paiva, J. e Villar, L. (eds.) (1990), Flora Iberica, Plantas vasculares de la Península Ibérica e Islas Baleares, vol. II: Plantanaceae-Plumbaginaceae (partim). Madrid, Real Jardín Botánico, Consejo Superior de Investigaciones Cientificas. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. I: Lycopodiaceae-Umbelliferae. Lisboa, Sociedade Astória. Hansen, A. e Sunding, P. (1985), Flora of Macaronesia. Check-list of vascular plants, 3 rev. Sommeffeltia, 1: 1-167. Ormonde, J. e Constância, J. P. (1992), Contributo para o conhecimento da flora vascular dos Açores. I: anotações e esclarecimentos relativos à ilha do Pico. Relatórios e Comunicações do Departamento de Biologia (Expedição Científica PICO/91). Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 20: 79-98. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo de Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves. Sampaio, J. A. N. (1904), Flora da Ilha Terceira In Sampaio, A. S., Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal, parte II: 39-107. Sjögren, E. (1973), Recent changes in the vascular flora and vegetation of the Azores Islands. Memórias da Sociedade Broteriana, 22: 1-453. Tebbs, M. C. (1994), XXXIII. Aizoaceae (Mesembryanthemaceae; Tetragoniaceae) In Press, J. R. e Short, M. J., (eds.), Flora of Madeira. Londres, Museu de Historia Natural: 79-82. Tutin, T. G., Burges, N. R., Chater, A. O., Edmondson, J. R., Heywood, V. H., Moore, D. M., Valentine, D. H., Walters, S. M. e Webb, D. A. (eds.) (1993), Flora Europaea, vol. I: Psilotaceae to Plantanaceae. 2.ª ed., Cambridge, Cambridge University Press.