aipo

HISTÓRIA NATURAL Nome vulgar de Apium graveolens (Umbelliferae). É uma planta herbácea robusta, que atinge, frequentemente, os 100 cm, com cheiro forte característico. Apresenta o caule sulcado e sólido. As folhas fazem recordar as da salsa, mas são maiores, 1-2 penatissectas e com segmentos de 5-50 mm, triangulares romboidais ou lanceolados, lobados e serrados a quasi crenados. Flores muito pequenas e esbranquiçadas dispostas em umbelas geralmente sésseis ou curtamente pedunculadas, frequentemente opositifólias, com 4-12 raios desiguais, sem invólucro nem involucelos. Frutos cinzentos, com cinco costas filiformes. Raiz aprumada, castanha externamente e branca no interior. O aipo encontra-se nas costas da Europa desde a Grã-Bretanha até às zonas temperadas. Palhinha (1966) indica a sua existência nos Açores em Santa Maria, S. Miguel e Terceira. Prefere sítios húmidos, sobretudo próximo do mar.

UTILIZAÇÃO Não é raro ver-se uns pés de aipo plantados junto do curral do porco, para afastar do bacorinho as bruxas e o mau olhado. A raiz do aipo tem qualidades medicinais. É usada em farmácia na preparação do xarope diurético das cinco raízes, no qual entram o aipo, o funcho, a salsa, o espargo e a gilbardeira associados. As virtudes medicinais desta planta são múltiplas e reconhecidas desde a Antiguidade, mas o seu valor como diurético é, sem dúvida, o mais conhecido. As folhas picadas e as sementes dão um sabor muito agradável a certos pratos, mas em excesso podem tornar-se tóxicas. As mulheres grávidas não o devem consumir. Raquel Costa e Silva (Out.1996)

MEDICINA POPULAR O aipo bravo, que aparece também em alguns quintais, é utilizado para combater diversas enfermidades. As sementes são carminativas e usadas para acalmar as cólicas uterinas. Foi usado em cataplasma de folhas cozidas e depois misturadas em banha, para aplicar em mastites. A infusão de duas colheres de sopa de folhas e raízes para um litro de água é utilizada para beneficiar o funcionamento dos rins e do fígado, bem como para o reumatismo. Francisco Dolores (Mar.1996)

Bibl. Bown, D. (1995), The Royal Horticultural Society Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres: 238. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. I: Lycopodiaceae-Umbelliferae. Lisboa, Sociedade Astória: 526. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves: 83. Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais (1990), Lisboa, Selecções do Reader’s Digest: 52. Thierry, C. (s.d.) Plantas que curam. 2.ª ed., Lisboa, Biblioteca Agrícola. Vasconcelos, J. C. (1949), Plantas Medicinais e Aromáticas. Lisboa, Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas: 116.