aiados

 adj. Diz-se nos Açores dos versos iniciados pela interjeição ai!, como na cantiga: «Ai! minha mãe, quem me dera, / ai meu pai, quem me daria, / um lugarinho no céu, / ao pé da Virgem Maria!» Não é o mesmo que os antigos cantares guaiados (da interjeição arábica guai!, ainda usada no século XVI) a que se refere Gil Vicente na Farsa de Inês Pereira (1523). Estes eram cantares tristes - uma espécie de prantos (guaias) - com melodias dolentes e muitos ais (ou guais) intercalados. Aliás, ay! já era uma interjeição de dor na poesia trovadoresca («ay eu coitada / como vivo em gran cuidado [...]»). Os versos a que o povo nos Açores chama aiados tanto podem ser tristes: «Ai! tanto que por ti sofro! / Tanto pesa a minha cruz! [...]», como podem ser alegres: «Ai! vinho, meu rico vinho, / ai! cheiro, meu rico cheiro [...]»Eduíno de Jesus (Out.1997)