agulhão
Segundo Sampaio (1904), Collins (1954) e Martins (1981), é o nome vulgar da espécie de peixe Xiphias gladius (Xiphiidae). Mais recentemente tem sido denominado de espadarte. Espécie de corpo robusto e caracterizado pelo alongamento do focinho (pré-maxilares e nasais) em forma de espada achatada, em secção transversal (redonda nos peixes da família Istiophoridae, como o *espadim-azul e o espadim-branco). De distribuição global nos mares tropicais e temperados, ocorre nos Açores, no mar alto, onde foi registado por Sampaio (1904). Fortemente migrador, geralmente solitário, segundo Bard (1987) tem grande capacidade de evolução na faixa de água que vai da superfície para lá de 650 m, mesmo 900 m, na Florida. Alimenta-se de peixes (preferencialmente cavala, atum e voador) e de lulas que captura nos cardumes que persegue, muitas vezes a velocidades superiores a 60 km/h, e onde penetra agitando o focinho, para a esquerda e para a direita, comendo os mortos e os feridos. Pensa-se que o bico também é usado na defesa contra tubarões, o seu principal inimigo. Reproduz-se no Atlântico a partir dos 110 cm de comprimento (13 kg de peso) para os machos e dos 170 cm (53 kg) para as fêmeas (Bar, 1988).
Esta espécie de peixe, bem como outras espécies dos denominados peixes de bico, tem sido considerada entre os troféus marinhos de pesca desportiva mais apreciados do mundo. Todavia, nos Açores, por razões que se prendem com as estratégias adoptadas pelos pescadores desportivos, a espécie não tem estado entre os troféus capturados. De modo diverso, a espécie tem sido capturada pelas frotas da pesca comercial operando com artes apropriadas. Luís M. Arruda (Fev.1996)
Bibl. Bard, F.-X. (1987), Pêcheries et état des stock d´espadon en océan Atlantique. 7.ª Semana das Pescas. Relatório: 91-110. Id. (1988), Pêcheries et état des stock d´espadon en océan Atlantique. État des connaissances sur l´espadon de lAtlantique. 8.ª Semana das Pescas. Relatório: 223-231. Collins, B. L. (1954), Lista de peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Martins, H. R. (1981), Nomenclatura de peixes de valor comercial dos Açores. Açoreana, 6, 2: 127-129. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal.
