águas minerais
CONCEITO Não há um conceito universal de água mineral. De um ponto de vista hidrogeológico é, geralmente, considerada como mineral uma água subterrânea cuja mineralização total (total de sólidos dissolvidos) exceda um grama por litro. Também pode ser classificada como mineral se determinados componentes estiverem em concentrações superiores ao padrão normal das águas subterrâneas. Por exemplo: total de CO2 livre superior a 500 mg/l, Flúor >2 mg/l; Lítio >1 mg/l; Estrôncio >10 mg/l; Bromo >5 mg/l; Iodo >1 mg/l; Ferro II >10 mg/l; Manganês >10 mg/l; Bário >5 mg/l; Sílica >50 mg/l.
No entanto, o uso secular de certas águas no tratamento de doenças fez que se criasse a tradição, sobretudo na Europa, de considerar mineral equivalente a medicinal, ou mineromedicinal. Esta definição está consagrada ainda hoje na legislação de muitos países. Actualmente, na legislação da Comunidade Europeia, uma água subterrânea não necessita de ter propriedades terapêuticas para ser classificada como água mineral natural. Em Portugal, o decreto-lei n.º 90/90, art. 3.º, seguindo uma directiva comunitária, define água mineral natural como «[...] bacteriologicamente própria, de circulação profunda, com particularidades físico-químicas estáveis na origem dentro da gama de flutuações naturais, de que resultam propriedades terapêuticas ou simplesmente efeitos favoráveis à saúde».
A carta de nascentes minerais do Atlas do Ambiente (Calado, 1995) assinala todas as águas (do continente) oficialmente classificadas como minerais, assim como outras que satisfazem critérios hidrogeológicos.
Algumas águas minerais podem ser fonte de substâncias com interesse económico (cloreto de sódio, boro, dióxido de carbono, hélio, etc.), pelo que são classificadas como águas minero-industriais (decreto citado, art. 3.º).
Quando uma água apresenta uma temperatura anormalmente elevada é designada por água termal. Alguns autores propõem como critério a temperatura acima de 20°C, mas outros incluem naquela categoria apenas as águas cuja temperatura excede em mais de 4°C a temperatura anual média do ar da região onde ocorrem.
As águas classificadas simultaneamente como termais e minerais designam-se por termominerais.
No arquipélago dos Açores existe um grande número de ocorrências de águas minerais e termais, com composições muito variadas, influenciadas pela presença de fluidos característicos de ambientes vulcânicos. Neste tipo de ambientes, a água subterrânea pode incorporar emanações gasosas, principalmente CO2 (mas também sulfureto de hidrogénio, azoto, ácido clorídrico, etc.), resultando, em muitos casos, um aumento de agressividade em relação aos materiais por onde circula e, portanto, uma maior dissolução dos mesmos. Daí que sejam frequentes águas ácidas, por vezes com valores de pH da ordem de dois e valores elevados em sílica. Em geral, os aniões predominantes são o cloreto e o bicarbonato. No entanto, ocorrem também águas alcalinas (pH>7).
Admitiu-se durante muito tempo que algumas das águas de ambientes vulcânicos eram total, ou predominantemente, juvenis, isto é, águas libertadas durante o arrefecimento do magma, ou provenientes da reacção do oxigénio com o hidrogénio, em profundidade, sem terem participado anteriormente no ciclo hidrológico. No entanto, a aplicação de isótopos ambientais (a partir da década de 50) veio provar que provêm maioritariamente da infiltração de água meteórica.
Há nascentes de água mineral em quase todas as ilhas, embora algumas sem aproveitamento actual.
A ilha de S. Miguel é a que maior número e variedade de nascentes possui, quase todas associadas aos três maciços vulcânicos da ilha. Com o vulcão das Furnas, relaciona-se o grupo de nascentes das Furnas, com grande variedade composicional e de temperaturas, de que se destaca a caldeira Grande com 99°C. Relacionadas com o vulcão do Fogo, destacam-se a nascente termal da Ladeira Velha, água das Lombadas (gasocarbónica), caldeira Velha (90°C, pH=3), nascentes termais e fumarolas das caldeiras da Ribeira Grande. Com o vulcão das Sete Cidades, relacionam-se as nascentes termais de Ferrarias e dos Mosteiros que ocorrem junto ao mar. A presença de nascentes com temperaturas elevadas constituiu um dos critérios usados na implantação dos primeiros aproveitamentos geotérmicos.
Das restantes ilhas merecem destaque as seguintes nascentes: Água Quente do Lajedo e Poio do Moreno, na ilha das Flores; Termas do Carapacho e Furna do Enxofre, na Graciosa; Água Azeda, em S. Jorge; Água Azeda da Serreta, na Terceira; nascentes termais do Varadouro e da Fajã, no Faial; nascentes minerais da Silveira e de Santo Amaro, no Pico. Carlos Almeida, Maria do Rosário Carvalho, Rui Coutinho, José Virgílio Cruz (Mar.1996)
LOCALIZAÇÃO, CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS E UTILIZAÇÃO
Ilha do Faial Água do Varadouro. Nascente localizada à beira-mar, na costa sudoeste da ilha do Faial, junto ao Varadouro. A primeira referência a esta água data de Junho de 1853 (Lima, 1943), ano em que foi identificada a exsurgência. Desde a sua descoberta que é utilizada com fins terapêuticos.
Trata-se de uma água termomineral clorobicarbonatada sódica, com pH=6,75 e temperatura entre 28°C e 32°C. Esta oscilação na temperatura da água deve-se à mistura com a água do mar e reflecte a variação sazonal desta.
Ilha das Flores Água da nascente do Poio do Moreno. Localiza-se na margem direita da ribeira do Cabo, afluente da ribeira da Cruz, na costa este da ilha das Flores (Chaves, 1948, 1983; Zbyszewski et al., 1963). A exsurgência, também conhecida por nascente do Caçador, pois terá sido descoberta por um caçador perdido na região da ribeira da Cruz, tinha um caudal de 12 ls-1 e uma temperatura de 27,2°C quando foi pela primeira vez estudada em 1905 (Chaves 1948, 1983). No entanto, estes valores devem ser tomados apenas como indicativos, devido à ocorrência provável de mistura entre a água mineral e a água da ribeira do Cabo, resultante da posição marginal da nascente e das más condições de amostragem indicadas por Chaves (1948, 1983).
A água da nascente do Poio do Moreno é medianamente mineralizada, apresentando um pH básico e, entre os poucos dados existentes nas análises de 1898 (Chaves, 1948, 1983), predominantemente qualitativa, e de 1961 (Zbyszewski et al., 1963), o bicarbonato predomina entre os aniões e o magnésio entre os catiões.
Água Quente do Lajedo. Situa-se no extremo sudoeste da ilha das Flores, brotando no fundo de uma cavidade aberta na base da arriba litoral (Zbyszewski et al., 1968). A localização da exsurgência está relacionada com uma falha, que será, eventualmente, responsável pela existência de uma nascente submarina a algumas dezenas de metros a norte. Deve-se à proximidade do mar a mistura da água mineral com a água salgada, impedindo a correcta aferição da temperatura da nascente. Uma análise incompleta realizada em 1961 (Zbyszewski et al., 1968) revela uma água medianamente mineralizada, predominando entre catiões o magnésio e, entre aniões analisados, o sulfato.
A população da ilha das Flores utilizou, no passado, esta água para o tratamento de várias doenças.
Ilha Graciosa Água do Carapacho. A exsurgência desta água, localizada próximo da ponta da Restinga, na costa sudoeste da ilha Graciosa, é conhecida, pelo menos, desde o século xviii. Enquanto Cordeiro (1717) refere a existência de águas quentes junto ao ilhéu dos Homiziados, Moniz (1884) afirma que a sua utilização com fins terapêuticos começou em 1750. Deste modo, as suas qualidades terapêuticas são reconhecidas desde há muito, sendo utilizada para banhos.
É uma água termomineral cloretado-bicarbonatada sódica, com pH de 7,5 e temperatura de 42°C (Acciaiuoli, 1952). A temperatura da água apresenta variações devido à mistura com água do mar.
Ilha do Pico Água da nascente da Silveira. A nascente desta água situa-se na costa sul da ilha do Pico, a poucos metros da linha de costa, sendo captada num dos característicos poços de maré daquela ilha. Desta forma, a exsurgência sofre os efeitos da oscilação da maré, o que implica alguma mistura entre a água mineral e a água do mar.
É uma água fria, ácida e medianamente mineralizada, do tipo cloretado-bicarbonatada sódica. Lepierre (1931, in Zbyszewski et al., 1962, 1963) e Machado (1953) referem uma temperatura da água de 31°C, mas, posteriormente, Machado (1956) indicou um valor de 14°C, o qual se enquadra na ordem de grandeza dos registos actuais.
Ilha de S. Jorge Água Azeda. Localiza-se na costa sul da ilha de S. Jorge, exsurgindo na Fajã dos Vimes a uma altitude de 190 m (Forjaz e Fernandes, 1975). Uma análise realizada em 1969 (Forjaz e Fernandes, 1975) indica uma água pouco mineralizada, do tipo sulfatada sódica, com um pH ácido.
Ilha de S. Miguel Água Azeda. Localiza-se no centro da freguesia das Furnas, num local popularmente designado por Caldeiras devido à ocorrência de numerosas fumarolas (sulfataras). Esta água foi também designada por Chalet Frio, por ter sido captada e conduzida para um estabelecimento termal designado por Chalet, antes de 1862. Actualmente, corre numa bica e é utilizada para consumo periódico, devido às propriedades digestivas a ela atribuídas.
O nome de água azeda advém do sabor que apresenta, por se tratar de uma água gasocarbónica, com valores da ordem de 1 gl-1 de CO2 dissolvido e elevada concentração de metais. Além do ferro, cujo teor é bastante elevado, encontra-se Mn, Al, Cu, Zn, Pb, Bi, Ni e também Ba e Sr em quantidades pouco vulgares. Fria, com temperatura da ordem dos 17°C, pH ácido, hipossalina, pode classificar-se como bicarbonatada sódica, ferruginosa.
Água Azeda do Rebentão. A exsurgência desta água situa-se poucos metros a noroeste da bica da Água Azeda e, do ponto de vista físico-químico, é muito semelhante a esta, encontrando-se apenas quantidades mais elevadas de CO2 gasoso dissolvido.
Tal como a Água Azeda, esta nascente era captada e conduzida para o balneário do Chalet, sendo actualmente utilizada apenas para consumo esporádico e curiosidade dos turistas que visitam as caldeiras das Furnas.
Água da Caldeira Grande. A caldeira Grande localiza-se no extremo oeste do local designado por Caldeiras, na freguesia das Furnas.
Embora a sua designação a associe a uma fumarola, trata-se de uma nascente de água hipertermal que ascende com temperatura de ebulição à pressão atmosférica (95°C a 99°C). Quimicamente pode classificar-se como mesossalina, alcalina, silicatada, sulfúrea, sódica, embora os aniões dominantes sejam o bicarbonato e o cloreto. A mineralização secundária é variada, devendo destacar-se, além do As, Cu, Mn, Sr, Ba, o Ni, Se, Rb e Bi.
A primeira referência a esta nascente data de 1825 e reporta a uma análise físico-química realizada por Mouzinho de Albuquerque (Acciaiuoli, 1953). Freitas (1840 in Acciaiuoli, 1953) faz uma descrição de dados analíticos e do interesse desta água para termalismo, referindo-se a um novo sistema de captação instalado com propósito medicinal.
O forte caudal e características químicas levaram ao seu aproveitamento, no Centro Termal das Furnas, construído em 1863, e, inicialmente, designado por Banhos Novos. A sua utilização faz-se, essencialmente, em banhos e inalações para o tratamento de afecções reumatismais, do aparelho circulatório e das vias respiratórias.
Água da Caldeira Velha. A sua designação deve-se à proximidade de uma fumarola denominada Caldeira Velha, localizada na encosta norte do vulcão do Fogo e perto da estrada que une a cidade da Ribeira Grande à lagoa do Fogo. Exsurge numa zona de fracturas, na rocha traquítica, dando origem a uma ribeira com uma queda dágua que enche um pequeno açude artificial onde acorrem pessoas para banhos.
Trata-se de uma água termal com temperatura da ordem dos 45-50°C, hipossalina, de pH ácido e bicarbonatada sódica, ferruginosa. A concentração do ferro é elevada e este catião precipita sob a forma de óxidos de ferro junto à queda dágua. É uma água utilizada apenas para momentos de lazer e recreio.
Água da Grutinha I e Grutinha II. As nascentes com estas designações ocorrem no jardim em frente ao Centro Termal das Furnas. Trata-se, muito provavelmente, da água de um mesmo aquífero que tem várias surgências e que em tempos foram também designadas por Dr. Dinis e Ernesto.
É uma água mesossalina, com cerca de 40°C, pH ácido e do ponto de vista físico-químico pode classificar-se como bicarbonatada sódica, gasocarbónica, ferruginosa.
Água da Ferraria. Exsurge ao nível do mar no extremo oeste da ilha, num local designado por Ponta da Ferraria. A sua captação não é possível por estar, constantemente, abaixo do nível do mar, mas a variação da temperatura da água do mar nesse local permite relacioná-la com a variação da maré. Anteriormente, foi recolhida num poço com 2,5 m de profundidade quando alimentou o hospital termal da Ferraria (Acciaiuoli, 1953), cujo edifício se localiza próximo e que, actualmente, se encontra em avançado estado de degradação. As suas indicações terapêuticas relacionam-se com reumatismo ósseo e muscular e com tuberculose óssea.
Acciaiuoli (1953) apresenta análises físico-químicas desta água, classificando-a de cloretada sódica, com elevada mineralização (cerca de 20 gl-1) e com temperatura de 62,5°C; todavia, esta poderá ser já uma análise da água da nascente misturada com a água do mar.
Água da Ladeira da Velha. Surge ao nível do mar numa encosta com o mesmo nome, a este da cidade da Ribeira Grande.
Trata-se de uma água termal, com temperatura da ordem dos 30°C, de pH ácido, bicarbonatada sódica, gasocarbónica e mesossalina. A concentração em CO2 dissolvido chega a atingir 1,5 gl-1.
Esta água já foi captada e transportada para um edifício balnear, actualmente em ruínas, situado a meia encosta.
Água das Lombadas. Exsurge na margem esquerda da ribeira Grande e é engarrafada como água mineral gasocarbónica, cuja concessão data de 1940. Inicialmente, a água era captada num depósito e só depois engarrafada devido à grande quantidade de gás. Esse primeiro edifício de engarrafamento encontra-se em ruínas e a água agora engarrafada provém de um furo executado um pouco mais a norte da nascente.
Trata-se de uma água hipossalina, de pH ácido, bicarbonatada sódica, cuja característica principal é a elevada concentração de CO2 dissolvido, atingindo valores de 1,5 gl-1.
Água da Morangueira. Surge na freguesia das Furnas, junto ao jardim do Centro Termal.
Trata-se de uma água quimicamente semelhante à água azeda, todavia, é um pouco mais quente, apresenta uma mineralização ligeiramente mais elevada e pH um pouco menos ácido.
Água da Pocinha. Exsurge numa pequena cavidade na rocha, no extremo oeste da freguesia das Furnas, e depois de encher uma pequena represa é captada para a piscina do Hotel Terra Nostra.
Trata-se de uma água termal, com 36° a 39°C de temperatura, pH ácido, mesossalina, bicarbonatada sódica e ferruginosa. É muito apreciada para banhos quer na pequena represa junto à nascente, quer na piscina do hotel.
Água das Quenturas. É uma água termal que exsurge numa pequena vertente em frente ao Centro Termal das Furnas, numa bica, lado a lado com uma água tépida e outra fria. Trata-se de uma água bicarbonatada sódica, mesossalina, com temperaturas que rondam os 58°C e pH ácido a neutro.
Desde 1863 que é captada e conduzida para o Centro Termal das Furnas, onde é usada em banhos de imersão e inalações no tratamento de afecções reumatismais, do aparelho circulatório e das vias respiratórias.
Água da Serra do Trigo. Exsurge no vale da ribeira Quente, a sudeste da freguesia das Furnas. É engarrafada como água mineral gasocarbónica, sendo o seu caudal relativamente constante e da ordem de 19 000 l/dia-1.
Trata-se de uma água fria, hipossalina, de pH ácido, bicarbonatada sódica e rica em CO2 gasoso, atingindo esta espécie valores da ordem de 2 gl-1.
Água de Miguel Henriques. A nascente desta água situa-se junto ao Posto de Turismo das Furnas. É uma água hipotermal, ácida, hipossalina, bicarbonatada sódica, não se conhecendo qualquer tipo de utilização.
Água de Prata. Exsurge junto à Água de Miguel Henriques, diferindo desta por se tratar de uma água termal (30°C). Medianamente mineralizada, é bicarbonatada sódica e ácida.
Água do Caldeirão. É uma nascente termal localizada junto à Água Azeda do Rebentão, nas Furnas. Trata-se de uma água neutra, bicarbonatada sódica, silicatada, com temperatura de 76°C e caudal apreciável.
Água do Dr. Bruno. Localiza-se na freguesia das Furnas, quimicamente semelhante à Água da Grutinha I e II, diferindo apenas por ser um pouco menos alcalina e mais ferruginosa.
Água dos Mosteiros. Segundo Acciaiuoli (1953), esta água emerge sobre a praia dos Mosteiros, no extremo oeste da ilha, tendo a água sido recolhida em dois poços com 10 m de profundidade. Não existindo estabelecimento termal, a água era transportada em carroças para as casas da povoação próxima.
Trata-se de uma água cloretada sódica onde a influência da água do mar é bem registada durante as grandes marés; o teor em cloretos aumenta e a temperatura baixa de 44° para 38,5°C (Acciaiuoli, 1953).
Actualmente a nascente é de muito difícil localização e só os habitantes mais idosos conseguem encontrá-la.
Água do Sanguinhal. A nascente desta água situa-se numa pequena ribeira, junto à estrada que liga a freguesia das Furnas a Lagoa.
A água é termal, com temperatura de 38°C, ácida, mesossalina e bicarbonatada sódica, gasocarbónica. Não é utilizada devido à elevada concentração do ião de flúor.
Água do Torno. Exsurge junto às nascentes de Grutinha I e II, no jardim em frente ao Centro Termal das Furnas. Trata-se de águas quimicamente semelhantes, devendo ser o mesmo fluido que exsurge em Grutinha I e Grutinha II.
Água Glori Patri. Exsurge na vertente norte da caldeira do vulcão das Furnas, na freguesia das Furnas. Com grande caudal abastece um pequeno chafariz onde as pessoas recolhem água para consumo, é captada para engarrafamento como água de mesa, pela mesma empresa que explora a Água da Serra do Trigo. O excedente escorre para a ribeira.
A água Glori Patri é fria, hipossalina, de pH neutro, bicarbonatada sódica e silicatada.
Ilha Terceira Água Azeda da Serreta. A nascente desta água está situada à beira-mar na arriba entre a ponta da Serreta e a ponta do Raminho na ilha Terceira. A exsurgência está localizada numa furna onde se observa libertação de CO2 (Lobo, com. pessoal) e, devido ao sismo de 1980, de acesso perigoso. Por este motivo a análise físico-química disponível data de 1920 (Zbyszewski et al., 1971).
De acordo com os dados analíticos, trata-se de uma água bicarbonatado-cloretada sódico-cálcica. Maria do Rosário Carvalho, Rui Coutinho e José Virgílio Cruz (Abr.1996)
PRODUÇÃO E COMÉRCIO Os Açores são uma região rica em variedades de águas devido à sua origem vulcânica. A comercialização de águas classificadas de minerais faz-se desde o início do século. As águas cuja comercialização chegou até à actualidade são a Serra do Trigo e a Lombadas. A primeira nasce no vale das Furnas, enquanto a segunda brota nas montanhas junto à lagoa do Fogo. Estas duas águas são comercializadas não só nos Açores como no Continente, na Madeira e em mercados onde se concentram emigrantes dos Açores.
Depois de ter estado interrompida durante alguns anos a exploração da nascente da serra do Trigo reapareceu em 1991 com uma fábrica nova de engarrafamento em vidro. Em 1994, entrou em funcionamento uma nova linha de enchimento em plástico resistente ao gás, vulgarmente designado por PET. Na mesma altura foi iniciada a exploração da água Gloria Patri, igualmente com nascente no vale das Furnas, no maciço das Pedras do Galego. Esta localidade dá o nome a uma outra água que resulta da gaseificação da água Gloria Patri.
Em 1995, venderam-se nos Açores cerca de 4200 mil litros de águas engarrafadas, sendo cerca de 3700 mil litros de águas de nascente (sem gás) e 450 mil de águas gasosas naturais ou gaseificadas. Das águas de nascente cerca de 50 % foram de produção regional (Gloria Patri). A quase totalidade das águas com gás vendidas nos Açores são de origem regional (Lombadas, Serra do Trigo e Pedras do Galego).
As vendas de 1995 representam um crescimento muito acentuado relativamente a 1994, devido à entrada em produção da água Gloria Patri e ao decréscimo significativo dos preços praticados a partir do início deste ano. Até esta data, todas as águas de nascente engarrafadas consumidas nos Açores eram importadas. Mário Fortuna (Set.1996)
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