Agualva
Freguesia do concelho da Praia da Vitória, Terceira. TOPONÍMIA A designação toponímica está relacionada com o facto de a água deixar a roupa tão alva como se fosse lavada com sabão.
GEOGRAFIA Está situada na vertente norte da ilha Terceira, estende-se desde o maciço da Agualva, que inclui para norte do pico Terra Brava (718 m) até ao mar, limitada pelas ribeiras da Agualva e da Areia (a E). O clima é fresco, húmido e ventoso. O topo do maciço, formado por materiais piroclásticos e lavas traquíticas, é plano e rodeado por picos como Terra Brava, do Boi (657 m), da Caldeira da Agualva (595 m) e Alto (808 m). Na encosta, declivosa e dissecada pelas ribeiras da Agualva, do Outeiro Filipe, das Fajãs e dos Joões (R. das Pedras), aparecem pequenos cones de escórias, como o pico dos Loiros (369 m), no sopé. A faixa litoral é um plaino que termina por um arriba com cerca de 25 m de altura, escarpada, talhada em traquitos, da qual se destacam as pontas dos Mistérios (da Selvagem ou da Balieira) e da Lagoa; numa pequena enseada, a oriente da ponta da Lagoa, formou-se a Lagoa, na foz da grota da Lagoa. A freguesia é constituída por um lugar importante, Agualva, a sede, e por vários pequenos lugares isolados. Em 1838 contava 1180 habitantes, entre os quais alguns nobres, e 238 fogos (Drummond, 1990). Durante os últimos 126 anos, a variação da população mostra o crescimento da freguesia, máximo em 1960, e o decréscimo posterior (INE, 1960). M. Eugénia S. Albergaria Moreira (Nov.1995)
HISTÓRIA A freguesia terá sido constituída em paróquia por volta de 1588. Na freguesia existiram várias ermidas e igrejas que foram demolidas ou reconstruídas. O templo actual, resultado de várias remodelações, foi concluído em 1939. As festas do Espírito Santo, das mais antigas da ilha, realizam-se junto ao Império, remodelado em 1873. Por volta de 1868 existiu na freguesia uma filarmónica que se extinguiu em 1886, para reaparecer em 1921-22, com a denominação de Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva. Está instalada em sede própria, com amplo salão para cinema e outras actividades culturais. O ensino primário remonta a 1858, para o sexo masculino, e a 1897, para o sexo feminino. Em 1966, foi inaugurado o Centro Paroquial, com jardim infantil, a funcionar em 1970. O grupo de escuteiros iniciou a sua actividade em 1963 e a Casa do Povo, criada em 1973, tem edifício próprio inaugurado em 25 de Novembro de 1995, onde funcionam os serviços da Segurança Social e Centro Médico. O futebol oficial desenvolve-se através do Clube Desportivo e Recreativo da Agualva. Gaspar Frutuoso descreveu-a como um espaço rodeado de densas matas e muitos pomares, cuja fruta era vendida semanalmente na cidade de Angra. Para além desta actividade económica, que se prolongou até meados da década de 60, os seus moradores dedicaram-se ao longo dos séculos à agro-pecuária. Até ao princípio do século xx, utilizaram, para além de terrenos próprios, abundantes terrenos baldios pertencentes à freguesia e opuseram-se tenazmente, através da conhecida «Justiça da Noite», à vedação desses terrenos, que foi sendo tentada a partir do século xviii. Depois da II Guerra Mundial, muitas matas foram cortadas e substituídas por pastagens. A indústria de serração de madeiras é uma das mais importantes da ilha. A água abundante que corre na ribeira proporcionou, desde o início do povoamento, a instalação de moinhos, cuja actividade só começou a entrar em declínio a partir de 1960. Outras actividades tradicionais, que caracterizavam a freguesia, eram a criação de gado caprino, nos terrenos baldios, e o fabrico de carvão, aproveitando as matas abundantes. Embora a população continue virada para a pecuária, uma parte significativa dos agualvenses trabalha na base americana das Lajes. A freguesia destaca-se no conjunto das freguesias rurais da Terceira pelo brilhantismo das festas de Verão, em honra da padroeira, N.ª Sr.ª de Guadalupe, que são muito concorridas. Carlos Enes (Set.1998)
Caldeira de Agualva Lugar da freguesia da Agualva, concelho da Praia da Vitória, ilha Terceira, situado a cerca de 550-600 m de altitude, na caldeira da Agualva, numa rechã da vertente oriental do pico Agudo, nas nascentes da ribeira de Agualva. Ribeira da Agualva Nasce no sopé do pico Alto, ilha Terceira, a 730 m de altitude. Corre para NE num percurso de 15 km, inflectindo para a costa norte, onde desagua num entalhe da arriba andesítica, formando uma praia de calhaus. No curso médio drena Agualva, Ponte e Lugar de Ribeira da Ajuda. Recebe dois afluentes, um em cada margem. M. Eugénia S. Albergaria Moreira (Nov.1995)
Bibl. Drummond, F. F. (1990), Apontamentos Topográficos, Políticos, Civis e Eclesiásticos para a História das nove Ilhas dos Açores servindo de suplemento aos Anais da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira. Merelim, P. (1982), Freguesias da Praia. Angra do Heroísmo, Direcção Regional de Orientação Pedagógica, I. Instituto Nacional de Estatística (1961), X Recenseamento Geral da População.Lisboa, INE, I, 2. Id. (1970), XI Recenseamento da População. Lisboa, INE. Id. (1981), Recenseamento da População e da Habitação. Açores. Lisboa, INE. Id. (1991), XIII Recenseamento da População. Dados não publicados de 1991. Lisboa, INE.
