água subterrânea

Designa-se por água subterrânea a água armazenada nos poros e interstícios das rochas na zona saturada. As rochas que contêm água e a podem ceder de forma economicamente aproveitável designam-se por aquíferos.

No caso geral, a água subterrânea deriva da água meteórica que se infiltra e circula, no subsolo, através dos poros e fracturas até ser detida por camadas impermeáveis. A quantidade de água infiltrada está directamente dependente do clima (quantidade de precipitação, humidade e temperatura do ar, horas de insolação, ventos), da permeabilidade dos solos, cobertura vegetal e do declive dos terrenos. A água subterrânea desempenha um papel muito importante no abastecimento das populações e no regadio, constituindo no arquipélago dos Açores a origem principal.

Nas ilhas de origem vulcânica, além da existência de aquíferos a altitudes variadas (aquíferos suspensos), admite-se a existência de uma aquífero profundo basal, formando uma massa de água doce sobrenadando a água do mar, com descarga divergente para o litoral. As nascentes que surgem a cotas elevadas estão associadas à ocorrência de níveis impermeáveis, como piroclastos e escoadas lávicas muito alteradas. O aquífero basal das ilhas é, por sua vez, descarregado por nascentes ao nível do mar ou abaixo deste, fazendo-se a sua exploração através de furos e poços de maré.

No arquipélago dos Açores os aquíferos produtivos estão associados predominantemente a formações rochosas de escoadas lávicas muito fracturadas, traquíticas e basálticas, e a depósitos piroclásticos de queda, nomeadamente de natureza traquítica.

O fornecimento de água às populações é feito através da simples captação de nascentes ou, em menor número, por poços e furos. Nalguns casos, obtém-se um aumento da produtividade das nascentes através de escavações e construção de paredes que desviam localmente o escoamento subterrâneo para o local de captação. Os furos captam a lentícula de água doce do aquífero de base das ilhas (S. Miguel, Terceira, Pico, Faial) e na maior parte dos casos provocam fenómenos de intrusão marinha e consequente salinização das águas doces. Antes do recurso a furos para captação destes aquíferos a extracção da água subterrânea fazia-se através de poços de maré, de pequena profundidade e que exploravam uma película pouco espessa de água doce que sobrenada a água salgada. Sendo muito comuns na ilha do Pico, estão na sua maioria abandonados, pelo recurso a 16 furos profundos disseminados na orla litoral. Carlos Almeida, Maria do Rosário Carvalho, Rui Coutinho e José Virgílio Cruz (Mar.1996)