água
METEOROLOGIA A palavra água é ambiguamente usada para referir a fase líquida do composto químico H2O e o próprio composto a que se chama, em Química, «a substância água». A água é a única substância que se encontra na *atmosfera terrestre nas suas três fases: sólida, líquida e gasosa. A mudança de fase é extremamente importante para os processos atmosféricos devido à alteração do calor latente. As nuvens são formadas pela subida de ar húmido que arrefece por expansão devido à diminuição contínua da pressão atmosférica. O vapor de água existente na massa de ar que sobe na atmosfera condensa-se sobre a variedade de partículas que encontra: poeiras, sais, fumos. Com a evolução da condensação, as gotículas que se formam atingem diâmetros de 0,01mm (um centésimo de milímetro) e, em concentrações de alguns milhares por centímetro cúbico, constituem as nuvens de água não precipitável. Todavia, as correntes ascendentes que se formam no interior das nuvens provocam choques entre as gotas e o consequente aumento do tamanho daquelas, que aumentam de peso até que as correntes descendentes não lhes contrariam mais a queda. Se as gotas resistirem às condições de evaporação, chegarão ao solo como chuva, com diâmetro até 6 mm, ou chuvisco, com diâmetro da ordem de um décimo de milímetro. Este mecanismo de precipitação refere-se, porém, a nuvens que não se desenvolvem para cima do nível de 0°C (32 °F) na atmosfera. Em nuvens que se desenvolvam para cima daquele nível, as gotas que atinjam a região superior da nuvem tornam-se sobrefundidas e congelarão espontaneamente sob a forma de cristais de gelo, se a temperatura baixar para menos de - 40°C (- 40°F). Em pouco tempo os cristais aumentam de tamanho, caem, chocam uns com os outros e formam cristais de neve, ou são arrastados pelas correntes no interior da nuvem, fundem na descida, para aumentarem na subida, regelando. A precipitação de água no estado sólido pode ocorrer suavemente como flocos de neve, o que nos Açores só deve ocorrer no cimo do pico do Pico, ou violentamente, como granizo ou saraiva. Em situações excepcionais poderá ocorrer chuva gelada. Anthimio de Azevedo (Nov.1995)
ÁGUA DE ABASTECIMENTO As características físico-químicas da água fornecida para abastecimento público têm sido objecto de estudos, com vista ao estabelecimento de valores máximos e admissíveis recomendados que permitam controlar os tipos de água doce disponíveis e também a poluição a que essas mesmas águas estão ou podem vir a estar sujeitas.
Nos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, as preocupações com os programas de análise da água de abastecimento envolvem laboratórios, desde os mais simples aos mais sofisticados, em que técnicos altamente qualificados procuram encontrar os limites a partir dos quais a água não deve ser usada pelas populações sem perigo para a saúde.
A composição química média permite avaliar os recursos hídricos de cada região como potenciais origens de água potável. As questões actualmente levantadas pela presença nas águas de abastecimento de milhares de compostos orgânicos de síntese, de resíduos de elementos metálicos, de produtos resultantes das modificações nos ciclos do azoto, do enxofre e do fósforo, e a presença de produtos radioactivos, têm posto em perigo a saúde das populações por elas abastecidas, não só em áreas específicas mas também em termos globais (Wang, 1994).
O arquipélago dos Açores, apesar de se encontrar a milhares de quilómetros dos continentes europeu e americano, não se encontra isolado das influências que conduziram os países industrializados desses mesmos continentes à problemática da obtenção de água de qualidade para abastecimento. O conhecimento dos valores médios dos parâmetros físico-químicos da água de abastecimento do arquipélago dos Açores (Lobo, 1993 b), ligados à presença de macroelementos, já permite avaliar as modificações resultantes de chuvas ácidas, de modificações sofridas pelo ciclo do azoto, manifestadas pelo aparecimento de valores anormais de nitratos (Lobo, 1988; Id. 1993 a), de modificações sofridas pelo ciclo do fósforo, que conduzem à eutrofização de lagos e rios, e da presença de excesso de fluoretos, responsáveis pelo aparecimento de fluorose.
Na ilha do Corvo, a água superficial é constituída por ribeiras torrenciais e pela água da lagoa do Caldeirão, que não são usadas para consumo humano. São cinco nascentes, que surgem a uma cota aproximada de 300 m, as origens da água subterrânea consumida pela população da ilha.
Quanto às suas características físico-químicas médias, estas águas têm uma temperatura de 18,3°C, um pH de 7,1 unidades de pH, uma condutividade 219 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 182,0 mg/1, bicarbonatos de 24,8 mg HCO3/l, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 52,8 mg Cl/l, fluoretos de 0,1 mg F/l, sulfatos de 8,7 mg SO4/1, sílica de 31,7 mg SiO2/1, nitratos de 1,7 mg NO3/l, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 40,2 mg Na/l, potássio de 3,0 mg K/l, cálcio de 6,7 mg Ca/l, magnésio de 4,8 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,5 mg O2/l e anidrido carbónico livre de 4,3 mg CO2/1.
A ilha das Flores é das poucas ilhas que apresenta ribeiras permanentes, sendo as mais importantes a ribeira do Além na freguesia da Fazenda de Santa Cruz, cujo caudal permite o seu aproveitamento hidroeléctrico, a ribeira Grande e a ribeira dos Moinhos na freguesia da Fajãzinha. Tem lagoas naturais, tais como a lagoa Funda e lagoa Comprida, que funcionam como regularizadoras dos caudais de algumas ribeiras e nascentes. São cinquenta nascentes usadas para consumo humano e dispõem-se nas vertentes nordeste, sudoeste, este e oeste da ilha. Como a sua geomorfologia não permite a intercomunicação dos sistemas de abastecimento, cada freguesia tem nascentes próprias. Quanto às características físico-químicas médias destas águas, apresentam: temperatura de 16,9°C, pH de 7,3 unidades de pH, uma condutividade 145 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 122,2 mg/l, bicarbonatos de 39,5 mg HCO3/l, carbonatos de 0,3 mg CO3/1, cloretos de 31,3 mg Cl/1, fluoretos de 0,2 mg F/l, sulfatos de 5,3 mg SO4/1, sílica de 28,9 mg SiO2/1, nitratos de 1,8 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 26,1 mg Na/l, potássio de 2,3 mg K/1, cálcio de 6,7 mg Ca/l, magnésio de 4,8 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,3 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 4,6 mg CO2/1.
Na ilha do Faial, a água superficial é constituída por ribeiras torrenciais dispostas radialmente em torno do cone vulcânico da Caldeira, no interior da qual se constituiu uma bacia de recepção de água da chuva que deve alimentar o aquífero de base e algumas nascentes com cotas mais baixas. A água usada para consumo humano é obtida dos aquíferos subsuperficiais preferencialmente dispostos nas vertentes oeste e norte do cone vulcânico, a uma cota média de 600 m, e do aquífero profundo ou de base. São ao todo aproximadamente setenta nascentes e cinco furos as origens da água subterrânea consumida pela população da ilha. Quanto às características físico-químicas médias da água fornecida pelas nascentes, são a temperatura de 12,4°C, o pH de 7,3 unidades de pH, a condutividade 112 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 95,6 mg/1, bicarbonatos de 29,9 mg HCO3/l, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 15,8 mg Cl/l, fluoretos de 0,1 mg F/1, sulfatos de 4,3 mg SO4/1, sílica de 20,6 mg SiO2/1, nitratos de 0,2 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 18,1 mg Na/l, potássio de 4,4 mg K/1, cálcio de 4,1 mg Ca/l, magnésio de 2,2 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,1 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 3,2 mg CO2/1.
A água obtida a partir dos furos tem valores médios de temperatura de 15,2°C, o pH de 7,6 unidades de pH, a condutividade 584 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 353,2 mg/l, bicarbonatos de 92,2 mg HCO3/l, carbonatos de 0,8 mg CO3/1, cloretos de 117,2 mg Cl/l, fluoretos de 0,3 mg F/1, sulfatos de 17,9 mg SO4/1, sílica de 23,9 mg SiO2/1, nitratos de 0,6 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 74,5 mg Na/l, potássio de 9,3 mg K/1, cálcio de 17,5 mg Ca/l, magnésio de 16,8 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,2 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 5,1 mg CO2/1.
Na ilha do Pico, a natureza cavernosa das lavas permite a infiltração rápida da água da chuva, tornando a rede de drenagem superficial muito escassa e limitada a algumas ribeiras de natureza torrencial e tornando praticamente inexistentes os aquíferos subsuperficiais tão importantes nas outras ilhas. Para colmatar esta escassez de água doce, a captação da água da chuva por meio de cisternas é uma prática corrente em toda a ilha. Entre a montanha do Pico e a extremidade oriental da ilha, a presença de cinzas compactadas de baixa permeabilidade leva ao aparecimento de lagoas no fundo das crateras de vulcões extintos e em pequenas depressões. As lagoas mais importantes são a do Caiado e a do Capitão. A água predominantemente usada é ainda a das cisternas, já que durante a estação seca o abastecimento é muitas vezes cortado. O emprego dos aquíferos subsuperficiais limita-se a sete nascentes que surgem no lado oeste do planalto central. No aquífero de base foram abertos nove furos que são empregues no abastecimento. Nas zonas mais baixas, junto ao mar, ainda se usa a água dos poucos poços de maré que não estão ainda destruídos. A partir de 1990, no concelho de S. Roque do Pico, passou a utilizar-se para consumo humano a água da lagoa do Caiado, sujeitando-a a um tratamento primário de filtração por leitos de areia basáltica, seguido de desinfecção por cloro.
Quanto às características físico-químicas médias da água fornecida pelas nascentes, a temperatura é de 13,8°C, o pH de 7,2 unidades de pH, a condutividade 100 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 59,4 mg/1, bicarbonatos de 26,0 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 15,0 mg Cl/l, fluoretos de 0,1 mg F/1, sulfatos de 4,4 mg SO4/1, sílica de 17,4 mg SiO2/1, nitratos de 0,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 14,7 mg Na/l, potássio de 2,1 mg K/1, cálcio de 4,6 mg Ca/l, magnésio de 3,1 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 0,8 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 4,1 mg CO2/1.
Quanto às características físico-químicas médias da água fornecida pelas cisternas, a temperatura é de 17,0 °C, o pH de 7,9 unidades de pH, a condutividade 269 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 150,5 mg/l, bicarbonatos de 43,2 mg HCO3/1, carbonatos de 1,3 mg CO3/1, cloretos de 42,6 mg Cl/l, fluoretos de 0,0 mg F/1, sulfatos de 11,3 mg SO4/1, sílica de 2,9 mg SiO2/1, nitratos de 0,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 27,5 mg Na/l, potássio de 2,8 mg K/1, cálcio de 11,2 mg Ca/l, magnésio de 3,5 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,7 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 2,2 mg CO2/1.
A água obtida a partir dos furos tem valores médios de temperatura de 14,9°C, o pH de 7,6 unidades de pH, a condutividade 1500 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 804,4 mg/1, bicarbonatos de 143,9 mg HCO3/1, carbonatos de 0,0 mg CO3/1, cloretos de 310,4 mg Cl/l, fluoretos de 0,6 mg F/1, sulfatos de 149,3 mg SO4/1, sílica de 21,3 mg SiO2/1, nitratos de 0,1 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 203,9 mg Na/l, potássio de 13,4 mg K/1, cálcio de 15,5 mg Ca/l, magnésio de 35,8 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 2,3 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 7,9 mg CO2/1.
A água obtida a partir dos poços de maré tem valores médios de temperatura de 16,1°C, o pH de 8,0 unidades de pH, a condutividade 7350 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 4278,6 mg/1, bicarbonatos de 318,1 mg HCO3/1, carbonatos de 0,0 mg CO3/1, cloretos de 2092,7 mg Cl/l, fluoretos de 1,4 mg F/1, sulfatos de 271,2 mg SO4/1, sílica de 16,7 mg SiO2/1, nitratos de 0,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 1249,6 mg Na/l, potássio de 48,8 mg K/1, cálcio de 44,6 mg Ca/l, magnésio de 172,0 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 4,7 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 4,39 mg CO2/1.
Quanto às características físico-químicas médias da água fornecida pela lagoa do Calado, a temperatura é de 12,4°C, o pH de 6,4 unidades de pH, a condutividade 38 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 33,7 mg/1, bicarbonatos de 3,8 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 13,7 mg Cl/1, fluoretos de 0,0 mg F/l, sulfatos de 0,3 mg SO4/1, sílica de 1,0 mg SiO2/1, nitratos de 0,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 9,1 mg Na/l, potássio de 0,7 mg K/1, cálcio de 1,9 mg Ca/l, magnésio de 1,1 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 4,6 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 4,0 mg CO2/1.
Na ilha de S. Jorge, existem ribeiras permanentes tais como a ribeira de S. João e a ribeira dos Vimes, mas que não são usadas para consumo humano. A ilha, devido à forte pluviosidade e à existência de áreas compactadas, tem um número muito elevado de aquíferos subsuperficiais que originam as oitenta nascentes usadas no abastecimento público. São nascentes de fraco caudal que levam a população, especialmente a da costa sul, ao uso de cisternas. A utilização do aquífero de base com a abertura de furos é recente, tendo-se efectuado no concelho das Velas a abertura de três furos, um na zona de Entremorros na Vila das Velas, um no Livramento e o último na Fajã de Santo Amaro.
Quanto às características físico-químicas médias da água fornecida pelas nascentes, a temperatura é de 14,9°C, o pH de 7,1 unidades de pH, a condutividade 180 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 120,6 mg/l, bicarbonatos de 30,7 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 25,6 mg Cl/l, fluoretos de 0,1 mg F/1, sulfatos de 5,4 mg SO4/1, sílica de 23,8 mg SiO2/l, nitratos de 1,4 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 20,7 mg Na/l, potássio de 2,8 mg K/1, cálcio de 4,6 mg Ca/l, magnésio de 4,9 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,1 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 6,1 mg CO2/1.
A água obtida a partir dos furos tem valores médios de temperatura de 19,3°C, o pH de 7,5 unidades de pH, a condutividade 3890 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 1788,9 mg/1, bicarbonatos de 162,7 mg HCO3/1, carbonatos de 0,0 mg CO3/1, cloretos de 859,6 mg Cl/l, fluoretos de 0,6 mg F/1, sulfatos de 141,4 mg SO4/l, sílica de 46,9 mg SiO2/1, nitratos de 1,2 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 447,1 mg Na/l, potássio de 30,2 mg K/1, cálcio de 49,7 mg Ca/1, magnésio de 86,8 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 2,7 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 9,7 mg CO2/1.
Quanto às características físico-químicas médias da água fornecida pelas cisternas, a temperatura é de 17,0 °C, o pH de 7,9 unidades de pH, a condutividade 269 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 150,5 mg/l, bicarbonatos de 43,2 mg HCO3/1, carbonatos de 1,3 mg CO3/1, cloretos de 42,6 mg Cl/1, fluoretos de 0,0 mg F/1, sulfatos de 11,3 mg SO4/1, sílica de 2,9 mg SiO2/1, nitratos de 0,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 27,5 mg Na/1, potássio de 2,8 mg K/1, cálcio de 11,2 mg Ca/l, magnésio de 3,5 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,7 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 2,2 mg CO2/1.
A ilha Graciosa, sob o ponto de vista hidrológico, é a que apresenta menores disponibilidades em água para consumo humano. Os aquíferos usados são fundamentalmente o de base ou costeiro, onde estão em funcionamento quatro furos e dezasseis nascentes de fraco caudal, que surgem nos poucos aquíferos subsuperficiais. Quanto às características físico-químicas médias da água das nascentes, têm uma temperatura de 15,5°C, um pH de 7,3 unidades de pH, uma condutividade 267 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 188,6 m g/l, bicarbonatos de 43,0 mg HCO3/1, carbonatos de 0,0 mg CO3/1, cloretos de 49,2 mg C/1, fluoretos de 0,3 mg F/1, sulfatos de 6,7 mg SO4/1, sílica de 32,1 mg SiO2/1, nitratos de 1,4 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 34,3 mg Na/1, potássio de 3,9 mg K/1, cálcio de 9,3 mg Ca/l, magnésio de 7,6 mg Mg/1, grau de oxidabilidade em meio ácido de 2,1 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 4,7 mg CO2/1.
Quanto às características físico-químicas médias da água dos furos, têm uma temperatura de 22,5°C, um pH de 7,6 unidades de pH, uma condutividade 1313 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 777,3 mg/l, bicarbonatos de 74,5 mg HCO3/1, carbonatos de 0,0 mg CO3/l, cloretos de 331,3 mg Cl/l, fluoretos de 0,3 mg F/1, sulfatos de 30,4 mg SO4/1, sílica de 35,5 mg SiO2/1, nitratos de 3,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 165,4mg Na/l, potássio de 11,2mg K/1, cálcio de 31,5 mg Ca/l, magnésio de 33,2 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 3,3 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 4,2 mg CO2/1.
Sob o ponto de vista de recursos hídricos, a ilha Terceira não é homogénea. As linhas de água permanentes encontram-se na costa norte, sendo as mais importantes a ribeira da Agualva e a ribeira dos Moinhos. As lagoas existentes estão praticamente transformadas em charcos, devido ao assoreamento motivado pela implantação de pastos a cotas superiores a 300 m. No interior da ilha, a existência de grandes bacias endorreicas permite o aparecimento de nascentes com elevados caudais, como é o caso das nascentes do Nasce Água na encosta sul e as da Agualva e Moinhos na encosta norte. As áreas NW, W, SW, NE, E e SE da ilha são pobres em aquíferos subsuperficiais, tendo-se recorrido, nas três primeiras, à construção de lagoas artificiais e, nas três últimas, ao uso do aquífero costeiro com a abertura de furos e poços. Nas freguesias do NW, W e SW um grande número de casas mantém ainda o uso das suas cisternas, enquanto nas freguesias do NE, E e SE alguns poços ainda são usados, apesar de toda a ilha ter abastecimento público de água, utilizando-se na globalidade para este fim sessenta e sete nascentes, oito furos e duas lagoas artificiais.
Quanto às características físico-químicas médias da água fornecida pelas nascentes, a temperatura é de 14,2°C, o pH de 7,1 unidades de pH, a condutividade 131 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 125,7 mg/l, bicarbonatos de 28,2 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/l, inexistentes, cloretos de 25,2 mg Cl/l, fluoretos de 0,6 mg F/1, sulfatos de 4,7 mg SO4/1, sílica de 43,2 mg SiO2/1, nitratos de 4,2 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 33,2 mg Na/l, potássio de 4,4 mg K/l, cálcio de 2,2 mg Ca/l, magnésio de 2,8 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,2 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 4,1 mg CO2/1.
A água obtida a partir dos furos tem valores médios de temperatura de 19,5°C, o pH de 7,5 unidades de pH, a condutividade 1145 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 720,7 mg/l, bicarbonatos de 99,4 mg HCO3/l, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 309,0 mg Cl/l, fluoretos de 0,6 mg F/1, sulfatos de 39,8 mg SO4/l, sílica de 58,7 mg SiO2/1, nitratos de 6,2 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 182,3 mg Na/l, potássio de 16,0 mg K/1, cálcio de 29,1 mg Ca/l, magnésio de 33,4 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,4 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 5,0 mg CO2/1.
Quanto às características físico-químicas médias da água fornecida pelas cisternas, a temperatura é de 17,0°C, o pH de 7,8 unidades de pH, a condutividade 275 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 153,0 mg/l, bicarbonatos de 45,0 mg HCO3/1, carbonatos de 1,0 mg CO3/1, cloretos de 41,2 mg Cl/l, fluoretos de 0,0 mg F/1, sulfatos de 10,8 mg SO4/1, sílica de 2,5 mg SiO2/1, nitratos de 0,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 28,5 mg Na/l, potássio de 2,5 mg K/1, cálcio de 12,2 mg Ca/l, magnésio de 3,3 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,8 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 2,8 mg CO2/1.
As características físico-químicas médias da água fornecida pelos poços são, para a temperatura, 16,7°C, o pH de 7,5 unidades de pH, a condutividade 682 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 445,3 mg/1, bicarbonatos de 124,0 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 117,7 mg Cl/l, fluoretos de 0,2 mg F/1, sulfatos de 29,5 mg SO4/1, sílica de 21,3 mg SiO2/1, nitratos de 32,2 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 91,6 mg Na/l, potássio de 23,0 mg K/1, cálcio de 17,3 mg Ca/l, magnésio de 13,8 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 3,0 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 7,9 mg CO2/1.
A água das lagoas artificiais apresenta características físico-químicas médias para a temperatura de 11,6°C, o pH de 7,1 unidades de pH, de condutividade 51 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 50,0 mg/1, bicarbonatos de 45,0 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 19,7 mg Cl/l, fluoretos de 0,0 mg F/1, sulfatos de 2,1 mg SO4/1, sílica de 1,1 mg SiO2/1, nitratos de 0,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 9,8 mg Na/l, potássio de 0,8 mg K/1, cálcio de 0,9 mg Ca/l, magnésio de 0,6 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,2 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 2,7 mg CO2/1.
Sob o ponto de vista de recursos hídricos, a ilha de S. Miguel pode ser dividida em quatro regiões:
O maciço das Sete Cidades, formado por um aparelho vulcânico ocupado na parte central por uma enorme cratera de explosão e afundimento, a caldeira das Sete Cidades, dentro da qual há aparelhos vulcânicos secundários tendo algumas das suas crateras ocupadas por lagoas. As mais importantes são a lagoa das Sete Cidades, a de Santiago e a Rasa. Na periferia deste maciço existem outros aparelhos vulcânicos, cujas crateras estão preenchidas também por lagoas, tais como a das Empadadas, a do Canário, a do Junco e os Caldeirões da lagoa Rasa e da Vaca Branca.
Entre o maciço das Sete Cidades e o de Água de Pau, encontra-se uma zona de transição, isenta de linhas de água, que é a chamada Região dos Picos.
O maciço de Água de Pau é constituído por um aparelho vulcânico que apresenta uma cratera principal preenchida pela lagoa do Fogo e apresenta, quer para o lado norte quer para o lado sul, linhas de água, sendo as mais importantes a ribeira da Ribeira Grande e a ribeira da Praia. Na ribeira da Ribeira Grande há um aproveitamento hidroeléctrico.
O planalto da Achada e complexos vulcânicos das Furnas e Povoação apresentam crateras preenchidas por lagoas, sendo a mais importante a lagoa do Congro. O complexo das Furnas é formado por uma grande cratera, na qual se encontra a lagoa das Furnas. O complexo da Povoação é formado por uma cratera semicircular, no interior da qual se formam vales estreitos que separam as Lombas da Povoação e onde correm ribeiras.
A região do nordeste e serra da Tronqueira com o maciço do pico da Vara para oriente forma vales profundos onde correm inúmeras ribeiras permanentes tais como a da Salga, do Lenho, do Machado e do Guilherme, que desaguam na costa norte e a ribeira Quente, do Purgar e do Faial, que se dirigem para a costa sul. Na ribeira Quente há um aproveitamento hidroeléctrico.
Todas as freguesias da ilha possuem rede de abastecimento público de água, cuja principal origem são aproximadamente duzentas e vinte e quatro nascentes de aquíferos subsuperficiais. Como estas estão na completa dependência do regime de pluviosidade, durante a estação seca o seu caudal baixa de um modo dramático originando graves dificuldades de obtenção de água. Para conseguir um abastecimento sem interrupções, alguns concelhos recorreram à água de lagoas. Nos concelhos do nordeste e da Ribeira Grande, onde este problema é agudo, há projectos para captar a água de algumas ribeiras. Na zona de transição dos Cinco Picos foram abertos três furos para abastecimento à cidade de Ponta Delgada.
As características físico-químicas médias da água fornecida pelas nascentes são a temperatura de 14,1°C, o pH de 7,3 unidades de pH, a condutividade 162 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 146,0 mg/1, bicarbonatos de 34,1 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 25,2 mg Cl/l, fluoretos de 0,4 mg F/1, sulfatos de 6,4 mg SO4/1, sílica de 40,4 mg SiO2/1, nitratos de 2,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 28,8 mg Na/l, potássio de 6,3 mg K/1, cálcio de 4,3 mg Ca/l, magnésio de 3,5 mg mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,1 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 3,7 mg CO2/1.
As características físico-químicas médias da água fornecida pelos furos são a temperatura de 16,1°C, o pH de 7,3 unidades de pH, a condutividade 1054 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 644,2 mg/1, bicarbonatos de 80,9 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 211,5 mg Cl/l, fluoretos de 1,5 mg F/1, sulfatos de 9,8 mg SO4/1, sílica de 53,1 mg SiO2/1, nitratos de 3,1 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/l, não detectável, sódio de 155,8 mg Na/l, potássio de 17,4 mg K/1, cálcio de 13,9 mg Ca/l, magnésio de 15,0 mg mg/1, grau de oxidabilidade em meio ácido de 2,1 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 8,3 mg CO2/1.
As características físico-químicas médias da água fornecida pelas lagoas são a temperatura de 10,6°C, o pH de 6,6 unidades de pH, a condutividade 51 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 51,2 mg/1, bicarbonatos de 10,3 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 11,5mg Cl/l, fluoretos de 0,0 mg F/1, sulfatos de 1,1 mg SO4/1, sílica de 0,0 mg SiO2/1, nitratos de 0,0 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 6,7 mg Na/l, potássio de 0,9 mg K/1, cálcio de 1,4 mg Ca/l, magnésio de 1,1 mg mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 4,8 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 5,5 mg CO2/1.
As características físico-químicas médias da água fornecida pelas ribeiras projectadas para ser usadas no abastecimento são a temperatura de 15,9°C, o pH de 7,2 unidades de pH, a condutividade 96 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 84,9 mg/1, bicarbonatos de 22,8 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 16,4 mg C/1, fluoretos de 0,1 mg F/1, sulfatos de 2,3 mg SO4/1, sílica de 23,1 mg SiO2/1, nitratos de 0,4 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 17,0 mg Na/l, potássio de 2,2 mg K/1, cálcio de 2,6 mg Ca/l, magnésio de 3 mg mg/1, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,5 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 3,4 mg CO2/1.
Os recursos hídricos da ilha de Santa Maria são fracos, apresentando ribeiras do tipo torrencial na parte nordeste e sudeste, com a zona oeste quase isenta de linhas de água. Quanto aos aquíferos subsuperficiais, as quarenta e três nascentes neles existentes têm fraco caudal e na sua maioria secam na estação de estiagem. O recurso hídrico da maior importância é o aquífero de base onde foram abertos e estão em funcionamento seis furos.
As características físico-químicas médias da água das nascentes são a temperatura de 16,7°C, um pH neutro de 7,2 unidades de pH, uma condutividade 326 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 221,8 mg/1, bicarbonatos de 42,1 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 67,7 mg Cl/l, fluoretos de 0,2 mg F/1, sulfatos de 11,7 mg SO4/1, sílica de 35,1 mg SiO2/1, nitratos de 1,6 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 41,0 mg Na/l, potássio de 3,7 mg K/1, cálcio de 11,7 mg Ca/l, magnésio de 10,3 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,5 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 4,0 mg CO2/1.
As características físico-químicas médias da água dos furos são a temperatura de 19,6°C, um pH neutro de 7,7 unidades de pH, uma condutividade 508 mS (microSiemens), um resíduo seco a 180°C, de 336 mg/1, bicarbonatos de 88,8 mg HCO3/1, carbonatos expressos em CO3/1, inexistentes, cloretos de 80,9 mg Cl/l, fluoretos de 0,3 mg F/1, sulfatos de 17,4 mg SO4/1, sílica de 57,3 mg SiO2/1, nitratos de 1,1 mg NO3/1, fosfatos expressos em mg P2O5/1, não detectável, sódio de 53,2mg Na/l, potássio de 5,7 mg K/1, cálcio de 16,9 mg Ca/l, magnésio de 16,7 mg Mg/l, grau de oxidabilidade em meio ácido de 1,4 mg O2/1 e anidrido carbónico livre de 4 mg CO2/l.
Como se verifica pelos valores médios apresentados para as diferentes origens de água potável usadas em cada ilha, a presença de elevados conteúdos em sais é manifesta nos furos. A concentração em nitratos apresenta valores médios abaixo de 10 mg/l, considerado como o limite de utilização da água dada a recém-nascidos (Ernerick, 1974; Terblanche, 1991), com excepção para a água dos poços explorados na ilha Terceira, onde o valor médio ultrapassa 25 mg NO3/1. No entanto, em todas as ilhas, manifesta-se uma tendência, dependente do tempo, para aumentar as concentrações em nitratos (Lobo, 1993a). A presença de excesso de fluoretos, directamente ligada ao aparecimento de fluorose, é notória nas ilhas Terceira e S. Miguel.
As características microbiológicas das águas de abastecimento público têm evoluído muito positivamente nestes últimos 10 anos, estando actualmente todas as freguesias dos concelhos de Vila do Corvo, Santa Cruz das Flores, S. Roque do Pico, Horta, Santa Cruz da Graciosa, Praia da Vitória, Angra do Heroísmo e cidade de Ponta Delgada a receber água desinfectada com cloro. Os restantes concelhos estão em vias de proceder ao processo de desinfecção pelo mesmo produto.
ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO Durante o período de povoamento dos Açores, que se realizou entre 1450 e 1548 (Departamento Regional de Estudos e Planeamento dos Açores, 1981), as preocupações com a obtenção da água para beber, usos domésticos e usos agrícolas, fizeram parte do quotidiano dos primeiros habitantes. A pouco e pouco foram encontrando nascentes, construíram cisternas, abriram poços e «poços de maré», junto ao mar, e usaram a água das poucas ribeiras permanentes. Após esse período, a partir de nascentes construíram encanamentos de barro cozido para os centros urbanos mais importantes (Sampaio, 1904), sendo a água dada ao público por intermédio de fontanários. Nos finais do século xix, a maioria das freguesias, em todo o arquipélago, estavam abastecidas por fontanários públicos. Os nobres e comerciantes abastados possuíam fontanários particulares. Estes sistemas antigos de abastecimento podiam classificar-se em dois tipos: por gravidade com distribuição domiciliária e por gravidade sem distribuição domiciliária, pelo método da *arquinha. O dimensionamento das redes abastecedoras foi efectuado nos finais do século xix, para caudais muito baixos, já que as exigências da população se resumiam a água para uso culinário, lavagem da roupa e alguma higiene. A população de certos lugares sofria tais restrições em água que, por exemplo, na memória descritiva para a construção de um reservatório, na freguesia da Fonte do Bastardo, em 1884, com 700 habitantes à data, se declarava: «considero que a construção de um reservatório de 600 m3, que dará entre 5 a 6 litros de água/dia e hab., é suffeciente para uma população habituada a soffrer grande falta deste elemento» (Junta Geral de Angra do Heroísmo, 1884). Apesar de a população do arquipélago, na sua globalidade, não ter sofrido um aumento manifesto, tendo havido mesmo um decréscimo a partir de 1960, a lenta modificação dos hábitos de higiene, a partir da II Guerra Mundial, tornou todos os abastecimentos dimensionados para um consumo muito baixo, completamente obsoletos. A partir de Agosto de 1944, com o decreto-lei 33 863 (Gonzalez, 1991), iniciou-se a substituição das redes de abastecimento em barro por redes de abastecimento em fibrocimento, com distribuição domiciliária em ferro galvanizado, mantendo-se em funcionamento num grande número de lugares as redes antigas por gravidade com arquinha, até princípios dos anos 80.
O uso, durante quarenta anos, de redes de fibrocimento transportando água, com um valor médio de anidrido carbónico livre de 4,1 mg/l e um conteúdo baixo em sais de cálcio, levou ao desaparecimento total de grandes porções das mesmas, inutilizando-as. A partir da década de 80, com o aparecimento de maiores facilidades económicas e de acesso ao crédito, efectuou-se a construção de casas de banho modernas e iniciou-se a compra de máquinas de lavar louça e roupa. Toda esta situação implicou uma falta de água muito significativa, ficando na estação seca algumas freguesias durante meses com apenas dois dias por semana com duas horas de água. A entrada de Portugal na CEE favoreceu a construção de novos abastecimentos e em todas as ilhas do arquipélago, a partir de 1987, se iniciou o processo de substituição das redes obsoletas em barro e em fibrocimento por redes em cloreto de polivinilo (PVC). Num grande número destas novas redes, a água está sujeita a tratamento de desinfecção por cloro. Para manter a pressão de água nestas redes foi necessário proceder à captação de novos mananciais e recorrer às águas de lagoas e à construção de lagoas artificiais.
abastecimento por gravidade com distribuição domiciliária Sistemas de abastecimento em tudo semelhantes aos de gravidade sem distribuição domiciliária, utilizados nas ilhas dos Açores a partir dos finais do século xix e adicionados da distribuição domiciliária por meio de um sistema de *arquinha com distribuição em tubo de chumbo. Nestes sistemas utilizava-se como unidade de medida de água a *palha de água. sem distribuição domiciliária Nestes sistemas de abastecimento, a água das nascentes era recolhida por meio de um canal de junção, e lançada no receptáculo da caixa de água. As captações ou caixas de água eram executadas em pedra e cobertas com uma tampa ou porta de madeira, provida de uma fechadura rudimentar, que a vedava do acesso de pessoas e animais. A partir da base da caixa de água saía o encanamento de barro, que a ligava aos fontanários nas freguesias. Ao longo de todo o seu percurso, de 100 em 100 m, colocavam-se estruturas semelhantes às caixas de água empregues nas captações, para poder proceder à sua limpeza periódica e simultaneamente impedir o aparecimento de uma pressão demasiado elevada, susceptível de produzir a sua ruptura (Junta Geral de Angra do Heroísmo, 1884).
Quando as disponibilidades das nascentes eram insuficientes, o sistema estava ligado a um reservatório, cujo papel regulador dos caudais era de extrema importância, especialmente na época de estiagem.
caixa de água Caixas executadas em pedra e cobertas com uma tampa ou porta de madeira, provida de uma fechadura rudimentar do mesmo material. A água das nascentes era reunida numa caleira que entrava na parte superior da caixa e posteriormente distribuída pelo encanamento de barro ligado à parte inferior da mesma.
reservatório de água Nos sistemas de abastecimento por gravidade, quando as disponibilidades de água eram insuficientes, a rede em tubo de barro era ligada a grandes construções de pedra, arquitectonicamente formadas por câmaras de tecto abobado, sustentado por pilares, que constituíam locais de armazenamento de água. Maria Adelaide Lobo (Nov.1995)
Bibl. Departamento Regional de Estudos e Planeamento dos Açores (1981), Aspectos Demográficos, Açores 78. Angra do Heroísmo, DREPA. Emerick, R. J. (1974), Consequences of High Nitrate Levels in Peed and Water Supplies. Federation Proceedings, 33, 5: 1183-1187. Fetter, C. W. (1993), Contaminant Hidrogeology. Macmillan Publishing. Gonzalez, J. V. (1991), A hidroelectricidade nos Açores - os casos de S. Miguel e das Flores (Encontro técnico sobre a água, Furnas, S. Miguel, 1991). Policopiado. Junta Geral de Angra do Heroísmo (1884), Orçamentos, 2.º semestre, livro 24. Angra do Heroísmo, JGAH. Huschke, R. E. (1959), Glossary of Meteorology.
