agrião ou agrião-de-água

Nome vulgar de Nasturtium officinale (Cruciferae). Nasturtium é uma palavra de origem latina derivando de nasus, nariz, e tortus, torto, designação atribuída por Plínio às plantas de cheiro desagradável. Dicotiledónea. Planta herbácea e vivaz que se desenvolve junto das fontes e riachos ou em lugares permanentemente húmidos. Açores, Madeira, Canárias, Europa e Ásia. Foi introduzida na América e noutras regiões.

HISTÓRIA NATURAL O agrião pode atingir a altura de 60 cm, «prostrado proximalmente, frequentemente radicante, depois ascendente ou flutuante» (Franco, 1971). Folhas pecioladas, penatipartidas a penatissectas, apresentando as folhas inferiores 1-3 segmentos, as superiores 5-9 ou mais, com o segmento terminal nitidamente maior que os restantes. Flores de pétalas brancas, raramente pálido-purpurascentes. Fruto, silíqua com 13-18 x 2 mm. Sementes distintamente bisseriadas em cada lóculo.

CULTURA E UTILIZAÇÃO Esta planta é muito sensível à poluição e, possivelmente por essa razão, vem desaparecendo de muitas zonas onde ainda há alguns anos crescia abundantemente. Hoje, raramente aparece nos mercados. O agrião não é cultivado nos Açores. No entanto, é uma planta hortícula de elevado rendimento, pois produz facilmente 10 cortes. A sua cultura exige uma apurada técnica e água corrente de boa qualidade. Parece que apenas os horticultores da região de Almargem do Bispo (Sintra) reúnem estas duas condições e abastecem a cidade de Lisboa com agrião cultivado.

Foi usado no tratamento da tuberculose. O elevado teor de cálcio, ferro, iodo e vitaminas e ainda um óleo volátil que lhe confere o sabor picante e propriedades bactericidas e fungicidas, justifïcam a sua utilização como medicinal. Nos Açores usou-se o xarope de agrião para a tosse e anemia, mas esse hábito caiu no esquecimento. Em culinária o paladar ligeiramente amargo e picante das folhas tornam a sua adição a sopas e saladas muito desejável. O agrião só deve ser consumido cru quando cresce em águas puras, o que raramente acontece nos Açores. Raquel Costa e Silva (Out.1996)

MEDICINA POPULAR Usada nos Açores para abrir o apetite e combater a fraqueza geral, em saladas e sopas. Mas é sobretudo, como expectorante e fortificante nas doenças pulmonares, utilizada em xarope: colhida uma certa quantidade de agrião, tiram-se as folhas e flores, deixando-se os talos, que são levados ao forno, entremeados de igual quantidade de açúcar, numa caçarola de barro com o fundo furado, sobre outra caçarola um pouco maior, para onde escorra o xarope conseguido. Deixado arrefecer, guarda-se em frascos de vidro. Toma-se uma colher de sobremesa, três vezes ao dia. Francisco Dolores (Mar.1996)

Bibl. Bown, D. (1995), The Royal Horticultural Society Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres: 316. Coutinho, A. X. P. (1913), A Flora de Portugal. Lisboa: 265. Franco, J. A. (1978), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. I: Lycopodiaceae-Umbelliferae. Lisboa, Sociedade Astória: 211-212. Grieve, M. (1975), A Modern Herbal. Londres, Jonathan Cape Ltd.: 845. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves: 41-42. The New Royal Horticultural Society Diccionary of Gardening (1992), Londres, MacMillan Press Ltd., III: 294-295. Thierry, C. (s.d.), Plantas que curam. 2.ª ed., Lisboa, Biblioteca Agrícola.