agaváceas

(Agavaceae) Monocotiledóneas. Família botânica que inclui 18 géneros, 580 espécies de plantas herbáceas e árvores pouco ramificadas. Agavos, em grego, significa admirável, referindo-se possivelmente ao aspecto do agave em flor.

A parte subterrânea das plantas desta família é frequentemente rizomatosa e com raízes fibrosas, por vezes agrupadas. As folhas dispostas em espiral, formando rosetas, são estreitas, suculentas, normalmente fibrosas e com margens espinhosas. As inflorescências podem atingir grande altura, são terminais, geralmente cachos ou panículas. As flores podem ser de dois tipos: de ovário súpero como, por exemplo, nas «línguas de sogra» (Sansevieria trifasciata) ou de ovário ínfero como as «piteiras» (Agave americana). O ovário é trilocular. O fruto é uma baga ou uma cápsula. Pertencem a esta família numerosas plantas com interesse económico, utilizadas para extracção de fibra, na produção de bebidas alcoólicas (de entre as quais a tequilla vem adquirindo crescente procura), para extracção de substâncias hormonais, usadas em pílulas como contraceptivos, produção de verniz como o «sangue de dragão», perfumes e numerosas plantas ornamentais.

Dos géneros desta família, encontram-se representados nos Açores: Agave, as plantas deste género são oriundas da América tropical e sul dos Estados Unidos. A piteira (Agave americana) é bastante comum no arquipélago. Menos frequente, mas também cultivado, e igualmente designado por piteira, o Agave attenuata produz uma inflorescência lindíssima apresentando a grande vantagem de não ser espinhoso. Ambos resistem bem às ressalgas. Cordyline, cujas espécies são originárias da Australásia, Polinésia, Havai e Ásia do Sueste. Pertence a este género a atadeira (Cordyline terminalis), da qual se podem observar nos jardins belos exemplares. A designação de «atadeira» dada a esta planta provém da utilização das suas folhas, desfiadas, para atar a vinha.

Também há cordilines deste género de folhas coloridas, usadas como ornamentais de interior (Cordyline fruticosa, Cordyline australis) bastante populares por se adaptarem muito bem em condições de iluminação deficiente, o que até acentua o colorido das folhas. Dracaena, que inclui plantas originárias da África ocidental e Macaronésia, entre as quais o dragoeiro (Dracaena draco). Há também numerosas dracenas cultivadas em vaso e usadas como plantas de interior (Dracaena deremensis, Dracaena fragans, Dracaena marginata, Dracaena reflexa, Dracaena sanderiana), que têm a mesma capacidade das Cordylines de se adaptarem a condições de luz deficiente com vantagem para o colorido das folhas. Phormium, que integra duas espécies, ambas originárias da Nova Zelândia. O espadão, também conhecido por *espadana ou linho-da-Nova-Zelândia (Phormium tenax), é bastante comum nos Açores. Esta planta foi cultivada no período da II Guerra Mundial em S. Miguel e Terceira, para extracção de fibra, actividade que cessou após a guerra. Subsistem porém alguns exemplares, geralmente nos cantos dos serrados, cujas folhas esfiadas são usadas como atadeira. É uma planta ornamental e interessante para jardim, com óptima folhagem para arranjos florais, mas nos Açores raramente é usada com essas finalidades. Sansevieria, cujas plantas são originárias da Nigéria, as línguas de sogra, também conhecidas por espadas (Sansevieria trifasciata), são bastante populares. Nos Açores, só podem cultivar-se como plantas de interior, pois não suportam a elevada pluviosidade que se verifica nestas ilhas. Em contrapartida, suportam a falta de água por longos períodos e até uma boa dose de negligência. Em S. Miguel, nas estufas de ananás, produzem-se Sansevierias de boa qualidade. O principal atractivo desta planta são as folhas que podem atingir mais de 75 cm de comprimento e 7 cm de largura. São achatadas, suculentas e brilhantes, por vezes formando rosetas de cor ligeiramente azulada, com marcas horizontais amarelas ou verde-claras nas duas páginas, nalguns casos marginadas ou estriadas de amarelo ou branco. As flores, cuja produção é errática, dispostas em cachos, amarelo-esverdeadas, são pouco vistosas. Emitem à noite um aroma agradável. Yucca, de plantas originárias da América do Norte e Índias Ocidentais. A espécie mais conhecida nos Açores é a Yucca gloriosa, oriunda da América do Norte. Não tem nome vulgar. Esta lindíssima planta existe, há longos anos, em jardins abrigados do vento, onde adquire a máxima beleza. Os caules vigorosos e erectos, por vezes ramifïcados, são revestidos por folhas azuladas, em forma de espada e terminadas por um espinho agudo. O escapo floral surge na parte terminal dos caules, nas axilas das folhas e atinge mais de um metro de altura. As flores são de cor branco-creme, em grande número e dispostas em panículas. Nos últimos anos, têm vindo a plantar-se alguns exemplares na orla marítima, mas sofrem muito com as ressalgas. A Yucca filamentosa, planta que se desenvolve em maciços e cujas folhas apresentam filamentos nas margens, não tem espinhos mas também não tem a beleza da anterior. Os poucos exemplares existentes apresentam bom desenvolvimento. Também da família Agavaceae, mas pouco comuns, são a Nolina recurvata, originária do México, e Furcraea foetida, do Brasil. Raquel Costa e Silva (2006)

Bibl. Bown, D. (1995), The Royal Horticultural Society Encyclopedia of Herbs & Their Uses, Londres: 230. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores, Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves: 139. The New Royal Horticultural Society Diccionary of Gardening (1992), Londres, MacMillan Press Ltd., I: 83-87.