agar-agar
Mucilagem ou goma vegetal obtida a partir da parede celular de algumas algas vermelhas marinhas. É um polissacarídeo composto basicamente por polímeros de galactoses sulfatadas e piruvatadas. O agar-agar é solúvel em água e produz soluções altamente viscosas, desprovidas de gosto e cheiro, que não coagulam com o calor nem congelam com o arrefecimento, sendo por isso muito importantes como estabilizadores e emulsificadores. Essas soluções quando misturadas com substâncias nutritivas permanecem estáveis, sendo por isso muito utilizadas em microbiologia para culturas de bactérias. Para além disso, o agar-agar tem muitas outras utilizações: na produção de tintas e impermeabilização de tecidos e papel, como estabilizador em gelados, cremes, batidos, bolos e gelatinas, em cosméticos e loções, no transporte de alimentos congelados, na graxa dos sapatos, em laxantes, na preparação fotográfica, na odontologia, na cirurgia plástica, na criminologia, na confecção de cápsulas para medicamentos, nas preparações museológicas, em escultura, entre outras. Calcula-se, porém, que cerca de 50 % das vendas mundiais são para fins médicos e científicos.
Nos Açores o agar-agar é produzido essencialmente a partir do musgo (Pterocladia capillacea), embora por vezes também se utilize o cabelão (Gelidium microdon), duas algas vermelhas da família Gelidiaceae, muito comuns no litoral dos Açores. O cabelão ocorre exclusivamente na zona das marés, enquanto o musgo se estende para dentro de água até cerca de 10-15 m de profundidade. A colheita dessas algas é feita manualmente, visitando o litoral durante os períodos de baixa-mar ou então por mergulho livre na zona sublitoral adjacente.
O interesse pelo potencial económico da produção de agar-agar nos Açores só surgiu em 1961, com a implementação da primeira unidade fabril em S. Miguel (Pereira e Pereira), a qual viria a fechar em 1975. Reaberta em 1980, com o nome de Iberagar, manteve-se em funcionamento até 1994. Em 1969 surgiu na ilha Terceira uma segunda fábrica (Sociedade Atlântica Lusitana de Algas, ALA), que laborou até 1992. Actualmente ambas as indústrias estão desactivadas, continuando contudo a comprar matéria-prima, que exportam e que é laborada fora da Região. Existem também em S. Miguel outros concentradores que compram a alga seca aos apanhadores e a exportam directamente ou através de intermediários para o Japão. Mesmo quando a alga era laborada na Região, o Japão figurava entre os principais compradores do agar-agar, conjuntamente com a União Soviética, Alemanha, Itália e Espanha. Durante a laboração destas indústrias nos Açores, o número de postos de trabalho delas dependentes variou. A ALA manteve sempre cerca de 25 trabalhadores efectivos e um número variável de trabalhadores sazonais (Leovegildo N. Soares, com. pess.). A Iberagar inicialmente (1980) possuía 50 trabalhadores efectivos, mas nos últimos anos de laboração esse número cifrava-se apenas em 10, sendo cerca de 200 os trabalhadores sazonais, envolvidos na apanha e secagem das algas (Rafael Vela, com. pess.). A produção anual de agar-agar na Iberagar rondou as 50 t, tendo começado a descer a partir de 1992 para se cifrar em apenas 19 t no último ano de produção (Rafael Vela, com. pess.). Não há previsões quanto ao futuro destas indústrias nos Açores. Ana Isabel Neto (Nov.1995)
