adivinhas

As ilhas dos Açores têm uma rica tradição de adivinhas populares. Para a Terceira, por exemplo, dispomos da boa edição de Luís Ribeiro (1950). A recolha ainda inédita de Manuel da Costa Fontes na Califórnia inclui exemplos de S. Jorge e do Pico. É de supor que, como no caso de outros géneros de literatura tradicional - romances, quadras, contos, adágios -, as adivinhas açorianas também sejam de carácter arcaizante e conservador. Apesar da falta de textos portugueses medievais, a coincidência com outros ramos da tradição pan-ibérica assegura-nos da venerável antiguidade das adivinhas açorianas. Compare-se este exemplo terceirense: «Que é que é uma senhora muito assenhorada, que nunca sai de casa e está sempre alagada? (A língua)» (Enes, 1945-50: 200), com o seguinte exemplo da Argentina: «Una señorita muy aseñorada, que siempre está en casa (ou: nunca sale afuera) y siempre está mojada. (La lengua)» (Lehmann-Nitsche, 1911: n.º 319). Embora as notas comparativas de Luís Ribeiro sejam boas, o aspecto comparativo das adivinhas pan-ibéricas tem sido pouco estudado. Desde um ponto de vista mais amplo, uma obra admirável como a de Archer Taylor (1951), que compara as adivinhas dos países anglo-saxónicos com vasto panorama europeu e mundial, proporciona um excelente modelo para a futura investigação das adivinhas pan-ibéricas. Samuel G. Armistead (Nov.1995)

Bibl. Dias, M. A. B. L. (1982), Ilha Terceira: Estudo de Linguagem e etnografia. Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais: 400-403. Enes, I. (1945-50), Tradições populares da freguesia dos Altares da ilha Terceira. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, 3: 289-313; 5: 177-205; 8: 68-98. Lehmann-Nitsche, R. (1911), Adivinanzas rioplatenses. Buenos Aires, Coni Hermanos. Ribeiro, L. S. (1950), Adivinhas populares terceirenses. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 8: 114-43. Silveira, P. (1986), Algumas adivinhas populares colhidas na ilha das Flores. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 44: 317-327. Taylor, A. (1951), English Riddles from Oral Tradition. Berkeley-Los Angeles, University of California Press.