adiantáceas

Família de fetos, baseada no nome genérico Adiantum, constituída por plantas perenes de rizoma curto, suberecto a rastejante e revestido de escamas castanho-escuras, de frondes com estipe avermelhado a anegrado, brilhante e escamoso na base, de lâmina larga, geralmente várias vezes penatissectas, glabra a ligeiramente pubescente, com margens dos segmentos férteis deflexas e modificadas para formar pseudo-indúsios reniformes, lunulares ou oblongos, de soros inseridos na parte terminal das nervuras dos lobos, de esporângios esferoidais e de esporos triletes e tetraédrico-globosos. Desta família faz parte apenas o género Adiantum como consideram Palhinha (1966), Franco (1971), Pichi Sermolli (1977), Muñoz-Garmendia (1986), Salvo Tierra (1990) e Hansen e Sunding (1993). Outros autores como Moore (Tutin et al., 1993) e Gibby e Paul (1994) incluem nesta família outros géneros. Derrick et al. (1987) consideram que o género Adiantum deve ser incluído na família das sinopteridáceas.

Nos Açores ocorrem quatro espécies, duas que são conhecidas pelo nome de avenca, Adiantum capillus-veneris, mais comum, e A. raddianum, subespontânea, e outras duas introduzidas: A. hispidulum, subespontânea, e A. aneitense, ocasional.

A. hispidulum caracteriza-se por fetos de rizomas e de base do estipe cobertos de escamas estreitamente lanceoladas, castanhas e semiclatradas, de estipe maior do que a lâmina, vermelho-escuro e brilhante, de lâmina híspida, largamente ovada a deltóide, subpedatissecta, dicotomicamente dividida em 5 a 9 segmentos linear-oblongos, de segmentos de segunda ordem herbáceos subcoriáceos, trapezoidais e de pseudo-indúsio cordado a orbicular-cordado. Vive nos muros e sobre a terra em lugares húmidos de matas de criptomérias, de acácias e de outras árvores. Aparece nas ilhas do Faial, do Pico e de S. Miguel. Também é subespontânea na ilha da Madeira. Distribui-se pelas regiões tropicais e subtropicais da África Oriental e da Ásia, pela Polinésia, pela Austrália e Nova Zelândia. Embora Franco (1971) tivesse indicado esta espécie para as três ilhas, é Sjögren (1973) o primeiro botânico a localizá-la nas ilhas do Faial e de S. Miguel. Ao tratar de Adiantum hispidulum, Fernandes e Queirós (1980) apresentam uma boa descrição, uma lista de sinónimos e de citações bibliográficas, assim como tecem algumas considerações acerca desta espécie nos Açores.

A. aneitense é caracterizada por plantas de rizoma e de base do estipe revestidos por pequenas escamas lineares e castanho-escuras e clatradas, de estipe maior do que a lâmina, acastanhado e brilhante, de frondes com pêlos ferrugíneos na face abaxial da ráquis, largas, deltóides, 3-4-penatissectas, de segmentos de última ordem firmemente herbáceos, romboidais e subsésseis e de pseudo-indúsio reniforme. Vasconcellos (1968) é o primeiro botânico a indicar esta espécie como subespontânea na ilha do Faial, mas não dá qualquer informação sobre o local onde aparece. Provavelmente foi encontrada em sítio abrigado e húmido. Não é provável a sua extensão naquela ilha e noutras ilhas. Outros autores, como Hansen (1974), Derrick et al. (1987), Salvo Tierra (1990) e Hansen e Sunding (1993), também a indicam para os Açores ou para a região macaronésica sem darem qualquer esclarecimento complementar. Por outro lado, Akeroyd e Paul (Tutin et al., 1993) não a citam para os Açores, talvez porque a consideram ocasional. Originária da ilha Aneitum, actualmente distribui-se pela Australásia e pela Polinésia. É cultivada como ornamental em estufas, mas nos Açores em vasos no interior de casas. José Ormonde (Jun.1996)

Bibl. Derrick, R. N., Jermy, A. C. e Paul, A. M. (1987), Checklist of European Pteridophytes. Sommerfeltia, 6: I-XX, 1-94. Fernandes, A. e Queirós, M. (1980), Adiantum hispidulum (Adiantaceae), tab. XI In Fernandes, A. e Fernandes, R. B. (eds.), Iconographia Selecta Florae Azoricae. Conimbriga, Secretaria Regionali Culturae Regionis Autonomae Azorensis, 1, 1: 53-65. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. I: Lycopodiaceae-Umbelliferae. Lisboa, Sociedade Astória. Gibby, M. e Paul, A. M. (1994), In Press, J. R. e Short, M. J. (eds), Flora of Madeira. Londres, Museu de História Natural: 25-53, 471-474. Hansen, A. (1974), Plant List, Azores. Copenhaga, 32 pp. mss. Hansen, A. e Sunding, P. (1993), Flora of Macaronesia. Checklist of vascular plants. 4ª ed. rev. Sommerfeltia, 17: 1-195. Muñoz-Garmendia, F. (l986), XIII. Adiantaceae In Castroviejo, S., Laínz, M., López-González, G., Montserrat, P., Muñoz-Garmendia, F., Paiva, J. e Villar, L. (eds), Flora Iberica. Plantas vasculares de la Péninsula Ibérica e Islas Baleares, vol. I: Lycopodiaceae-Papaveraceae. Madrid, Real Jardim Botânico de Madrid, Conselho Superior de Investigacões Científicas: 61-62. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo de Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves. Pichi-Sermolli, R. E. G. (1977), Tentamen Pteridophytorum genera in taxonomicum ordinem redigendi. Webbia, 31, 2: 313-512. Salvo-Tierra, E. (1990), Guía de helechos de la Péninsula Ibérica y Baleares. Madrid, Ed. Pirámide. Sjögren, A. (1973), Recent changes in the vascular flora and vegetation of the Azores Islands. Memórias da Sociedade Broteriana, 22: 1-453. Tutin, T. G., Burges, N. R., Chater, A. O., Edmondson, J. R., Heywood, V. H., Moore, D. M., Valentine, D. H., Walters, S. M. e Webb, D. A. (eds.), Flora Europaea, vol. I: Psiloteceae to Plantanaceae. 2.ª ed., Cambridge, Cambridge University Press.