acupar

v. Variante arcaica e popular de ocupar (do lat. occupare). Cf., na Crónica de D. Pedro de Meneses, cap. 66, de Azurara: «D’outra parte elles acupados assy no levar dos mortos [...]» Há também exemplos sobejos no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. Veja-se, por exemplo, no Prólogo do próprio Resende: «[...] se os escritores se quisessem acupar a verdadeiramente escreuer [...]», e em composições de outros poetas, como Jorge de Aguiar («Que pera sua merçe / auer desser acupada / no que tam craro seve [...]»), Nuno Pereira («Acupado meu cuydado / com tuas forças ssenty [...]»), João Roiz de Sá («[...] que macupa a fantesia [...]»), etc. Acupar é ainda a forma que usa António Ribeiro Chiado, um contemporâneo de Camões: «Ontem quisera eu cá vir / e não pude d’acupado» (Auto das Regateiras, verso 63.º). Ocorre eventualmente, hoje em dia, na linguagem popular, tanto dos Açores como do Continente, e também se ouve no Brasil (Rio Grande do Sul). Eduíno de Jesus (Out.1997)