achigã

HISTÓRIA NATURAL Nome vulgar da espécie de peixe dulçaquícola Micropterus salmoides (Centrarchidae). Segundo Muus e Dahlstrom (1981), Pereira (1994) e Spillman (1991), os indivíduos desta espécie têm o corpo alongado e aspecto atarracado. A cabeça é grande, com cerca de 1/3 do comprimento total. A boca prolonga-se para a retaguarda da vertical que desce dos olhos, e é cercada por dentes minúsculos voltados para dentro. Outros dentes estão sobre as maxilas, o vómer e o palato. O lábio inferior é saliente em relação ao superior, constituindo uma característica anatómica que distingue o achigã dos outros peixes de água doce existentes nos Açores.

A coloração é verde bronzeada de escuro, no dorso, verde-azeitona com reflexos prateados, nos flancos, e branco amarelado, por vezes quase branco, no ventre. Ao longo dos flancos, do focinho à extremidade do pedúnculo caudal, exibe uma lista larga, preta, mais ou menos contínua. No ângulo superior do opérculo aparece uma lista escura, mais marcada nos machos do que nas fêmeas. Nos flancos, abaixo da lista larga, evidenciam-se algumas pintas disseminadas de modo irregular.

Muito vorazes, alimentam-se de crustáceos, moluscos, insectos e mesmo de outros peixes e batráquios. A reprodução faz-se em ninhos construídos pelos machos, onde uma ou mais fêmeas põem ovos, em número variável consoante o seu tamanho, até 4000, que são imediatamente fecundados. Os machos também defendem e tratam dos ninhos e cuidam dos jovens. Esta espécie é originária da planície central da América do Norte onde é procurada pelos amantes da pesca desportiva. Luís M. Arruda (Fev.1997)

INTRODUÇÃO NAS ILHAS Com a finalidade de povoar a lagoa das Sete Cidades, a maior existente na ilha de S. Miguel, de espécies piscícolas de valor alimentar, por iniciativa de José Maria Raposo de Amaral, em Julho de 1898 foram recebidos dos Estados Unidos 600 achigãs Micropterus salmoides (Centrarchidae), dos quais apenas um chegou vivo. No início de Outubro do mesmo ano, de um grupo de 30 peixes somente 5 chegaram com vida. Esta espécie era então conhecida pelo nome de origem Black-bass. A 7 de Outubro os achigãs foram lançados na lagoa grande das Sete Cidades, no sítio denominado Cabouco. Segundo relatos de José Maria Raposo de Amaral, aqueles peixes ter-se-iam desenvolvido e procriado bem e, em 1904, foi possível capturar 74 com o auxílio de uma rede.

O achigã foi considerado como uma boa espécie, pois a sua carne era de muito boa qualidade e possuía a grande vantagem de não necessitar de água corrente para desovar, o que tinha ocasionado total insucesso na introdução das trutas. Aquela espécie foi mesmo apontada como a de maior interesse, pelas magníficas capturas que então se realizavam. No entanto, o achigã desapareceu depois da abertura do túnel construído nessa lagoa para regularização do nível das suas águas, inaugurado em 1937, ao que parece devido a essa abertura, pois até hoje não foi encontrada outra explicação para esse facto.

Ainda por iniciativa de Raposo de Amaral foram também lançados achigãs numa pequena lagoa existente na cumeeira das Sete Cidades, denominada de S. Tiago. Em 1965 foram lançados 19 achigãs na lagoa Rasa, também situada na zona atrás referida, trabalho este efectuado pela então denominada Circunscrição Florestal de Ponta Delgada. Algum tempo depois foram levados para a lagoa das Sete Cidades alguns exemplares desta espécie e, mais tarde, também para a lagoa de S. Brás, no concelho da Ribeira Grande.

Presentemente o achigã existe apenas nas lagoas Rasa e de S. Brás, que são de muito reduzidas dimensões e pouco visitadas, onde as capturas são bastante fracas, apresentando-se por isso de interesse consideravelmente limitado. Armindo Moreira da Silva (Jan.1996)

Bibl. Silva, A. M. (1992), Introdução de peixes dulciaquícolas na Ilha de S. Miguel. Ponta Delgada, Direcção Regional dos Recursos Florestais (EED; 18). Id. (1977), A pesca desportiva nas águas interiores da llha de S. Miguel. Ponta Delgada, Circunscrição Florestal de Ponta Delgada (EED; 7). Muus, J. B. e Dahlstrom, P. (1981), Los Peces de Aqua Dulce de España y de Europa, Pesca, Biologia, Importância Económica. 2.ª ed., Barcelona, Omega S. A.: 166. Pereira, C. (1994), Espécies Aquícolas de Portugal Continental. Direcção-Geral das Florestas, Centro Aquícola do Rio Ave: 181-182. Spillman, C. H. (1991), Faune de France, Poissons d’eau douce. Paris, Éditions Paul Lechevalier: 195-198.