acernefe
Nome pelo qual o cronista açoriano Frutuoso (1926: 242 e 293) se refere a um mineral que diz existir nos Açores, mormente nas Furnas, ilha de S. Miguel, o qual descreve como sendo «um material amarelo, como pedra luzente, no qual pega o fogo mais que em enxofre e, queimado, se derrete e torna em escória». Segundo o mesmo cronista, esse mineral constitui a matéria do basalto (que ele designa biscoito), ou melhor, é uma das duas componentes desta rocha, sendo a outra a marquesita (isto é, a *augite). Castro (1890: 272) e, seguindo-o, Ferreira (1937: 11), identificam este material referido por Frutuoso com a, hoje designada, olivina. O termo usado pelo cronista seria uma forma evoluída de Tekinerfe, ou de Chernefe, nome de Tenerife na língua guanche, segundo Webb e Berthelot. Eduíno de Jesus (Nov. 1997)
Bibl. Castro, E. V. P. C. (1890), Ensaio sobre a bibliografia geológica dos Açores. Arquivo dos Açores, Ponta Delgada, XI. Ferreira, E. (1937), O Arquipélago dos Açores na História das Ciências. Lisboa, Liv. Bertrand. Frutuoso, G. (1926), Livro Quarto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, II.
