Acção Católica Portuguesa

Desde meados do século xix que existem vários movimentos católicos de leigos actuando nos mais diversos países. A Acção Católica, movimento religioso e apolítico, sob a direcção da Igreja, acabou por congregar vários desses movimentos, dando-lhes uniformidade numa estrutura unitária.

A Acção Católica Portuguesa (ACP), fundada com base no pensamento de Pio XI, deu os primeiros passos em 1932, propondo-se difundir e defender os «princípios católicos da vida intelectual, familiar e social, sob a directa e inteira dependência da hierarquia e por mandato oficial desta recebida». As Bases Orgânicas e o Estatuto foram publicados em 1934, tendo este último sofrido várias remodelações, como resultado da experiência do próprio movimento, da evolução da sociedade e das renovações no seio da Igreja, nomeadamente com o Concílio Vaticano II.

A sua actividade foi iniciada a partir das quatro organizações do laicado: a Liga Católica, masculina e feminina, e a Juventude Católica, também separada por sexos. Estas organizações, para uma maior penetração nos diferentes meios, ficaram subdivididas pelos sectores agrário, estudantil, operário e universitário. Dependente do Episcopado, ficou escalonada a nível nacional, diocesano e paroquial, com uma Junta Central a funcionar como órgão supremo executivo.

Em 1977 começou o declínio da actividade e da organização da Acção Católica, tendo assim a Igreja perdido uma das grandes e, talvez, uma das melhores, fecundas e eficazes «escolas» de formação, evangelização e intervenção activa dos leigos e pelos leigos na transformação cristianizada da sociedade. Carlos Enes (Dez.1998)

LIGA AGRÁRIA CATÓLICA Foi fundada em 1935, na ilha Terceira, sede da diocese, e chegou depois a mais três ilhas: S. Miguel, Faial e Pico. Hoje, mantém 11 secções na ilha Terceira, 7 na de S. Miguel, 2 na do Pico e 2 na do Faial. A vida destas secções tem tido, ao longo dos anos, os seus altos e baixos, como em todos os organismos da Igreja e por toda a parte.

Numa diocese essencialmente agrária, a nível das freguesias, a representatividade não será muita, já que a maioria da população reside à volta das cidades, mas o facto da sua manutenção tem algum significado. Augusto Cabral (Dez.1998)

LIGA INDEPENDENTE CATÓLICA FEMININA (LICF) Actualmente Acção Católica dos Meios Independentes (ACI), foi fundada na diocese de Angra em 1935.

A LICF situava-se no Meio Independente que, nessa altura, abrangia as pessoas que tinham certo nível educacional e viviam de haveres ou de profissões liberais. Posteriormente, com o desenvolvimento das classes médias, passou a falar-se dos Meios Independentes.

Devido às suas características de natureza urbana, a LICF foi fundada nas três cidades açorianas - Angra, Ponta Delgada e Horta - e chegou a ter 300 membros. Na actualidade, a ACI existe também na cidade da Praia da Vitória.

Com as mudanças de estilos de vida e de mentalidades, com a secularização e o aparecimento de outras organizações de apostolado, a ACI está em diminuição, que parece irreversível. Os membros fazem trabalho e apostolado «especializado», isto é, adaptado ao Meio, por causa das suas características.

Anualmente existe um «tema de estudo» que consta dum plano de trabalho. O tema é preparado individualmente por cada membro e trabalhado em equipas. São problemas religiosos da actualidade, vistos no enquadramento dos Meios Independentes. Este tipo de trabalho caracteriza-se pela sua disciplina e desenvolve a formação cristã e social dos membros, propondo-os para intervenção nos seus meios. F. Caetano Tomás (Dez.1998)

JUVENTUDE ESCOLAR CATÓLICA As suas organizações masculina (JEC) e feminina (JECF) foram fundadas em Outubro de 1935.

Em Angra, sede da diocese, estava a Direcção Diocesana do movimento, que coordenava todas as secções, bem como as estimulava, de acordo com as necessidades e orientações da Direcção-Geral, sediada em Lisboa.

As primeiras secções instalaram-se em Angra, no Liceu Nacional, e posteriormente nos outros dois liceus, que então existiam, Ponta Delgada e Horta. Os dois colégios femininos com internato, Santo António, na Horta, e S. Francisco Xavier, em Ponta Delgada, igualmente tinham as suas secções. Assim todos os estabelecimentos do ensino secundário eram atingidos pelo movimento.

Dedicando-se o movimento essencialmente ao apostolado no meio estudantil, tinha a grande preocupação de formar bem os seus elementos. Para tanto, organizava as mais diferentes actividades: reuniões de formação semanais; reuniões igualmente semanais de militantes, onde, além de uma parte de oração e outra de formação específica, havia a análise de casos ou factos, com o método de revisão de vida, o assumir de novos compromissos apostólicos, bem como a partilha dos trabalhos realizados; as reuniões de equipa; recolecções; retiros espirituais; cursos e campanhas.

A JEC do Liceu de Angra, além destas actividades, organizou durante muitos anos um presépio, que constava sempre de vários quadros e era muito visitado; tinha uma equipa de futebol; realizava colónias de férias com os seus filiados, fazendo-as em várias ilhas; o teatro também entrava nas suas actividades, bem como tardes culturais, onde se encenavam poesias, onde se faziam recitais de piano e violino e se declamava poesia.

Uma outra actividade, que praticamente todas as secções tinham, eram os jornais de parede, onde além dum artigo sério, a piada e o humorismo tinham o seu lugar.

No fim da década de 60 começou a notar-se uma crise no movimento e, em 75/76, as secções de Angra praticamente deixaram de existir, o mesmo acontecendo às restantes da diocese. J. Lima Amaral Mendonça (Dez.1998)

LIGA ESCOLAR CATÓLICA (LEC/F) Foi também fundada em 1935 e, após a sua fundação, teve vários períodos áureos até 1977.

A sua área de actuação, até à data referida, estendeu-se a todas as ilhas dos Açores, com excepção das ilhas do Corvo e Santa Maria.

A LEC/F procurou actuar na formação católica com os seus membros, preocupada, igualmente, com uma intervenção activa e transformadora na área social, cultural, profissional e religiosa onde era exercida a actividade profissional/social dos seus militantes. Procurou ainda promover a unidade, intercâmbio e aproximação dos professores católicos (e não só), mormente os do, então, ensino primário, do arquipélago dos Açores.

Organicamente, era constituída por uma Direcção Diocesana (sediada em Angra), pelas direcções de ilha e núcleos, a par da sua interligação com a Direcção Nacional. Dependendo directamente da hierarquia da Igreja, o seu responsável (presidente diocesano) era nomeado pelo bispo da Diocese, sob proposta do assistente diocesano, igualmente designado por Sua Excelência Rev.ma.

A nível nacional, anualmente, era escolhido um tema base de reflexão, apoiado e desenvolvido por um guia do militante.

A nível diocesano eram realizados Conselhos Diocesanos, que se realizaram em diversas ilhas dos Açores, compostos pelos responsáveis diocesanos de ilha e respectivos assistentes religiosos, onde eram debatidos: o plano anual de trabalho; as realidades locais; dificuldades, meios, formas de expansão e de actividades, a nível de ilha e diocesano, a par de uma constante actualização da formação religiosa, humana e profissional do professor.

Durante o ano, para manter viva a chama da unidade e de acção, vivida na dimensão espiritual e horizontal, era mensalmente elaborado pela Equipa Diocesana um «jornal», com temática variada e enviado a cerca de 1500 professores, que excedia o número dos chamados militantes da LEC/F. Os seus custos eram suportados pelas verbas atribuídas, anualmente, pela diocese, pelas quotas dos seus membros, pela angariação de fundos promovida pela Direcção Diocesana, pelos núcleos e pelo regime de voluntariado dos militantes.

Anualmente eram promovidos: convívios de Natal, largamente participados, e de que constavam momentos de reflexão cristã, teatro, música, refeição comum, etc.; retiros espirituais no tempo quaresmal; colónias de férias para professores, que se realizaram praticamente em todas as ilhas dos Açores e cuja organização logística era da responsabilidade dos dirigentes locais; em 71/72 foi organizada uma excursão, de 20 dias, ao continente português, na qual participaram 38 elementos.

Anualmente eram constituídas as equipas de base que reuniam mensal ou quinzenalmente para estudo, reflexão e actualização dos compromissos, utilizando o método profícuo e fecundo que orientava a Acção Católica: «Ver, Julgar e Agir.»

Mensalmente eram realizadas as chamadas «reuniões gerais», nas quais se realizava uma reflexão em que eram focados problemas então actuais, seguidas de reuniões por equipas, de uma reunião conjunta onde se partilhavam as conclusões das equipas e terminando, geralmente, com a Eucaristia.

Eram organizados encontros de fim-de-semana alargado ou cursos periódicos alongados sobre os mais diversos temas que foram desde psicologia, pedagogia, cultura geral, doutrina social da Igreja, Vaticano II, higiene alimentar, indo até à iniciação à democracia, vida política, sindicalismo, etc., abertos a todos os professores.

Finalmente, os militantes da LEC/F estiveram presentes, activamente, aquando do 25 de Abril de 1974, em todos os campos de actuação desde o profissional, o social, o sindical ao político. Tal como aconteceu com a Acção Católica em geral, também esta organização iniciou o seu declínio em 1977. Fátima Oliveira (Dez.1998)

LIGA OPERÁRIA CATÓLICA (LOC) Desenvolveu o seu trabalho nos meios urbanos, com especial destaque nas cidades de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada. Apesar das limitações impostas durante o Estado Novo, desenvolveu um importante trabalho no movimento cooperativista, contribuindo para o seu incremento e melhor funcionamento. Procurou consciencializar os trabalhadores para a defesa dos seus direitos e empenhou-se no esclarecimento das vantagens dos contratos colectivos de trabalho. Alguns membros da Igreja, ligados a este movimento, participaram no estrangeiro em acções de formação que muito contribuíram para a introdução de novas ideias e métodos de trabalho. A partir dos anos 60, surgiram no seio deste movimento tendências democráticas e socialistas que puseram em causa a estrutura do regime então vigente. Carlos Enes (Dez.1998)