açaflor
Nome vulgar de Carthamus tinctorius (Compositae). Também conhecida por açafroa e açafrão bastardo. Planta anual, atinge a altura de 1 m. Apresenta o aspecto dum cardo com flores cor de laranja. As folhas lanceoladas são espinhosas na margem. As flores dispostas em capítulos com cerca de 3,5 cm de diâmetro, rodeados de brácteas. Os capítulos possuem um invólucro também espinhoso e estão agrupados em corimbos, raramente solitários. Os frutos são cipselas, oblongos, lisos, brancos e macios com cerca de 6 mm de comprimento. É uma planta possivelmente originária da Ásia Ocidental, cultivada na Índia, China, Japão, Egipto, Sul da Europa e Açores. É subespontânea no Sul de Portugal.
A sementeira da açaflor faz-se como a do milho, ao qual também se assemelha nas exigências quanto a textura e preparação do terreno, fertilização e amanhos culturais. Mas quando se inicia a floração, o que acontece no princípio do Verão, o problema complica-se. Torna-se necessário fazer a colheita à medida que as flores vão abrindo e, numa planta tão espinhosa, a operação não é simples. As flores colhem-se diariamente de manhã bem cedo quando ainda há orvalho, o que torna os espinhos menos agressivos. Seguidamente, secam-se em esteiras à sombra. Por vezes é necessário completar a secagem no forno.
Das flores pode-se extrair, após um corante amarelo que não tem utilidade em tinturaria, um corante vermelho, a cartamina ou vermelho vegetal, que foi usado em tinturaria, como o seu nome, tinctorius, indica. Este corante vermelho foi considerado noutros tempos tão precioso como o índigo. Ainda hoje é apreciado por alguns pintores, sendo também utilizado para tingir sedas e na fabricação de cosméticos. As folhas e as sementes podem ser usadas para coalhar o leite. Das sementes pode-se extrair um óleo utilizado, na Índia, em culinária e em iluminação. Modernamente, está sendo usado nas dietas destinadas a combater o colesterol e doenças das coronárias. É uma planta exótica, muito bonita e considerada como ornamental de jardim. Mais recentemente, tem sido usada como flor seca, bem cotada no mercado. Tem sido também usada para falsificar o açafrão, o que lhe valeu o nome de «açafroa» ou «açafrão bastardo». Nos Açores, cultiva-se para ser usada em culinária. Não é usada como falsificação do açafrão, é apreciada por si própria, como açaflor, vendida por elevado preço, e até exportada para o «mercado da saudade».
Usada nos molhos de peixe frito, embeleza-os com a cor e dá-lhes o sabor próprio. É ingrediente indispensável do «molho cru». Por vezes é também adicionado às sopas de peixe.
Usa-se o chá, na proporção de 5 g de flores para 1/2 l de água, como laxativo. O mesmo chá pode ser usado para lavar as erupções de pele. Raquel Costa e Silva (Nov.1995)
Bibl. Bown, D. (1995), The Royal Horticultural Society, Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres: 255. Grieve, M. (1975), A Modern Herbal. Londres, Jonathan Cape Ltd.: 698. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves: 128. Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais (1990), Lisboa, Selecções do Readers Digest: 46.
