Académico (O)

1 Hebdomadário literário e noticioso, propriedade de Manuel Corrêa Botelho Júnior. Iniciou a publicação, em Ponta Delgada, a 12.3.1885 e terminou com o n.º 12, a 30 de Maio do mesmo ano. Apresentava-se como um jornal literário que pretendia preencher uma lacuna existente. Para atingir todas as classes sociais, era vendido a um preço acessível. Para além da publicação de poesias e pequenos textos literários, prestou apoio aos estudantes, traduzindo textos de latim adoptados no liceu de Ponta Delgada. 2 Folha semanal publicada em Angra do Heroísmo. Iniciou a publicação no dia 15.9.1892 e terminou com o n.º 19, a 4.2.1893. Jornal virado para a defesa de interesses locais, acabou por defender, numa conjuntura de crise durante a governação de José Dias Ferreira, a independência dos Açores e a respectiva anexação aos Estados Unidos da América. 3 Revista semanal, literária, localista e independente. Iniciou a publicação, em Angra do Heroísmo, no princípio de 1907 e terminou, no mesmo ano, no n.º 14, datado de 23 de Junho. Foi dirigido por José Sebastião d´Ávila Junior e teve como proprietário Ignácio Cardoso Valadão. Jornal de feição republicana, abordava vários temas de educação popular e defendia a criação de bibliotecas. Inseriu também alguns artigos anticlericais, mas numa linguagem moderada. Para além de notícias locais, apresentava crónicas do Faial. 4 Quinzenário dos estudantes do Liceu Central de Angra do Heroísmo. Iniciou a publicação a 1.12.1927 e terminou no n.º 5, a 19 de Fevereiro do ano seguinte. Foi dirigido por Ernesto Soares de Oliveira e Artur Geraldo Soares. Privilegiou, essencialmente, as notícias relacionadas com a academia angrense, referindo as realizações culturais, desportivas e recreativas. Em relação a outros jornais anteriores da mesma academia introduzia algum humor e piadas a vários alunos do liceu. Carlos Enes (Mai. 1996)

5 Jornal que se publicou em Coimbra, nos meses de Março, Abril e Maio de 1860, editado na Imprensa da Universidade e que tinha como um dos seus objectivos contribuir para a igualdade social através da instrução do povo, a classe «primeira e verdadeiramente única». Coerentemente, era redigido e não dirigido, entre outros, por Antero Tarquínio do Quental, João de Deus, Alberto Teles de Utra Machado, Alberto Sampaio e J. M. da Cunha Seixas. Trata-se, todavia, de uma publicação típica do Romantismo e «A Senda do Calvário», um dos primeiros poemas publicados por Antero, no n.º 1, é todo ele inspirado na Harpa do Crente, de Alexandre Herculano. No seu ensaio (incompleto) Esbocetos Biográficos - O lnfante D. Henrique (n.os 1, 2 e 3), o mesmo Antero evoca com patriótica admiração o Portugal das Descobertas, a pequena nação do extremo sul da Europa que levou a fé cristã e os usos e costumes ocidentais às quatro partes do mundo, numa época dominada pela figura imortal do infante D. Henrique. Alberto Teles descreve a história do Palácio da Pena, desde as ruínas do Convento de S. Jerónimo até ao romântico palácio mandado construir pelo rei-artista D. Fernando (n.os 1 e 2). Assinale-se que o autor de Lord Byron em Portugal (1870) e tradutor parcial (em prosa) da Peregrinação do Childe Harold (1881) já neste texto, um dos seus primeiros, se inspirou precisamente numa das paisagens imortalizadas por Byron. Dignas de interesse são ainda as contribuições de Alberto Sampaio, Cunha Seixas e João de Deus. Ana M. Almeida Martins (Jun.1996)