Academia Musical de Ponta Delgada

Instituição de tipo associativo e de carácter particular fundada em 25 de Outubro de 1922, para manter, em funcionamento regular, cursos de canto coral e execução de instrumentos de arte; divulgar, por todos os meios de propaganda, o gosto e o culto da música na ilha de S. Miguel; organizar certames, concertos e promover conferências sobre assuntos de interesse musical.

As cotas dos 140 sócios inscritos no início, os subsídios da Junta Geral, da Câmara Municipal e do Banco Micaelense permitiram que as aulas se iniciassem em Janeiro de 1923, com 73 alunos de ambos os sexos, mediante o pagamento de uma propina anual. Foram abertos quatro cursos regulares - solfejo e canto coral, piano, violino e violoncelo -, tendo sido contratados professores para o efeito. A sede ficou instalada, provisoriamente, no edifício da Escola Primária Superior (Convento da Graça), onde funcionou até Julho de 1928. A partida para Lisboa da professora Sara Afonso e a requisição das instalações pela Câmara Municipal, para instalar serviços próprios, abriram a primeira crise na vida da Academia que praticamente não funcionou até Novembro de 1931. Os trabalhos foram retomados nessa data, com a cedência de novas instalações na escola do Magistério Primário, apenas por dezoito meses.

A Academia só voltou a reabrir em Dezembro de 1945, passando as aulas a funcionar no edifício do liceu. Graças ao maior apoio da Junta Geral, foi possível contratar novos professores, adquirir instrumentos e promover o intercâmbio com outras organizações congéneres de Lisboa. Intensificou-se a actividade educativa, promoveram-se concertos, conferências e representações teatrais. Através do Emissor Regional dos Açores, foi possível difundir por todo o arquipélago as palestras e concertos efectuados. No ano de 1952, formou-se a Orquestra e o Grupo Coral da Academia. No ano seguinte, foi arrendado um imóvel, onde passou a funcionar até se converter em Conservatório Regional, por despacho de 12.5.1964. Apesar das inúmeras dificuldades, a Academia conseguiu atingir os objectivos a que se propôs, como se pode constatar pelos programas das suas actividades publicados na revista Insulana e no Diário dos Açores, na rubrica «Crónica de arte». Carlos Enes (Fev.1998)

Bibl. Rodrigues, J. (1968), Da Academia Musical ao Conservatório Regional de Ponta Delgada. Revista Insulana, Ponta Delgada, XXIV. Pavão, J. (1997), Realizações musicais em São Miguel: um passado para não esquecer. Correio dos Açores, Ponta Delgada, 11 de Dezembro.