abrótea-do-alto

HISTÓRIA NATURAL Segundo Martins (1981), sinónimo de melga, nomes vulgares da espécie de peixe Mora moro (Moridae). Ocorre no Atlântico Norte, desde a Irlanda e das ilhas Féroe até ao cabo Bojador, e no Mediterrâneo ocidental. A sua presença no mar dos Açores foi assinalada por Roule (1919) e Saldanha (1977). (

Noutra bibliografia, nomeadamente no Instituto da Conservação da Natureza (1993) e em Dias (1991), o nome abrótea-do-alto aparece relacionado com a espécie Phycis blennoides (Gadidae). Nesta espécie o corpo é de cor acastanhada ou cinzenta e as barbatanas dorsal, anal e caudal têm o bordo negro. As barbatanas pélvicas estendem-se para além da origem da barbatana anal e o terceiro raio da primeira barbatana dorsal é alongado, ao contrário do que acontece na abrótea (P. phycis) cujas barbatanas pélvicas se estendem até à origem da barbatana anal e não há raio alongado na primeira barbatana dorsal. Mais, em P. blennoides e P. phycis a barbatana anal é única, mas em M. moro aparece como duas e a barbatana pélvica é mais curta do que naquelas espécies. P. blennoides ocorre no Atlântico, desde a Irlanda e a Noruega até Marrocos, e no Mediterrâneo, geralmente a profundidades maiores do que P. phycis. Nos Açores, a espécie é bem conhecida das lotas e dos mercados. Assim, a designação vulgar abrótea-do-alto deve considerar-se como referindo P. blennoides. Luís M. Arruda (Fev.1996)

PESCA É uma espécie capturada na pesca de demersais dos Açores. Só a partir de 1990 é que começou a ter alguma importância tanto em termos de valor de pescado como em termos de quantitativos capturados (quadro 1) (Anon, 1982-95). A abrótea-do-alto é capturada entre os 300 e os 800 m. A esta se associam as capturas de goraz, boca-negra, bagre, imperador, alfonsim e de algumas outras espécies. A maior parte das capturas é efectuada com traineiras que pescam com palangre de fundo. Ainda não se fizeram estudos de biologia nos Açores. Não foi aplicado nenhum modelo de avaliação à população de abrótea-do-alto dos Açores, mas, como se trata de uma pesca recente, é natural que a população se encontre ainda em estado de subexploração. Hélder Marques da Silva (Nov.1995)

Bibl. Anon (1982-95), Pescado descarregado nos portos da Região Autónoma dos Açores em 1980-93 (Elementos estatísticos). Serviço Açoriano de Lotas, E.P.-Lotaçor. Dias, M. L. (1991), Pesca exploratória com palangre em águas dos grupos central e oriental do arquipélago dos Açores (1979-1983) Relatórios Técnicos e Científicos do Instituto Nacional de Investigação das Pescas, 46: 26. Instituto da Conservação da Natureza (1993), Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, Instituto da Conservação da Natureza. Martins, H. R. (1981), Nomenclatura de peixes de valor comercial dos Açores. Açoreana, 6, 2: 127-129. Roule, L. (1919), Poissons provenant des campagnes du yacht Princesse-Alice (1891-1913) et du yacht Hirondele II. Resultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I Prince souverain de Monaco, 52. Saldanha, L. (1977), Poissons capturés et photographiés lors des plongées du bathyscaphe Archimède aux Açores - 1969. Arquivos do Museu Bocage (2), 6, 3: 35-50.