abrótea

HISTÓRIA NATURAL Nome vulgar da espécie de peixe Phycis phycis (Gadidae), uma das melhores dos Açores, do ponto de vista gastronómico, segundo Drouët (1861). Os indivíduos desta espécie têm o corpo de cor escura ou castanho-avermelhada, superiormente, mais clara nos lados e no ventre, podendo confundir-se com a *abrótea-do-alto. Habitam as zonas rochosas entre os 50 e os 300 m (Silva, 1985), verificando-se um aumento do tamanho com a profundidade. Alimentam-se de peixes pequenos e invertebrados diversos. Segundo Silva (1986), a época de reprodução ocorre de Dezembro a Fevereiro. As fêmeas e os machos reproduzem-se, pela primeira vez, com, respectivamente, 5 e 4 anos de idade e 36-37 cm e 26-27 cm de comprimento. De modo diverso, o crescimento dos machos e das fêmeas é idêntico, mas é mais rápido de Abril a Agosto e mais lento de Outubro a Março. Os comprimentos médios para indivíduos com 3, 4, 5 e 6 anos de idade são cerca de 32, 37, 41 e 45 cm, respectivamente (Silva, 1985). Esta espécie ocorre no Mediterrâneo e no Nordeste do Atlântico, desde a baía da Biscaia até às costas de Marrocos e de Cabo Verde. Os registos para os Açores remontam a Drouët (1861) (como Motella vulgaris); Hilgendorf (1888) (como Phycis mediterraneus) e Collett (1896). Luís M. Arruda (Fev.1996)

PESCA Espécie capturada na pesca de demersais dos Açores. É importante tanto em termos de valor de pescado como em termos de quantitativos capturados (quadro 1) (Anon, 1982-95). A abrótea é capturada entre os 50 e os 300 m. A sua pesca está associada à do goraz, congro, pargo e de algumas outras espécies. Tradicionalmente é uma pescaria artesanal, efectuada com pequenos barcos de boca aberta que utilizam linhas-de-mão ou gorazeiras, mas a maior parte das capturas é actualmente efectuada com traineiras que pescam com palangre de fundo. Os resultados da aplicação de um modelo de avaliação à população de abrótea dos Açores (Silva e Krug, 1992) indicam tratar-se de uma população moderadamente explorada. Hélder Marques da Silva (Nov.1995)

Bibl. Anon (1982-95), Pescado descarregado nos portos da Região Autónoma dos Açores em 1980-93 (Elementos estatísticos). Serviço Açoriano de Lotas, E.P.-Lotaçor. Collett, R. (1896), Poissons provenant des campagnes du yacht l´Hirondelle (1885-88). Resultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert I Prince souverain de Monaco, 10. Drouët, H. (1861), Éléments de la Faune Açoréenne. Paris, Baillière. Hilgendorf, F. M. (1888), Die Fische der Azoren In Simroth, H. (ed.), Zur Kenntniss der Azorenfauna. Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Silva, H. M. (1985), Age and growth of the forkbeard Phycis phycis (Linnaeus, 1766) in Azorean waters. International Council for the Exploration of the Sea, C. M./G: 72. Id. (1986), Reproduction of the forkbeard Phycis phycis (Linnaeus, 1766) in Azorean waters. Ibid., C. M./G: 60. Silva, H. M. e Krug, H. M. (1992), Virtual population analysis of the forkbeard Phycis phycis (Linnaeus, 1766) in the Azores. Arquipélago (Life and Earth Sciences), 10: 5-12.