abrigo

1 Cortina de abrigo ou sebe em faia da terra (Mirica faya) ou em parede de pedra solta, com a finalidade de defender as vinhas e outras culturas dos ventos mareiros. Luís Mendes Brum (Mai.1996)

2 O termo aplica-se aqui especificamente para «lugar resguardado das intempéries», para o homem, mas excluindo a casa propriamente dita, como hoje a entendemos. Nas ilhas, pode o conceito aplicar-se a várias formas de habitat mais primevo, que gradualmente foram abrindo caminho para a definição da habitação tradicional. As furnas são a forma de abrigo mais antigo conhecido nas ilhas. Frei Diogo das Chagas refere os espaços, possivelmente aproveitando grutas naturais ou mesmo escavadas nas rochas, onde terão habitado os primeiros colonizadores flamengos das ilhas, no caso concreto das Flores - informação que recolheu por testemunho de uma sua avó, em meados da século xvii (Chagas, 1989: 533-34). Mas a prática era corrente ainda há poucos anos, em outros locais e ilhas atlânticas: por exemplo, em Câmara de Lobos (Madeira), nos anos 1970. Leite de Vasconcelos refere que «ainda na primeira metade do século xix pessoas pobres viveram do mesmo modo [em furnas] à beira-mar, em Ponta Delgada...» (Vasconcelos, 1975: 302). Outras formas de abrigo contemplam pequenos espaços de permanência temporária, como os abrigos para pastores, que podem ser palheiros ou em pedra, por vezes encostados aos muros rurais e aproveitando a sua solidez. Leite de Vasconcelos refere também as cafuas, citadas por Gaspar Frutuoso: «[...] uma armação de madeira, coberta de palha-triga, ou palha-milha (milheiro) para o pastor dormir nos locais em que anda com o gado e também para abrigo de trabalhadores, quando chove» (ibid., p. 302). A «casa de palha» representa já uma transição formal e tipológica para as formas concretas de habitação. Mas abrigos simples são também as prosaicas «casas de despejo» ou as «arribanas» rurais. José Manuel Fernandes (Out.1996)

Bibl. Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. S.l., Secretaria Regional da Educação e Cultura/ Universidade dos Açores. Vasconcelos, L. (1975), Etnografia Portuguesa. Lisboa, Imp. Nacional- Casa da Moeda, VI.