abremim
Nome atribuído a plantas da família das Cariofiláceas pertencentes a duas espécies do grupo Silene vulgaris: S. uniflora e S. vulgaris. Segundo Palhinha (1966), estas plantas também são conhecidas pelos nomes bermim, bremim e bramim. São plantas perenes, por vezes cespitosas e de base lenhosas, de caules até 60 cm, geralmente ramosos, glabros ligeiramente pubescentes, de folhas ovadas a lineares, de cálice intumescido envolvendo a cápsula madura, de pétalas grandes, esbranquiçadas, bipartidas, com unha distinta, de sementes tuberculadas a quase lisas.
Silene vulgaris, subsp. vulgaris, é caracterizada por plantas grandes, geralmente erectas, de caules robustos até 60 cm, glabros raramente pubescentes, de folhas basilares ovado-lanceoladas, de inflorescência multifloras, de brácteas escariosas, de cápsula de colo estreito, de dentes erectos ou erecto-patentes.
Segundo Franco (1971), esta subespécie existe em terras ricas e fundas e ocorre apenas na ilha das Flores. Ocorre em toda a Europa com excepção de algumas ilhas nortenhas e na Madeira.
Silene vulgaris, subsp. angustifolia, difere da subespécie anterior por as plantas apresentarem folhas ligeiramente menores sendo as basilares linear-lanceoladas ou lineares.
Aparece nas rochas e areias do litoral. Distribui-se pela região mediterrânica e por Portugal e Canárias.
S. uniflora, subsp. uniflora, caracteriza-se por plantas geralmente glabras, de caules delgados, prostrado-ascendentes, até 20 cm, pouco ramificadas, de folhas menores do que as dos táxones anteriores, um pouco suculentas sendo as basilares lanceoladas a subespatuladas, inflorescência 1-3(-7) flores, de brácteas herbáceas, de cápsula de colo longo e dentes patentes a deflexos. Aparece nas rochas e cascalhos do litoral, geralmente associada a Euphorbia azorica. Espalha-se pelas costas da Europa ocidental e do noroeste. Também ocorre na Madeira e nas ilhas Selvagens.
S. uniflora, subsp. cratericola, difere das plantas da subespécie anterior por as desta terem caules até 15 cm e folhas um pouco maiores, sendo as basilares espatuladas. Surge no interior e nas encostas da cratera da montanha da ilha do Pico. Constitui endemismo açórico.
Talavera (Castroviejo et al., l990) pensa que S. vulgaris, subsp. vulgaris, ocorre na Macaronésia e que S. uniflora, subsp. uniflora, existe apenas nos Açores. Sjogren (1973) atribuiu a S. uniflora, subsp. cratericola, a S. vulgaris, subsp. prostrata, e disse que aparece apenas na vegetação Calluna-Daboecia. Chater, Walters e Alceroyd (Tutin et al., l993) consideram como existente nos Açores apenas as duas subespécies S. vulgaris, subsp. vulgaris, e S. uniflora, subsp. uniflora, e incluem nesta última a subsp. cratericola. José Ormonde (Jun.1996)
Bibl. Castroviejo, S., Laínz, M., López-González, G., Montserrat, P., Muñoz-Garmendia, F., Paiva, J. e Villar, L. (eds.) (1990), Flora Iberica. Plantas vasculares de la Península Ibérica e Islas Baleares, vol. II: Plantanaceae-Plumbaginaceae (partim.). Madrid, Real Jardín Botánico, Consejo Superior de Investigaciones Cientificas. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. I: Lycopodiaceae-Umbelliferae. Lisboa, Sociedade Astória. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade Estudos Açoreanos Afonso Chaves. Sjögren, E. (1973), Recent changes in the vascular flora and vegetation of the Azores Islands. Memórias da Sociedade Broteriana, 22: 1-453. Tutin, T. G., Burges, N. A., Chater, A. O., Edmondson, J. R., Heywood, D. H., Walters, S. M. e Webb, D. A. (eds.) (1993), Flora Europaea, vol. I: Psilotaceae to Plantanaceae. 2.ª ed., Cambridge, Cambridge University Press.
