Abranches, Joaquim Cândido

[N. Angra do Heroísmo, 2.4.1830 - m. Ponta Delgada, 19.6.1912] Filho de continentais, nasceu em Angra, tendo vivido em Ponta Delgada, desde os 9 anos de idade, até à data do seu falecimento. Aprendeu o ofício de ourives, mas distinguiu-se, sobretudo, pela sua habilidade no desenho. Publicou, em 1869, o Álbum Michaelense, colectânea de notícias e gravuras dos mais notáveis monumentos da ilha S. Miguel, com preâmbulo de Francisco Maria Supico.

Desenhador naturalista, com algum mérito reconhecido na sua época, realizou diversos trabalhos que ainda permanecem inéditos - hoje património do Museu Carlos Machado -, merecendo especial destaque o Álbum Ilustrado de Zoologia Michaelense, que concluiu em 1893, composto por 65 folhas com 217 desenhos a aguarela, representando várias espécies de mamíferos, aves, peixes, moluscos, crustáceos, equinodermes e insectos. Este álbum tem uma introdução de Francisco Afonso Chaves, que apresenta um conjunto de considerações sobre «o interesse que os Açores despertam nos zoólogos do século xix, depois da descoberta da fauna do arquipélago dos Galápagos, na procura de tipos zoológicos de transição entre as faunas das regiões paleártica e neártica». A esta introdução seguem-se textos de Júlio Pereira de Carvalho Costa e de Eugénio Vaz Pacheco do Canto e Castro, sobre o autor.

Em 1894 concluiu a obra Medicina Popular Michaelense, que é constituída por uma colecção de 70 estampas de plantas medicinais e respectivas notas sobre a sua utilização popular. Em 1898, concluiu o álbum Borboletas, composto por 200 desenhos de espécies de várias partes do mundo. Seis anos mais tarde terminou o álbum ilustrado Iconografia Botânica Michaelense, contendo, além de uma nota introdutória, 171 ilustrações coloridas de plantas existentes em S. Miguel. Publicou, em 1877, Convulsões da Terra - notícias d’estes phenomenos e, em 1892, iniciou a publicação de pequenos contos, numa obra composta por três opúsculos, com o título Lucubrações Literárias. Em 1894, publicou a tradução de uma obra de Simonin, sob a designação de Uma Excursão nos Bairros Pobres de Londres. Colaborou no Álbum Açoriano, com um artigo intitulado Costumes Populares Micaelenses, tendo merecido, nesta obra, uma nota biográfica. Foi também colaborador do Diário de Annuncios, do Almanaque Insulano e da Revista do Minho. A sua participação em várias exposições, como artista amador, está inventariada em Ataíde (1974). João Paulo Constância, António M. Oliveira e Luís M. Arruda (Jan.1996)

Bibl. Ataíde, L. B. L. (1974), Etnografia  Arte e Vida Antiga dos Açores. Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade, II. Abranches, J. C. (1869), Album Michaelense. Ponta Delgada, Typ. Manoel Corrêa Botelho. Id. (1877), Convulsões da Terra - noticias d’estes phenomenos. Ponta Delgada, Ed. Manoel Augusto Teixeira. Id. (1892-1893), Lucubrações literárias. Ponta Delgada, Ed. Manoel Jacinto da Câmara, I-III. Id. (1903), Costumes Populares Micaelenses. Álbum Açoriano. Lisboa, Eds. Oliveira & Baptista: 87-88. Simonin, L. (1894), Uma excursão nos bairros pobres de Londres. Ponta Delgada, Typ. do Campeão Popular.