abelha-de-mel
As abelhas-de-mel (Apis mellifera) são insectos sociáveis, constituindo colónias com três tipos de castas: rainha, obreira e zangão. Pertencem à classe dos insectos, ordem Hymenoptera, família Apidae e género Apis. Este género engloba quatro espécies: Apis florea, A. dorsata, A. cerana e A. mellifera. A espécie A. mellifera é a abelha-de-mel ocidental que se encontra nos Açores, exceptuando a ilha do Corvo.
A introdução de abelhas-de-mel nos Açores remonta ao início do povoamento das ilhas, pois foram trazidas, conjuntamente com outros animais provenientes da Península Ibérica, sobretudo pelos religiosos que acompanharam os povoadores. Estes religiosos, para além de dominarem as técnicas de exploração das abelhas, utilizavam os produtos resultantes na alimentação (o mel) e na iluminação e serviço religioso (a cera).
Relativamente às raças de abelhas-de-mel existentes no arquipélago, referem-se as seguintes: A. mellifera mellifera, a primeira introduzida nos Açores, proveniente da Península Ibérica, é a predominante. Trata-se de uma abelha grande, peluda, de cor escura, com abdómen largo e quitina escura. Quando pura é mansa, ligeiramente nervosa e pouco enxameadora. Resiste bem ao Inverno e reproduz-se facilmente no Verão proporcionando colónias fortes e de boa qualidade que produzem de 20-30 kg de mel por colmeia. Quando cruzada com abelhas italianas produz híbridos agressivos e com tendência para a pilhagem de outras colmeias.
A. mellifera ligustica, conhecida por «abelha italiana» por ter origem em Itália, é, sem dúvida, a mais conhecida e difundida no mundo. Serviu de base genética para a fixação de muitas linhagens de abelhas. O corpo é coberto de pêlos amarelados, acentuados nos primeiros três anéis abdominais. Nos machos, ou zangãos, a coloração é mais predominante e uniforme em todo o corpo. São abelhas apreciadas pela sua mansidão e quietude nos favos. É boa produtora e pouco enxameadora, facto que facilita a manipulação pelos apicultores. Como inconveniente, aponta-se a sua tendência para a pilhagem em épocas de pouca floração.
A. mellifera caucasiana, introduzida recentemente nas ilhas, é a chamada «abelha caucasiana» por ter origem nos vales do Cáucaso Central da Rússia. É de cor cinza, mansa e de grande quietude nos favos. Propoliza muito. É pouco enxameadora, não sendo, contudo, grande produtora de mel. É utilizada no melhoramento genético.
Nos Açores, optou-se pela selecção das raças já adaptadas e rejeitaram-se importações do exterior, pois assim evita-se introduzir doenças graves que por vezes não existem na região (Paixão, 1974). Manuel Moniz da Ponte (Mar.1996)
Bibl. Paixão, V. C. (1974), Manual do Apicultor. Lisboa, ed. do autor.
