abalonas

s. Calções largos, com folhos, atados abaixo do joelho, que se usavam antigamente. Arruda Furtado faz referência a esta peça de vestuário («calção amarrado no joelho e ceroula perdida»; Furtado, 1884: 20) que, «/havia/ muito menos de um século» (isto é, até ao começo do século xix), tinha feito parte da indumentária corrente dos camponeses micaelenses e que ainda usavam então os camponeses do Continente. Luís Ribeiro também menciona estes calções como parte do antigo traje popular terceirense masculino: «Antigamente usavam-se calções até ao joelho, abaixo do qual passavam os folhos das bragas ou cuecas brancas, que caíam até meia perna [...]» (Ribeiro, 1982: 208). Provavelmente de origem flamenga, segundo o nome sugere (do francês wallon - valão -, originário da Valónia). A palavra, no singular e sem a prostético - balona -, consta num «copioso catálogo de antigas palavras portuguesas» elaborado por Francisco José Freire, o que quer dizer que o termo já estava então (2.ª metade do século xix) em desuso (Freire, 1863: 18). Viterbo, porém, não o regista ainda no seu Elucidário, publicado pouco mais de meio século antes. Na flexão do plural, com e sem a prostético, também significou um antigo género de calças muito largas (isto é, «abaloadas», na expressão empregada por Morais no seu Dicionário). Morais emprega a expressão «abaloadas» certamente influenciado pela hipótese de ser o termo (a)balonas derivado de balão, como alguns (e ele próprio) também admitem. O termo foi usado nos Açores para designar este tipo de calças. Eduíno de Jesus (Out.1997)

Bibl. Furtado, A. (1884), Materiais para o Estudo Antropológico dos Povos Açorianos. Ponta Delgada. Freire, F. J. (1863), Reflexões sobre a Língua Portuguesa. Lisboa, Tip. do Panorama, parte III. Ribeiro, L. (1982), Obras. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, I.