abacateiro
HISTÓRIA NATURAL Esta fruteira tropical arbórea (Persea americana) é originária da América Central e pertence à família das Lauráceas. Nos Açores encontramos três espécies desta família, o vinhático, Persea indica, o louro-bravo, Laurus azorica, e o til, Ocotea foetens, todas endemismos macaronésicos.
Possui folhas inteiras, lisas, pubescentes e avermelhadas quando jovens, passando depois a verde-escuro. As flores são hermafroditas, actinomórficas e agrupadas em panícolas terminais ou axilares.
O fruto é uma baga drupácea com diversas formas, desde o piriforme ao esférico, de casca firme ou branda, lisa ou rugosa, do verde ao violáceo muito escuro e de peso rondando os 50 a mais de 1000 g. É rico em vitaminas e não contém colesterol.
Pode pertencer a três subespécies diferentes e de acordo com a sua origem geográfica são designadas por antilhana, guatemalteca e mexicana. Possuem características bem diferentes, quanto às datas de floração, colheita, peso dos frutos e resistência ao frio. Com raras excepções, as cultivares comerciais mais importantes são híbridos entre representantes destas três subespécies.
Quanto ao seu comportamento floral, as variedades de abacateiro são dicogâmicas, porque não há coincidência entre a receptividade dos estigmas e a deiscência do pólen das anteras, e protogínicas, porque os pistilos entram em actividade antes das anteras. Assim são considerados dois grupos quanto a este aspecto. No grupo A, a flor abre de manhã e a sua parte feminina fica activa durante 6 horas, em seguida fecha por 24 horas e abre novamente na tarde do dia seguinte por mais 6 horas, ficando funcional a sua parte masculina. No grupo B, dá-se o inverso, a flor funciona como masculina de manhã e feminina de tarde, sendo agora de 24 horas a duração do ciclo completo.
O sincronismo floral diurno descrito tem sido referido apenas com determinados valores da temperatura, todavia diferentes para cada um dos grupos de comportamento floral.
Para as variedades do grupo A, quando as temperaturas mínimas são iguais ou superiores a 6,5° C e as máximas inferiores a 19° C, e para as do grupo B, quando são respectivamente superiores a 10,5° C e inferiores a 20° C.
Quando o período da floração ocorre fora destes limites, o que se regista por vezes nos Açores, verifica-se, ou a ocorrência de pequenos frutos abortados, sem semente e de reduzido valor comercial, quando as hemero e nictitemperaturas (as médias das temperaturas diurnas e nocturnas) são, respectivamente, de 17° C e 12 ° C), ou a produção de frutos normais, até por vezes em plantas isoladas.
INTRODUÇÃO E ADAPTAÇÃO DE VARIEDADES As cultivares «Hass», «Fuerte», «Bacon», «Zutano» e «Nabal», provenientes de Marrocos, foram introduzidas por Joaquim Ponte Tavares, em 1965, e foram plantadas na Estação Agrária de Ponta Delgada, Quinta de S. Gonçalo. Em 1983 foram introduzidas as culturas «Nowels», «Duke», «Reed», «Pinkerton» e «Topa-Topa». De todas estas cultivares, tem-se destacado a «Hass»,«Reed» e «Pinkerton» e em segundo plano a «Nabal», «Bacon» e «Fuerte».
A introdução das novas cultivares «Esther», «Whitsell» e «Gwen» pode vir a ter muito interesse, pois a colheita deverá ocorrer no Verão, época de maior consumo. Poderá também ser interessante a introdução das cultivares «Hellen» e «Gim», a primeira por ser pouco atacada por trips e ácaros e a segunda por produzir em Novembro, um mês antes da «Fuerte».
EXIGÊNCIAS CLIMÁTICAS E EDÁFICAS O abacateiro apresenta uma grande possibilidade de adaptação a vários tipos de clima. A exigência térmica das três subespécies é menor para as variedades mexicanas e maior para as antilhanas. As cultivares introduzidas e que melhor se adaptam às nossas condições subtropicais ou são híbridas entre as subespécies guatemaltecas e mexicanas ou pertencem à primeira subespécie.
Dada a instabilidade das temperaturas diurnas e nocturnas entre nós, o comportamento floral é alterado, verificando-se a sobreposição dos períodos e, como resultado, boas produções em plantas isoladas, nomeadamente no caso da cultivar «Hass».
A ocorrência de pequenos frutos abortados, sem semente, é frequente na cultivar «Fuerte»; aliás, com a excepção da «Bacon», as cultivares do grupo B são mais susceptíveis a este fenómeno, passando a comportar-se frequentemente como polinizadoras.
Para o abacateiro é importante a ocorrência de um período de frio como estímulo à indução floral, referindo alguns trabalhos o valor de 10° C.
Prefere amplitudes térmicas pequenas, da ordem dos 2° C a 5° C e a humidade relativa deve ser sempre elevada, entre 75 % a 85 %, o que se verifica nos Açores.
Deve dispor de água desde o vingamento até à colheita dos frutos, pelo que nos meses de Verão as zonas litorais de baixa altitude ou de solos com textura grosseira devem ser regados. O abacateiro não suporta geadas, a insolação parece não ter uma influência determinante na sua adaptação e é pouco resistente aos ventos, pelo que os locais de plantação devem ser abrigados ou possuírem sebes de abrigo.
É muito susceptível aos solos com deficiente drenagem e prefere aqueles com 5,5 a 6,5 de pH, de textura ligeira, arenoso-franca até às médias, de franca a franco-argilosa, sendo imprescindível que em solos com esta última textura a drenagem interna seja elevada, para que nunca se verifique acumulação de água.
Os solos mais adequados são os pouco evoluídos, de materiais piroclásticos de composição basáltica (escoriáceos ou soltos, estes últimos designados localmente por «bagacina»), ou traquítica (pomíticos), regossolos, solos rególicos e os solos dos mesmos materiais medianamente evoluídos, como os andossolos saturados.
As manchas delimitadas numa futura carta de zonagem para esta cultura poderiam enquadrar-se nos parâmetros anteriormente descritos, estendendo-se pela faixa litoral da costa sul das nossas ilhas, por vezes até à cota dos 150 m, e na costa norte, mais frias e mais húmidas, até à cota dos 100 m.
OUTROS ASPECTOS IMPORTANTES Os «trips», *ácaros e por vezes *afídeos são as principais pragas. Das doenças, a podridão da raiz provocada pelo fungo Phytophthora cinnamomi é a mais importante.
Nos últimos anos o abacate passou a marcar presença nas superfícies comerciais, mas a maior parte dos frutos são importados, 10 000 kg em 1995, dado que a produção regional ainda é muito reduzida. João M. P. F. Sampaio (Out.1997)
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